A chuva não atrapalha e não tira o ânimo de quem freqüenta as feiras livres. Tanto que o movimento nas duas maiores feiras de Londrina, no centro e na Avenida Saul Elkind, foi considerado bom pelos feirantes numa manhã de domingo bastante chuvosa.
  O casal Zeneide e Nilo Feraz foi à feira na manhã de domingo, mesmo com chuva, para comer um pastel e comprar frutas e verduras. ‘‘Nós já estamos acostumados; pode estar chovendo que a gente vem. Em casa, não teríamos o que fazer’’, afirma Zeneide. E o marido, que é advogado, acrescenta: ‘‘A gente sempre encontra algum conhecido, acaba conversando e fazendo alguma coisa diferente’’. Demonstrando bom-humor, Ferraz diz que vai à feira em plena manhã de domingo com chuva por solidariedade: ‘‘Não posso deixar ela se molhar sozinha’’, brinca.
  Zeneide também não reclama do tempo, mas dos preços... ‘‘Hoje não compensa fazer feira porque as coisas no mercado estão bem mais baratas. A feira só se justifica por uma questão de passeio mesmo’’, afirma.
  O dentista Carlos Alberto França Campos aproveitou uma ‘‘trégua’’ da chuva, mas prevenido, levou uma sombrinha. Ele diz preferir fazer as compras de frutas e verduras na feira, mesmo quando está chovendo por hábito. ‘‘Todo domingo estamos aqui. É um hábito, é agradável e os produtos são mais frescos. A gente só não vem quando está viajando’’, comenta, acrescentando que não é todo mundo que gosta de sair com o tempo chuvoso. ‘‘O pessoal prefere dormir nas manhãs de domingo, mas para mim é prazeroso acordar cedo’’, afirma.
  A comerciante Silene Nunes é feirante há 25 anos. ‘‘A gente faz feira todo dia, independente do tempo. Pode estar a maior chuva que a gente vem’’, garante. Silene geralmente acorda entre três e meia e quatro da manhã para organizar os produtos, que ela mesma cultiva em uma chácara, mas quando o tempo não está bom, ela precisa acordar ainda mais cedo. ‘‘Se está chovendo demora um pouco mais para arrumar as coisas’’, explica.
  No período que trabalha na feira ela observa que nos dias de chuva as pessoas reclamam um pouco mais e pedem para baixar os preços. Ela atende na medida do possível. Qualquer que seja o tempo, Silene faz questão de atender as pessoas com alegria. ‘‘A gente precisa estar com boa disposição para atender o cliente. Ele não tem culpa se vou vender pouco ou não por causa da chuva. Estou tão acostumada a ser assim que a gente até esquece da crise e do tempo’’.


A importância da atitude positiva
  A psicóloga Maria de Lourdes Martins Silva concorda com a feirante Silene Nunes que é preciso manter o bom humor em qualquer circunstância. ‘‘É importante manter uma atitude positiva independente do tempo. O dia chuvoso é um dia como outro qualquer e as pessoas devem manter o equilíbrio nos relacionamentos, seja no ambiente de trabalho ou não’’. Ela afirma, porém, que o tempo interfere no humor das pessoas, que tendem a ficar mais isoladas. ‘‘A chuva e o frio podem significar uma pausa para o recolhimento’’.
  Segundo a psicóloga, se a pessoa está bem humorada ela enfrenta melhor a realidade. ‘‘Quanto mais positiva for a atitude, mais a pessoa terá condições de encarar as rotinas de trabalho, o estresse e os problemas de um modo geral. Se você está bem, encara tudo isso de forma tranqüila’’.
  Maria de Lourdes diz ainda que o fato de sair de casa em uma manhã de domingo com chuva pode ser uma necessidade de convivência. ‘‘Para as pessoas mais maduras, isto pode ser até uma fuga da solidão’’, explica.
  A psicóloga faz questão de frisar, entretanto, que ‘‘cada caso é um caso’’ e que há pessoas que gostam de frio ou de tempo chuvoso. ‘‘A chuva não significa, de forma alguma que alguém está mal ou que seja um convite à instrospecção. Tem gente que até se sente melhor e prefere viajar ou ir a locais públicos com chuva ou frio’’. (E.A.)

Supermercado
Um supermercado de Londrina come-çou a semana com os seguintes preços no setor de hortifruti:
Cenoura, R$ 2,99/kg;
Batata, R$ 0,99/kg;
Cebola, R$ 0,99/kg;
Banana nanica, R$ 0,99/kg;
Laranja pêra, R$ 1,59/ kg;

Observações
A principal reclamação dos consumidores no momento é com a qualidade dos hortifruti tanto na feira quanto na maioria dos supermercados. Mesmo assim, o preços se mantêm em alta. O chuchu, por exemplo, está em quase R$ 4,00 em alguns estabelecimentos. Outra reclamação é quanto à laranja pêra, que está subindo bem nos últimos dias, e não está tão doce assim.

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