Suas compras
Eli Araujo
Reportagem local
A dona de casa pode até reclamar porque preparar o feijão quase todo dia dá trabalho, mas este é o tipo de alimento que não pode faltar na mesa da maioria dos brasileiros. Mesmo com todas as facilidades proporcionadas pela indústria, que oferecem alimentos embalados, há pessoas que fazem questão de manter o hábito de consumir o feijão todos os dias.
A decoradora Sônia Mendes é enfática: Em minha casa não pode faltar feijão, tenho que fazer praticamente todos os dias. No domingo a gente até passa sem, mas durante a semana não.
Sônia tem quatro filhos com idade entre 11 e 18 anos e, segundo ela, não há como diminuir o consumo porque os filhos estão acostumados com o produto, inclusive no jantar.
Na hora da compra, ela diz que leva em conta a qualidade em primeiro lugar. A gente pega o saquinho, fica olhando se tem grãos quebrados e qual é o prazo de validade, detalha. E diz que tem uma marca de preferência, mas faz questão de pesquisar bastante o preço. Se aumentar muito, a gente muda para outra marca, justifica.
A operadora de telemarketing Sandra Corrêa considera o feijão é importante para a alimentação porque contém vitaminas e minerais. Também na casa dela todos gostam de feijão e o único dia que o prato fica fora do cardápio é no domingo.
Sandra reclama apenas que o quilo do feijão subiu de R$ 1,30, em média, há alguns meses, para cerca de R$ 2,00 atualmente. Na opinião dela, isto limita o consumo, principalmente para as pessoas de baixa renda. Ela faz questão de comprar o feijão carioca e observar bem o produto. Se tiver alguns quebrados, eu descarto.
A auxiliar de enfermagem Maria Aparecida Santos Bernardes diz que o consumo de feijão em sua casa já foi maior, mas atualmente é baixo. Quem consome mais é meu esposo. Eu e minha duas filhas preferimos saladas, legumes e carnes brancas. Maria recorda que na época em que a família morava na zona rural o consumo do produto era bem maior. O fato de vir para a cidade ajudou a reduzir o consumo, afirma.
Além disso, ela não gosta de manter o feijão congelado. Sou favorável a cozinhar o feijão todos os dias, mas para a gente que trabalha fora fica difícil porque toma muito tempo. Com base na experiência familiar, a auxiliar de enfermagem acredita que o consumo do produto já não é tão intenso entre os brasileiros.
Feijão sustenta o brasileiro
Para a nutricionista Beatriz Ulate o feijão é importante na alimentação por ser uma excelente fonte de ferro, fibras e proteínas. Ela afirma que o hábito do brasileiro consumir arroz com feijão faz bem porque os dois produtos se completam em termos de proteínas. É melhor comer os dois juntos do que um ou outro separado. O arroz e feijão é uma mistura brasileira que dá certo, diz lembrando não ser comum esta cultura em outros países.
Mesmo reconhecendo que dá um certo trabalho preparar o feijão todo dia, a nutricionista afirma que o brasileiro, de modo geral, não fica mais do que dois ou três dias sem o alimento. A nossa população se mantém dentro de um padrão nutricional razoável por causa do feijão, afirma.
O comerciante Lourival de Abreu tem uma banca que vende vários tipos de feijão na feira há 15 anos. Ele não concorda com a opinião de alguns consumidores de que o consumo do produto vem caindo. Ao contrário, o comerciante vem notando um pequeno aumento nas vendas. Esse negócio de comer só lanches e massas está deixando o povo doente, argumenta.(E.A.)





