O consumidor quando vai às compras enfrenta dois problemas em relação às instalações sanitárias dos estabelecimentos comerciais: o primeiro é a própria falta de banheiros na maioria das lojas, e o segundo é encontrar os banheiros em condições de uso quando eles existem. A situação é ainda mais grave quando a mãe vai às compras com criança no colo. Há mães que já desistiram de comprar por falta de um local adequado para trocar a fralda.
Um exemplo é a comerciária Débora Corrêa Catori, que estava com a filha Júlia, de três meses, em um supermercado. Ela conta que, há poucos dias, além de não comprar o que precisava, ainda precisou sair de uma loja às pressas para trocar a menina. ''Precisei ir embora rapidamente porque ela começou a chorar''. Débora afirma que a loja, embora de grande porte, não possui nem o banheiro ''normal'' e por isso a filha teve que trocar a fralda dentro do carro. ''Nesta circunstância fica difícil fazer compras'', avalia. Ainda de acordo com a comerciária, apenas um shopping da cidade tem fraldário em boas condições de uso.
O vendedor Carlos Moraes precisou ir ao banheiro de um supermercado antes de entrar para as compras. Ao sair, ele disse que ''as condições do banheiro estão satisfatórias; só não encontrei papel para enxugar as mãos''. Moraes afirma que já esteve em banheiros de outros estabelecimentos comerciais sem condições de uso, mas por culpa dos próprios clientes. ''Para ficar bom, deveria haver um pouco mais de capricho de nossa parte mesmo. Tem gente que suja mais do que deveria''. Moraes sugere uma forma para resolver este problema: ''O certo seria a pessoa ter um pouco mais de educação e usar o banheiro de uma loja, por exemplo, como se fosse o da sua própria casa''.
A estudante Daniele Carneiro dos Santos, de 17 anos, ficou surpresa ao ver uma funcionária limpando o banheiro de um estabelecimento comercial. ''Achei ajeitado, cheiroso'', disse. Em compensação, ela já esteve em outros lugares onde não havia esse tipo de cuidado. ''Às vezes, a gente chega e sai logo porque não tem como ficar de tão ruim que é o cheiro. É bem desagradável. Acho que os estabelecimentos comerciais deveriam cuidar melhor dessa parte'', sugere. Segundo a estudante, os clientes também deveriam ter mais consciência na hora de usar banheiros. ''Tem muita gente que não dá descarga; enxuga a mão e joga o papel no chão. Assim, não adiante limpar se tem gente que suja''.


Para arquiteto, ambiente deve ser obrigatório
  Na opinião do arquiteto André Sell, a existência de banheiros para o público deveria ser obrigatória em qualquer estabelecimento comercial, independente de tamanho. Segundo ele, devem haver banheiros separados para homens e mulheres e banheiros exclusivos para portadores de necessidades especiais.
  De acordo com o arquiteto, as instalações sanitárias para os portadores de necessidades especiais devem ter algumas características diferentes, tais como o acesso ao nível do chão ou com rampa suave, porta maior para a pessoa entrar com cadeira de rodas, espaço interno para a pessoa se movimentar com a cadeira e barras de apoio fixadas na parede. ‘‘Antes, os banheiros não tinham estas especificações porque se dizia que estas pessoas não saiam de casa, mas elas não saiam exatamente por falta destas condições. E hoje é preciso levar em conta que elas também são consumidores’’.
  Sell afirma ainda que os banheiros nos estabelecimentos comerciais devem ter boa iluminação e principalmente boa ventilação, de preferência natural. ‘‘Isto é necessário por uma questão de saúde e para uma boa higieni-zação’’.
O arquiteto informa que os banheiros para as mulheres devem ter mais espaço, a bancada do lavatório deve ser maior e com um lugar adequado para se colocar a bolsa. Segundo ele, não existe a obrigatoriedade de um local para trocar as fraldas das crianças nos estabelecimentos comerciais.
  Vigilância Sanitária - O Código Sanitário do Estado fixa o número de instalações sanitárias independentes para homens e mulheres de acordo com o tamanho dos estabelecimentos comerciais ou industriais. A cada 100 metros quadrados de área útil deve haver um conjunto com um vaso, mictório e lavatório para os homens e um conjunto com dois vasos e lavatório para as mulheres.
  O coordenador de saneamento da Vigilância Sanitária em Londrina, Moacir Gimenez Teodoro afirma que não há uma fiscalização de rotina nos estabelecimentos comerciais, até pela ausência de denúncias. Segundo ele, por falta de informação, o público desconhece os locais que não estão de acordo com a lei.(E.A.)

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