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quinta-feira, 08 de março de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
''O que eu observo é que as pessoas estão preocupadas em fazer o maior número de coisas no menor tempo possível. Por isso, não sobra tempo para pedir licença, para dizer obrigado''. A afirmação é da psicóloga e consultora de etiqueta Elizabete Côrtes, convidada pela Folha para observar o comportamento dos consumidores em um supermercado da cidade. E ao final, não teve dúvidas em afirmar: ''A palavra chave é pressa''.
Mesmo reconhecendo a necessidade do cumprimento das obrigações, Elizabete diz que o excesso de compromissos do mundo moderno não pode acabar com certos valores essenciais no relacionamento interpessoal. ''A educação não passou da moda. E o que a gente observa é que falta um pouquinho de cavalheirismo nos homens e um pouco mais de atenção com as pessoas mais velhas. Na verdade, a preocupação que a gente deve ter com o outro''. A psicóloga diz que seria elegante a pessoa ceder a vez no caixa quando está com um carrinho cheio e o outro com um pequeno pacote.
Um problema comum em um dia de grande movimento no supermercado é uma pessoa se esbarrar na outra, o que não parece intencionalmente. ''Isto depende muito do que a gente chama de intencionalmente. A partir do momento em que estou em um lugar público, devo olhar para a frente e considerar que existem outras pessoas. Portanto, tenho que tomar cuidado com o que acontece à minha volta''.
A psicóloga explica também o fato de as pessoas estarem apressadas até mesmo em uma tarde de sábado quando, na teoria, têm menos compromissos: ''Normalmente, nós não estamos em nossa própria agenda. A gente marca tudo na agenda, menos o nosso próprio tempo. E todo mundo vem ao supermercado no sábado porque trabalha a semana inteira''.
Com base nisso, Elizabete apresenta uma sugestão para a pessoa administrar melhor o seu tempo e consequentemente ter menos pressa: ''É apenas uma questão de conscientizar que meia a mais ou meia hora a menos não vai mudar nada. Não adianta fazer tudo correndo. Isso com relação ao trabalho, ao lazer, às compras, à casa, às pessoas que nos envolvem e tudo o mais. Se a gente fizer as coisas um pouco mais lentamente, a gente pode curtir melhor estes momentos''.
Outro detalhe que precisa ser levado em conta de acordo com a consultora é que todas as pessoas estão sendo observadas a todo momento, seja por outras pessoas, sejas por sistemas de vigilância eletrônica. ''Em todos os lugares, nos supermercados, nos elevadores ou no shopping, há sempre alguém observando alguém e só pensando neste tipo de coisa já vale a pena se comportar melhor''.
Educação não é frescura
A consultora Elizabete Côrtes faz questão de frisar que os problemas de comportamento das pessoas nos supermercados não podem ser confundidos com falta de educação. Não creio que as pessoas sejam necessariamente mal-educadas, talvez sejam mal-preparadas. Isto é mais no sentido de que todo mundo tem pressa e não está muito preocupado com ninguém.
Ela diz, porém, que a educação é essencial para a convivência entre as pessoas. A etiqueta e as boas maneiras sempre estarão na moda e as pessoas educadas vão se sobressair perante as demais.
De acordo com Elizabete, a pessoa gera uma experiência negativa quando age com má-educação. A pessoa deve pensar: eu não quero este comportamento para mim. Então, a partir do momento que a gente passa a observar melhor os outros, talvez a gente consiga ser mais consciente.
Mesmo sem fazer uma referência direta à jornalista Cláudio Matarazzo, pioneira dos manuais de etiqueta no Brasil, a consultora Elizabete Côrtes afirma que essa preocupação com a educação não é nenhuma frescura, é sim uma preocupação com a outra pessoa. Do ponto de vista da etiqueta e das boas maneiras, a educação deve ser mantida hoje e sempre. (E.A.)


