Suas compras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de março de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A falta de tempo é uma característica do mundo moderno. A maioria das pessoas tem excesso de compromissos e, enquanto realiza uma tarefa, já está pensando na próxima. A atitude de viver no limite altera o comportamento das pessoas niclusive durante as compras, que deveria funcionar como um momento de descontração. Os próprios consumidores relatam os problemas que observam no dia-a-dia de um supermercado.
A estudante universitária Débora de Assis Duarte considera difícil avaliar o comportamento das pessoas, mas acha que a pressa é o principal problema durante as compras em um supermercado, por exemplo. Eu mesma preciso buscar a minha sogra na rodoviária daqui a pouco e estou com pressa. Enquanto conversava, um cliente próximo derrubou algumas laranjas no chão quando tentava colocar a fruta em um saco plástico. E ela mesma comentou: Se a pessoa está com pressa, ela acaba estragando, derrubando alguma coisa ou batendo na outra, sem ao menos pedir desculpas.
Para Débora, a pressa é causada pelo excesso de compromissos e prejudica o relacionamento entre as pessoas. Falta um pouquinho de calma para todo mundo. É uma correria muito grande e as pessoas se esquecem de detalhes importantes para o convívio com as outras pessoas. Além da pressa, a estudante diz que observou outro problema de comportamento nos supermercados. Tem o caixa certo para aquela quantidade de volumes e a maioria não respeita e nem dá o lugar se alguém estiver precisando.
Na opinião da microempresária Eliane Patrícia Porto, o maior problema é que as pessoas já vão estressadas ao supermercado. E o que poderia ser uma atividade relaxante, acaba se transformando em uma corrida contra o tempo. O dia-a-dia das pessoas é corrido. Hoje em dia, tudo tem seu tempo determinado. A pessoa precisa trabalhar, buscar o filho na escola, ir ao supermercado e assim fica sem tempo livre. Ao ser lembrada que era um sábado à tarde e, portanto, sem a obrigação de alguns compromissos citados, ela disse que as pessoas já estão acostumadas à pressa.
De acordo com Patrícia, o problema do estresse não atinge apenas os clientes, mas também alguns funcionários que trabalham no atendimento. Ela conta que outro dia esteve em um supermercado, precisou de algumas informações, se dirigiu a um caixa e a pessoa não respondeu nada. Até entendo que é corrido, que eles trabalham muito, mas o funcionário deveria trabalhar sem esse estresse, analisa.
O advogado Cláudio Casquel estava fazendo compras na companhia dos filhos Gustavo, de um ano, e Luana, de dois. Ele acha que o maior problema em um dia de grande movimento nos supermercados é a pessoa parar o carrinho bem no meio do corredor para pegar alguma mercadoria, se esquecendo que há outras pessoas que precisam circular. Ao fazer esta observação, o próprio advogado se tocou que havia feito a mesma coisa e mudou o carrinho de lugar imediatamente.
Outro problema citado por Casquel é que as pessoas deveriam ter mais respeito em relação às filas. Ele cita o exemplo dos caixas para determinado limite de mercadorias e os caixas exclusivos para deficientes físicos, idosos e gestantes. A pessoa tem que se conscientizar que tem fila para tudo e para todos, e respeitar isso.
Segundo ele, a maioria dos problemas acontece por falta de educação. Independente de estresse ou não, cada um tem que se comportar da melhor maneira possível perante o próximo e respeitar todo mundo. Respeitar para ser respeitado, afirma.
- Amanhã - A psicóloga e consultora de etiqueta Elizabete Côrtes analisa o comportamento das pessoas durante as compras e sugere o que pode ser melhorado.


