O poder de compras em Maringá é quase o dobro da média nacional. A conclusão é de uma pesquisa do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O professor e economista Joilson Dias, responsável pela pesquisa que mede o índice de confiança do consumidor maringaense, coordena o trabalho. De acordo com o estudo, a renda familiar mensal na cidade passa de R$ 1.700,00 contra os R$ 895,00 da média nacional apurados pelo IBGE.
  O militar da reserva José Aparecido dos Santos atuou como sub-oficial da Aeronáutica por mais de 20 anos nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Ele retornou a Maringá no começo de 2.005. ‘‘Se a gente analisar os outros estados onde estive, o poder aquisitivo das pessoas aqui é muito maior que do pessoal de lᒒ, compara.
  A auxiliar de escritório Rosana Zenata também acredita que o poder de compras realmente seja maior porque vem observando o aumento do consumo na cidade. ‘‘As pessoas estão gastando mais mesmo, principalmente aqui em Maringá. A gente pode ver, por exemplo, que esse mercado é novo e vive cheio’’. Outro detalhe que ela diz observado é que houve um crescimento real do poder de compras, independente da condição social. ‘‘Isto significa que a cidade está crescendo mais, que tem qualidade de vida e isso é algo bastante positivo’’.
  O professor de educação física Derli Batista de Carvalho reside em Maringá há 20 anos e comenta: ‘‘O povo daqui gosta mesmo de compras. Sempre que ando pelas ruas, os mercados estão lotados’’.
  Carvalho comentou ter ficado surpreso em saber que o poder de compra do maringaense é alto e, bem-humorado, disse que não se sente incluído no padrão. ‘‘Eu faço a minha compra com cheque para 30 dias. O certo seria pagar primeiro para comer depois, mas por enquanto faço o contrário’’.
  O professor disse que, sem desmerecer a categoria, a forma de pagamento está relacionada à opção profissional. ‘‘Com o salário que ganho como professor, não dá para fazer essa luxúria não’’, brincou.


Reflexo na economia local
  O poder de compras é um dos indicadores que mede todo mês a confiança do consumidor em Maringá. Para o professor Joilson Dias, que coordena a pesquisa, o fato de ter um poder de compra maior torna o consumidor mais exigente. ‘‘Ele tende a consumir produtos de melhor qualidade’’, afirma.
  O professor também observa que houve um aumento de consumo independente da condição social da população. ‘‘As pessoas das classes C e D estão realmente comprando mais; elas estão mudando a sua estrutura de consumo, passando a consumir alguns produtos que não tinham em suas cestas e comprando carnes em maior quantidade’’.
  Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Maringá, empresário Carlos Alberto Tavares Cardoso, o elevado poder aquisitivo reflete de forma positiva na economia e melhora a qualidade de vida da população. ‘‘O fato de ter ganhos razoáveis faz com que o consumidor possa gastar mais, proporcionando o crescimento da indústria’’. (E.A.)

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