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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Apesar da variedade de produtos expostos nas gôndolas dos supermercados, um segmento da população ainda enfrenta dificuldades na hora das compras: os portadores de diabetes. A doença, que avança em silêncio e já é considerada uma epidemia, também está relacionada ao estilo de vida das pessoas. Entre os principais causas estão fatores hereditários, obesidade e vida sedentária. No Brasil, a estimativa é que 12% da população seja diabética, ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas. E o que é pior: metade não sabe que é portadora da doença.
O corretor de seguros Cláudio Cezário Ré Laço, 53 anos, tem um histórico familiar de diabetes e se preocupa com a forma porque a doença interfere diretamente na qualidade de vida. ''A pessoa fica nervosa, causa ansiedade, prejudica o raciocínio, a gente fica com muita sede e muita fome, a vista fica embaralhada no final do expediente e qualquer problema pode causar irritabilidade'', enumera.
Mas o maior problema, segundo o corretor, é a limitação imposta pela doença. ''Em tudo tem que haver limites. Não se pode exceder em nada e isto causa muita ansiedade porque a gente quer comer coisas gostosas e são exatamente elas as proibidas'', comenta.
Para conviver com a doença, Laço leva uma vida disciplinada: toma medicamento de manhã e à tarde, faz uma alimentação à base de produtos integrais, caminha ou anda de bicicleta todos os dias. Ele explica que a caminhada dura em média uma hora e meia: ''Nos primeiros 45 minutos, o corpo vai gastar o açúcar e nos outros 45, a gordura''.
O corretor cobra maior atenção dos supermercados. ''Acho que eles iriam ganhar bastante dinheiro se olhassem melhor para este segmento, mas o que me parece é que eles ainda não se atentaram para este detalhe''. Segundo ele, existem lojas especializadas, mas os produtos são muito caros. ''Assim, o diabético é castigado duas vezes: pela doença e pelo preço'', afirma.
A bióloga Juliana de Souza Carneiro, de 25 anos, tem diabetes desde os 5 anos de idade. Ela manteve a doença sob controle até a adolescência, mas quando entrou na faculdade teve problemas com horários e hábitos alimentares. Precisou até ser internada. ''A partir daí, comecei a me cuidar um pouco melhor'', diz. Juliana está em fase de readequação de tratamento, sendo acompanhada por médico e nutricionista.
Segundo ela, a doença não interfere na rotina se a pessoa mantiver tudo sob controle. Isso significa ter uma alimentação dosada em termos de carboidratos, praticar atividades físicas e tomar insulina corretamente. ''Com isso sob controle, a vida é normal, sem complicações''. Ela só reclama do custo do tratamento, que varia entre R$ 600,00 a R$ 700,00 por mês.
Quanto aos supermercados, a bióloga diz que a maior dificuldade é localizar os produtos. ''O pessoal confunde tudo: é comum encontrar achocolatado light na seção diet, além da mistura com produtos integrais, açúcar mascavo e assim por diante'', enumera. Para resolver o problema, ela sugere que os supermercados organizem melhor as mercadorias e aumentem a variedade de produtos para diabéticos.
Personalizar atendimento
Os diabéticos deveriam receber um tratamento personalizado nos supermercados, sugere a nutricionista Flávia Maria de Souza Medri. Para ela, alguns estabelecimentos até vendem produtos específicos, mas só isso não é suficiente. A profissional aponta duas deficiências no atendimento: a primeira é que a pessoa tem dificuldade em localizar e identificar os produtos porque não há indicações e, a segunda, é a falta de um funcionário habilitado para atender os diabéticos.
Flávia Medri explica que não existe um padrão em termos de diabetes e, portanto, não se pode generalizar. Cada caso é um caso e há necessidade de colocar quem entenda do assunto para facilitar a vida do consumidor, diz.
Para a nutricionista, os supermercados deveriam olhar com mais atenção para os diabéticos por se tratar de um público expressivo. Segundo ela, o número portadores da doença aumentaria de forma considerável se as pessoas fizessem exames preventivos regularmente. Há pessoas que têm a doença e não sabem e, por isso, os exames devem ser feitos ao menos três vezes por ano, justifica.
Os diabéticos, diz Flávia Medri, têm necessidade de uma alimentação rica em fibras, sendo ideal o consumo de produtos integrais. Mais importante que o valor calórico total que a pessoa ingere durante o dia é obedecer o intervalo de três horas na ingestação de alimentos, incluindo três porções de frutas.
Segundo ela, as mais recomendadas são maçã, pêra e as frutas cítricas. Devem ser evitadas uvas, bananas, mangas e melancias. A nutricionista sugere ainda o consumo de carnes brancas, peixes, carnes bovinas magras e nada de frituras. (E.A.)


