Houve uma época em que o comércio de instrumentos musicias era restrito, quase que exclusivamente, ao uso profissional. Hoje a situação se inverteu e a maior procura está por conta de jovens ou adolescentes em início da carreira ou grupos musicais que são formados em igrejas católicas e evangélicas. O gerente de loja Sérgio Cortellete Neto confirma que o perfil do comprador de instrumentos musicais mudou muito nos últimos anos, sendo o público ‘‘não-profissional’’ responsável por cerca de 80% dos negócios.
  O estudante João Pedro Codato Antonio Silva, de 12 anos, veio passear na casa de familiares em Londrina e aproveitou a visita para comprar uma guitarra nova. Ele foi a uma loja especializada acompanhado do tio Luciano Silva, que é professor de música. ‘‘Estou ajudando ele a escolher porque têm muitas opções e a gente precisa dar uma assistência’’, afirma.
  João Pedro já tinha uma guitarra que o pai havia comprado para o irmão. ‘‘O gosto pela música é de família. Meu pai e meus tios sempre gostaram’’. O adolescente gosta de rock e MPB, entre outros gêneros. Estudante assíduo de música, o tio diz que ‘‘o garoto tem futuro, com certeza’’.
  O estudante Luiz Carlos Araujo Píccolo, de 18 anos, foi a uma loja pesquisar os preços de guitarra e contrabaixo. ‘‘Estou procurando estes instrumentos de corda para a minha igreja’’. Píccolo diz que se envolveu com música há três anos, é bateirista e está aprendendo a tocar
com um amigo. Para ele, ‘‘a música é importante porque é uma forma de aproximar as pessoas’’. E quanto aos preços? ‘‘O preço está bom, está bem acessível, vai dar para comprar’’, garantiu.
  O metalúrgico Rafael Willian Dantes de Oliveira, de 22 anos, é vocalista e guitarrista de uma banda criada há oito meses. ‘‘Estou procurando um pedal de metal para melhorar o nosso som’’. Oliveira toca na igreja mas gosta também de um som que chama de ‘pesado’. ‘‘Gosto de hardcore e punk rock, uma coisa forte mesmo’’. A idéia da banda nasceu em uma conversa com amigos e para sua formação cada um ficou responsável pelo próprio instrumento. ‘‘A gente faz música porque é uma arte legal e as pessoas têm que pensar que no Brasil não existe só futebol’’.
  Segundo Oliveira, não está difícil montar uma banda hoje em dia. ‘‘O preço está acessível, barato mesmo e cooperando com a gente; se a gente não tiver preguiça e tiver disposição, a gente faz’’, afirma.

Dicas para comprar um bom instrumento
  O professor de música Luciano Silva dá algumas dicas para a pessoa que quer comprar um instrumento mas não tem familiariade com o assunto. A primeira coisa a ser observada, segundo o professor, é o acabamento do produto.
Ele explica que um pequeno detalhe, como uma parte da madeira mal lixada, por exem-
plo, ‘‘compromete toda a performance do instru-mento’’.
  A pessoa deve observar bem a qualidade
do material usado na fabricação. De acordo com o professor, não é interessante comprar um ins-trumento de qualidade ruim. ‘‘Isto vale para qualquer instrumento e quem está começando deve comprar ao menos um que seja de nível intermediário’’. Ele diz que a qualidade é muito importante para iniciante, porque o produto ruim pode levar a pessoa a desistir dos estudos.
  Quanto à dificuldade de escolha, Silva afirma que ele mesmo foi comprar um violão recentemente e precisou escolher cinco unidades do mesmíssimo modelo até chegar ao instrumento que considera ‘‘adequado’’.
  O professor diz ainda que o ideal mesmo é que na hora da compra a pessoa vá acompanhada de um amigo ou profissional que realmente entenda do assunto, assim como ele fez com o sobrinho que foi comprar a guitarra. (E.A.)

Presença de ator ‘agita’ clientes
  A presença do ator André Frateschi em uma loja de acessórios e instrumentos musicais no centro de Londrina agitou parte da clientela. Além de ator - ele faz o papel de um caipira que tenta namorar a Telminha na novela ‘‘Páginas da Vida’’- Frateschi também é músico. Ele veio a Londrina, no último final de semana, para uma apresentação cover de David Bowie.
  Ele precisou comprar palheta, suporte e correia de guitarra e bateria para violão. ‘‘Na correria da saída, a gente sempre esquece uma coisinha ou outra. São pequenos detalhes mas que fazem muita diferença na hora do show’’.
  Frateschi disse que pretende manter as duas carreiras. ‘‘Para mim, as duas coisas se complementam. Aprendo coisas com a música para a atuação como ator e vice-versa’’. Ao sair da loja, o ator foi rodeado por algumas fãs que queriam autógrafos. (E.A.)

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