Consumo de sorvete aumenta 70% no verão

  O consumo de sorvete no Brasil cresce a cada ano, mas ainda está longe dos índices registrados nos países nórdicos. Enquanto nesses países o consumo chega a 20 litros por pessoa por ano, no Brasil são 3,5 litros. O consumo de sorvete pelos brasileiros ainda é muito sazonal, com 70% das vendas concentradas no verão.
  A estudante Ana Cláudia Gonçalves Ferreira, de 15 anos, toma sorvete todo dia praticamente. Ela acha que esta freqüência ‘‘prejudica um pouco, mas é muito gostoso’’. E também não tem horário para consumir o produto. ‘‘Tomo quando dá vontade’’, afirma. Ana Cláudia estava com os pais e o irmão em uma sorveteria. Segundo ela, este é um momento que deve ser valorizado porque não é sempre que a família tem condições de se encontrar.
  ‘‘Hoje em dia a minha família tem pouco tempo para estar junta. E o motivo é que eu estudo demais e eles trabalham demais’’, comenta Ana Cláudia. Ela acredita que não precisa de uma desculpa melhor que a temperatura acima dos 30 graus em um final de tarde para se refrescar com um sorvete. ‘‘O clima favorece e com todo esse calor, a gente toma mais que o normal’’.
  O casal Ricardo Cardoso e Alessandra aproveitou uma tarde quente no final de semana para levar os filhos Pedro, de três anos, e Júlia, de dois, a uma sorveteria. De acordo com Alessandra, as crianças gostam de sorvetes de frutas, mas mudaram a preferência naquela tarde. ‘‘Elas descobriram um sorvete azul que é de leite condensado. A cor chamou bastante a atenção’’.
  De acordo com Alessandra, as crianças gostam mas não são muito de pedir sorvete. ‘‘Elas só pedem no momento oportuno. Quando está muito calor a gente tem que tomar um sorvetinho para refrescar’’.
  A turma de coroinhas da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos resolveu comemorar o reinício das atividades neste ano se reunindo em uma sorveteria. As 20 crianças e adolescentes estavam acompanhadas da coordenadora da pastoral, Leonor Zimmermann Schwarz e alguns pais. ‘‘É uma forma de comemoração muito boa porque todas as crianças gostam’’, diz Leonor, que fica atenta para as crianças não tomar sorvete em excesso. ‘‘É um alimento sempre bem-vindo, é delicioso, é refrescante, mas deve ser tomado com moderação. Todo alimento em excesso é prejudicial’’, alerta.
  Ela, porém, valoriza o comportamento dos coroinhas. ‘‘É uma meninada que não dá muito trabalho no dia-a-dia. São crianças muito boas e optaram por um bom caminho. Elas participam da igreja e formam um grupo de amigos. E tomar sorvete é uma forma de convivência que reforça a amizade’’, avalia.


Nutricionista recomenda pouco sorvete
  Segundo a nutricionista Flávia Maria de Souza Medri, o sorvete é um alimento rico em calorias, especialmente pelo uso da gordura trans em sua de fabricação. A gordura trans é um processo de oxidação que transforma a gordura do estado líquido para o estado sólido, sendo a margarina o exemplo mais comum.
  A nutricionista pede que o consumidor tenha cuidado quando o fabricante informar que usa um substituto para a gordura trans. ‘‘Isso é muito raro e pode até ser propaganda enganosa’’. Segundo ela, a gordura trans é usada para realçar o sabor, deixar o sorvete mais saboroso e mais consistente. ‘‘É difícil para o consumidor perceber a diferença’’, afirma.
  Diante desta realidade, Flávia apresenta uma sugestão. ‘‘Se a pessoa tem facilidade em ganhar peso, deve optar pelos picolés de fruta que são menos calóricos. Ela recomenda que as pessoas ‘‘normais’’ (sem hipertensão ou diabetes) devem tomar apenas uma bola de sorvete por semana e no caso de picolé até duas vezes por semana. ‘‘O recomendado para a pessoa saudável é consumir doces três vezes por semana e o sorvete já está incluso nesta quantidade’’, afirma.

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