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segunda-feira, 19 de março de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Os donos de peixaria estão felizes da vida com a expectativa real de vendas nos próximos dias. Eles já fazem a contagem regressiva para a Semana Santa e de hoje até o começo do mês as vendas de peixes devem triplicar em comparação com outras épocas do ano. Os empresários do setor sabem que o consumo de peixe não é um hábito dos brasileiros, mas para compensar, existem aqueles que não vivem sem o produto. E para estes, o consumo do produto independe de época.
A advogada Ana Léa Huber estava em uma peixaria para comprar filé, camarão e mexilhão, com um propósito claro. Vou fazer uma bela peixada hoje. Ela diz que morou em algumas cidades privilegiadas em termos de pesca e, por isso, o consumo de peixes era quase obrigatório. Morei uma boa época à beira mar, no Rio de Janeiro e João Pessoa, e em Manaus comia peixes do rio, isto quase todos os dias.
Ana Léa afirma que tenta consumir peixes três vezes por semana, mas enfrenta alguma resistência doméstica porque outras pessoas da família preferem a carne vermelha. O peixe faz muito bem para a saúde. Me sinto melhor comendo peixe e no momento acho que preciso aumentar o consumo destes produtos. Ana diz que leva em conta apenas a qualidade na hora da compra por saber que o peixe é sempre mais caro que a carne bovina.
A contadora Anne Karina Torres diz que gosta muito de peixe e para ela não faz diferença ser de água doce ou salgada. Só prefiro os peixes sem espinho, explica. Anne afirma que consome peixes uma vez por semana em média. Na opinião dela, o brasileiro consome pouco peixe. Acho que um dos motivos é o preço porque o peixe é bem mais caro que a carne vermelha e outro motivo é a questão de hábitos alimentares mesmo. A contadora estava com o noivo em uma peixaria para comprar casquinha de siri. O rapaz não gosta de peixe de forma nenhuma, mas ela acredita que isto não deve causar nenhum problema de relacionamento. Eu ensino ele a comer peixe, inclusive o peixe cru, diz confiante.
Para o empresário Antonio Silva Santos é sagrado comprar peixe toda semana, em qualquer época. Não precisa ser Quaresma ou Semana Santa para a gente consumir peixe. Se tiver peixe todo dia, eu como peixe todo dia., afirma. Ele diz que compra vários tipos, entre eles o filé de tilapia, mas prefere a sardinha. Sou o maior consumidor de sardinha que existe. É um alimento saboroso, tem ômega três e é digestivo. No momento, estou comprando seis quilos.
Santos recebia a visita da família de um irmão que mora no interior de São Paulo e em seus planos estava a preparação de um skabechi, um prato que consiste no cozimento da sardinha com vários temperos. Segundo ele, tem gente que enjoa fácil ou não gosta muito de peixe porque não sabe como preparar. O segredo está em saber fazer. Uma hora frito e outra faço assado ou na grelha. A pessoa para ser saudável deve saborear qualquer tipo de peixe. Munhoz afirma que faz dois quilos de peixe de cada vez em sua casa.
Comerciante consegue atum com exclusividade
De acordo com o empresário Roberto Imagawa, dono de uma peixaria no Mercado Shangri-lá, o consumo de peixes deve aumentar em até 300% até à Semana Santa, em comparação com outras épocas do ano. Segundo ele, os peixes mais procurados agora são os de água profunda, entre eles o atum, o salmão, as anchôvas, a sardinha e o bacalhau. Inclusive já temos o bacalhau dessalgado, pronto para estar na mesa, dá o recado.
Imagawa estava feliz da vida por ter conseguido uma façanha. Nos últimos dias, houve uma falta geral de atum em todo o país, mas um exemplar - com mais de 30 quilos, foi pescado no litoral gaúcho. O empresário afirma que os fornecedores fazem contatos rotineiramente com as peixarias e ele foi o primeiro a receber a oferta. Quando ligaram para oferecer o produto, não tive dúvida, e falei: realmente eu quero. É uma raridade. Estive vendo e, para minha felicidade, não havia outro atum no mercado nacional esta semana. Tivemos muita sorte na aquisição deste produto, festeja.
Ao mesmo tempo, Imagawa também se mostra preocupado porque começa a sentir a escassez de peixes em função da pesca predatória. O homem achou que a oferta de peixe não terminaria nunca, mas a quantidade está diminuindo bastante. Eles estão limpando o nosso mar com os barcos de arrastão. Para ele, os órgãos governamentais deveriam se conscientizar da existência do problema.
Mesmo assim, o empresário defende o maior consumo de peixe por uma questão de saúde. O brasileiro consome pouco peixe pela própria cultura. Este é um hábito que deveria começar pelos nossos filhos. Imagawa lembra alguns estudos segundo os quais o consumo de peixe reduz em até 80% o índice de ataques cardíacos.
E como boa parte dos consumidores tem certa dificuldade em preparar o produto, ele deixa algumas receitas à disposição dos clientes na peixaria. (E.A.)


