Outro dia, um consumidor foi a três farmácias pesquisar o preço de um antibiótico. Para surpresa, encontrou uma diferença de preços que qualificou de ‘‘absurda’’. Em uma farmácia, o medicamento custava R$ 42,00, em outra R$ 49,00 e na terceira R$ 16,80. Ou seja, os dois primeiros preços eram bem mais que o dobro da terceira opção. Neste caso, é importante frisar que a comparação não era entre um remédio de ‘‘grife’’ e um similar genérico ou um produto de outra marca.
  Os consumidores, de certa forma, já estão acostumados à diferença de preços dos medicamentos, mas eles ainda se assustam quando a diferença vai além do que consideram ‘‘normal’’.
  O bacharel em Direito Jaderson Porto foi comprar um antiinflamatório. Ele diz que costuma fazer pesquisas de preços, mas estava comprando o remédio naquela farmácia porque soube que era mais barato. Porto afirma já ter observado diferenças que variam entre 50 a 100% em farmácias bem próximas. ‘‘É um exagero’’, avalia. Segundo ele, tal diferença só pode ter um motivo: ‘‘É muito grande a fome de explorar o mercado. Eles visam cada vez mais o lucro e se a gente não tomar cuidado, vai pagar mais caro’’. Porto diz ainda que não existe uma lei que impeça a farmácia de vender o medicamento mais caro e a tarefa de regular o mercado cabe ‘‘exclusivamente’’ ao consumidor.
  O vendedor Denilson Penteado foi comprar alguns medicamentos para o avô que não pode sair de casa. Ele sempre faz pesquisas de preços e já notou variações de 10%, em média, mas garante ter encontrado casos isolados que excedem e muito esse percentual. Para ele, a diferença de preços pode estar vinculada ao poder de compras das farmácias ou ao relacionamento que elas têm com os laboratórios. Mas de acordo com Penteado, o consumidor não deve ficar atento apenas aos preços. ‘‘Ele deve procurar também a farmácia que tem o melhor atendimento’’.
  A compradora Leliane Ortiz diz que já encontrou variação que chega a 30% ou 40% nos preços dos remédios e aponta outro motivo. ‘‘Acredito que esta diferença pode estar relacionada à variedade muito limitada que algumas farmácias oferecem’’. Ela compra remédios com freqüência para combater a dor, além de antibióticos e antiinflamatórios. Para ela, a única forma do consumidor encontrar preços mais em conta é não comprar o que precisa na primeira farmácia. ‘‘É sempre aconselhável fazer uma pesquisa de preços antes de comprar um medicamento. Aliás, não só medicamento mas tudo que a gente for comprar’’.
Pesquisar preços - Para o economista Vanderlei Sereia, professor da Universidade Estadual de Londrina, ‘‘não existe uma razão forte’’ para a grande diferença de preços dos mesmos medicamentos em algumas farmácias, mas aponta dois ‘‘possíveis’’ motivos: pode ser uma negociação especial entre as farmácias e os laboratórios ou uma estratégia de preços que faz parte da autonomia dos estabelecimentos. ‘‘Neste caso, é uma política própria onde a empresa assume os riscos, inclusive com a redução de seus lucros’’, afirma.
  Segundo o economista, ‘‘o usuário deve procurar os remédios que precisa em várias farmácias até encontrar os melhores preços’’. Ele ainda sugere que o consumidor faça, sempre que possível, a opção pelo medicamento genérico por este ser bem mais em conta.

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