Nesta época do ano, os pais ficam em uma verdadeira encruzilhada: comprar ou não o material de acordo com as exigências dos filhos. E a compra de cadernos, em especial, se torna ainda mais difícil, tamanha é a variedade disponível nas papelarias. Influenciadas
pela mídia, as crianças preferem os cadernos com ilustrações bem coloridas ou personagens da moda.
  A vendedora Juliana Aparecida Soares tem uma filha de cinco anos que vai para a pré-escola e um menino de 13 que vai fazer a quarta série. Por uma questão de circunstância, ela estava comprando primeiro o material para a filha. As crianças não fizeram exigências, mas Juliana reconhece que os filhos estão em sintonia com a moda. ‘‘A menina quer uma capa diferenciada, mais bonita, com personagens e o menino quer uma capa com banda de rock, essas coisas mais modernas’’.
  Juliana também gosta dos mais ‘‘modernos’’ e por isso iria satisfazer a vontade dos filhos. ‘‘Acho que é importante’’, avalia. A vendedora disse não ter feito pesquisas de preços antes de fazer as compras e decidiu pela loja depois de ouvir um anúncio na televisão. ‘‘Estou gostando dos preços’’.
  A nutricionista Sílvia Morandin Sgobero levou o filho de cinco anos para comprar o material da pré-escola. E reclamou: ‘‘A lista é muito grande’’. Para ela, a televisão exerce influência na vontade das crianças. ‘‘Com certeza a mídia interfere, tanto que meu filho quer as capinhas do homem-aranha ou com outros desenhos. Todas essas coisinhas influenciam’’. Sílvia afirmou, entretanto, que procura atender o filho de acordo com o que é possível. ‘‘Não dá para comprar tudo o que ele pede’’, admite ela, que fez uma ‘‘boa pesquisa’’ de preços antes de optar pelo local das compras.
  Os filhos da professora Carla Casarini são orientados ‘‘desde pequenos de que a beleza não é o mais importante’’. Mesmo assim, o menino João Paulo, que estava com a mãe na loja, disse que pede ‘‘de vez em quando’’ algumas novidades e Carla acrescenta que ‘‘de vez em quando’’ atende.
  Com base nestes critérios, a professora esclarece que faz opção pelo meio termo: nem o mais barato, nem o mais caro. ‘‘A gente vê muito o apelo de personagens e, às vezes, os cadernos com o mesmo número de páginas têm uma diferença de 30% ou 40% no preço só porque um tem a Minie na capa e outro não’’, justifica.

Pedagoga recomenda simplicidade  A pedagoga Rejane Christine de Barros Palma não recomenda o uso de cadernos com ilustrações ou personagens expostos na mídia. Segundo ela, este tipo de material tem alguns aspectos negativos. O primeiro é que tudo que é diferente desvia a atenção das crianças. Além disso, por serem mais caros, nem todas as famílias tem condições de comprar este tipo de material. ‘‘E é o professor que vai lidar com essas situações de conflito na sala de aula’’, afirma.
  Rejane lembra que a criança deve ser educada para não ficar dependente do consumismo. ‘‘A nossa sociedade está impregnada pelo consumo e a criança é um alvo fácil’’, explica.
  Na opinião da profissional, os pais devem comprar apenas o que é possível, conforme o orçamento da família. ‘‘O caderno com a capa simples tem a mesma função que o outro caderno e a pessoa não paga mais caro por isso’’, lembra.
  Rejane trabalha em uma escola particular de Londrina em que, seguindo recomendação pedagógica, os cadernos são padronizados com uma cor. (E.A.)

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