As pessoas que têm ido à feira ainda se surpreendem com os aumentos nos preços dos hortifruti em função do excesso de chuva nos últimos dias. Apesar de ser comum a oscilação de preços de acordo com a época do ano, alguns produtos tiveram aumentos superiores a 100%. O chuchu, que custava R$ 1,00 o quilo, em dezembro, chegou a R$ 2,50 e o tomate que também estava na média de R$ 1,50 chegou a R$ 3,00. Os consumidores torcem para que os preços voltem ao normal e se estabilizem durante o ano.
A professora universitária Cleusa Cacione percebeu um aumento ''relevante'' dos preços. ''De um modo geral, os preços na feira estão mais caros que nos meses anteriores''. O excesso de chuva afetou também a qualidade dos produtos. ''As verduras estão bem estragadas'', reclama.
Independente do clima, a professora observa que os preços na feira estão bem mais caros que os praticados nos supermercados. E comenta que se quem dispõe de tempo pode encontrar produtos de qualidade nesses estabelecimentos. ''Nós gostaríamos que o preço melhorasse para o consumidor, que baixasse mesmo'', diz ela.
A assistente administrativa Lucinéia dos Santos também espera que os preços se mantenham estáveis durante o ano. Ela notou ligeira alta nos preços de vários produtos na feira feita domingo pela manhã. ''Não aumentou muito, mas aumentou''. Ela atribui os aumentos ao excesso de chuva nos últimos dias: ''A agricultura está sendo prejudicada neste sentido''.
Já o dentista Waldemar Tanaka disse não ter notado diferença nos valores praticados pelos feirantes. ''Acho que a feira está mantendo os preços''. O consumidor estava em uma banca de ovos onde não houve alteração no preço em relação ao ano passado. A dúzia do ovo está sendo vendida em torno de R$ 2,00.
Tanaka chegou a citar o exemplo de uma variedade de manga que baixou de R$ 3,00 para R$ 1,00 o quilo. O consumdor acredita que os preços fiquem estáveis no decorrer deste ano. ''Eu penso que pode haver estabilidade se não houver nenhuma crise de produção'', analisa.

‘Produtos pela hora da morte’
  O economista Renato Pianowski de Moraes foi à feira na manhã de domingo e disse ter ficado assustado com os preços. ‘‘Alguns produtos que a gente vê aqui, estão pela hora da morte, mas é uma coisa natural. Os preços subiram porque é época de chuva e tem coisa que foi tirada ‘cozida’ da roça, prejudicando a qualidade’’. Moraes explica que o excesso de chuva prejudicou a colheita e, como a demanda permaneceu a mesma, o resultado foi o aumento de preços.
  Mesmo considerando a questão da sazonalidade, o economista afirma que a tendência é de aumento de preços neste ano. ‘‘Seria temeroso a gente afirmar que os preços agrícolas vão se manter estáveis’’, comenta. Ele lembrou que, além do clima e da sazonalidade, ainda houve problemas com a produção agrícola no ano passado.
  O economista cita o exemplo do álcool para justificar a tendência de alta. ‘‘O preço do álcool subiu mas o açúcar continua com preço baixo, e agora, o que vai acontecer? A tendência é subir o preço do açúcar também’’, prevê. (E.A.)

Volta ao normal
Depois de aumentos que passaram dos 100% nos primeiros dias do ano por causa do excesso de chuva, o abastecimento aos poucos volta ao normal na Ceasa de Londrina. Mas alguns produtos ainda permanecem com preços altos, principalmente o tomate.

Altas na Ceasa
Apenas dois produtos sofreram altas de preços na Ceasa de Londrina nesta terça-feira. Confira:
Abacaxi pérola 79%,
R$ 50 a caixa com 18/kg
Salsinha 33%,
R$ 4 o maço com 300 gramas

mockup