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sábado, 23 de dezembro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O consumidor que vai com freqüência aos supermercados já deve ter notado que algumas mercadorias estão sendo expostas em novo formato e com novo tipo de material. Alguns produtos, que antes eram comercializados em embalagens de lata ou vidro, agora chegam ao consumidor em embalagens plásticas flexíveis com a base sanfonada, o que permite deixá-las em pé nas gôndolas dos supermercados.
O novo sistema, que tem o nome de stand-up pouches, é uma tendência de mercado que traz uma série de vantagens para o consumidor, na opinião da designer gráfico Maria Fernanda Beneli, diretora de arte em uma agência de propaganda em Londrina e estudiosa de assuntos relacionados à embalagens. As embalagens flexíveis facilitam o armazenamento, a distribuição e a conservação dos alimentos, deixando-os com características mais próximas do natural, afirma. E evitam também a oxidação causada pelos enlatados, completa.
A publicitária cita o exemplo do atum, que vem em uma embalagem arredondada e que precisa ser aberto com um abridor de latas. Este formato, segundo ela, causava dificuldades até para o consumidor ler as especificações do produto. Agora você não precisa ficar girando a lata para ler aquelas informações obrigatórias no rótulo; no novo formato basta a pessoa olhar apenas a frente e o verso.
Fernanda explica que as embalagens flexíveis permitirão, inclusive, a conquista de novos públicos: o solteiro e o infantil. Para o público infantil, as embalagens serão mais atraentes e para as pessoas que moram sozinhas, as embalagens serão menores. Antigamente, a gente só via o pacote de arroz com cinco quilos e hoje temos embalagens com um ou meio quilo, e temos lasanhas, risotos e outros produtos em embalagens individuais.
Falando sobre o público infantil, Fernanda volta ao exemplo do atum. Ela cita que a embalagem tradicional não exercia nenhum fascínio sobre as crianças. Mas o fabricante, além de adotar a embalagem flexível, mudou também o formato. A embalagem agora vem na forma de peixinho, com cores mais leves, deixando a criança extremamente curiosa e que corre à gôndola para ver o que é.
Para atingir o público certo, a embalagem passa por um longo processo de criação. Fernanda cita que o trabalho de dois profissionais é fundamental neste processo. O designer de produto vai estudar detalhes da forma, o volume, a ergonomia, o jeito de pegar, pensando não apenas no manuseio como também no armazenamento e demonstração do produto. Já o designer gráfico trabalha com o aspecto visual, procurando despertar o interesse dos clientes, além de se preocupar com as informações técnicas e obrigatórias que devem conter nos rótulos. A responsabilidade de criação de uma embalagem é muito grande e não se limita apenas em mudar a forma ou o tamanho, mas principalmente em facilitar a vida do consumidor. Neste sentido, ela avalia que o consumidor tem sido atendido de maneira satisfatória.
Outro aspecto é a preocupação com o meio ambiente. De acordo com Fernanda, a embalagem flexível, por ser plástica, é mais fácil de ser reciclada. Ela alerta, porém, que as pessoas devem devem se conscientizar sobre o assunto, não jogando embalagens nos jardins ou beira de estradas. A partir do momento que a gente tiver essa consciência, haverá mais benefícios para o meio ambiente.
Alimentos serão conservados sem refrigeração
Além das mudanças no formato, o setor de embalagens terá grande avanço do ponto de vista tecnológico. O Brasil está para implantar um sistema que vai revolucionar o conceito de conservação de alimentos. Atualmente, um dos maiores problemas dos alimentos perecíveis é o curto prazo de validade. Mas com a nova tecnologia, isto estará com os dias contados, segundo informação da designer gráfico Maria Fernanda Beneli.
O consumidor pode até pensar, em um primeiro momento, que se trata de ficção científica. Mas os alimentos que hoje são conservados a temperaturas baixíssimas, serão encontrados nas gôndolas dos supermercados sem nenhuma refrigeração e com validade superior a um ano. O sistema, que já é usado nos Estados Unidos e Europa, foi desenvolvido pela Nasa e tem o nome de retortable pouches.
É uma espécie de embalagem flexível produzida com materiais especiais e esterilizada em altas temperaturas. Essa esterilização é tão sofisticada e tão cuidadosamente feita que vai dispensar refrigeração e o uso de agentes químicos para manter o sabor dos alimentos.
De acordo com Fernanda, esta tecnologia vai permitir o transporte de alimentos de um lugar para outro sem necessidade dos caminhões frigoríficos. Ela diz ainda que a tecnologia das bolsas retortable pouches não é a mesma da já utilizada nas embalagens longa vida para leites e sucos. (E.A.)
Brinquedos
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