Suas compras
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem local 
A sociedade atual é comandada pela lei do menor esforço: tudo tem que ser fácil e, de preferência, rápido. A cultura do ''atalho'' é aplicada, de certa forma, até na alimentação. Quem já ficou, mesmo que por pouco tempo, sem usar um liquidificador? Ou quem, na hora das compras, não dá preferência aos alimentos industrializados, aqueles de fácil mastigação.
O consumo em excesso de alimentos pastosos podem causar problemas no desenvolvimento crânio-facial, não apenas de crianças, mas também de adultos. Hoje, há especialidades nas áreas de fonoaudiologia e odontologia que só tratam destes problemas. A boa notícia, entretanto, é que alguns pais começam a se preocupar com o assunto na hora das compras.
A analista de marketing Miriam Suzana Marchetti tem três filhas, sendo duas menores. A maior preocupação dela é com os produtos que podem causar obesidade. ''Tem os alimentos muito calóricos, com gordura saturada e que não são bons para as crianças porque podem engordar''. Ela sabe que os produtos mais fáceis de se mastigar podem prejudicar a dentição. A analista tem uma filha de 9 anos que usa aparelho, mas diz que o problema foi causado pelo uso da chupeta. Miriam estava no mercado com a filha caçula, de 3 anos, e presume que a menina possa ''estar indo pelo mesmo caminho''.
A vendedora Eliana Alves dos Santos afirma que não sabe dizer ''não'' ao filho de quatro anos. ''Ele pede sempre o que dá vontade e a gente, querendo ou não, acaba comprando porque é difícil controlar as crianças''. Entre os produtos consumidos diariamente pelo menino estão iogurtes, bolachas recheadas e macarrão instantâneo. Eliana, porém, não vê tantos problemas no consumo de tais alimentos porque durante o dia o filho fica na creche, ''onde ele tem uma alimentação saudável'', justifica.
O representante comercial Fernando Previdello trava uma ''batalha'' diária com seus quatro filhos, com idade entre 6 e 13 anos. De um lado, os filhos pedindo produtos de fácil mastigação, e de outro ele insistindo em frutas e legumes. ''Sei que alguns alimentos industrializados podem causar problemas de desenvolvimento, mas a gente acaba não resistindo ao apelo e compra o que as crianças pedem, mas procurando dosar uma coisa com a outra''. Previdello diz que ensina aos filhos que os alimentos naturais são benéficos para a saúde.
Fonoaudióloga recomenda alimentação mais rígida
A fonoaudióloga Karina Souza, especialista no método de terapia orofacial e corporal, atende vários pacientes com problemas de desenvolvimento crânio-facial. Segundo ela, é comum a disfunção aparecer ainda na infância, quando a mãe adota uma dieta pastosa para o filho, mas o problema persiste ao longo dos anos com o consumo de bolos, papinhas, biscoitos, macarrão instantâneo e hambúrger.
Embora a maior parte dos casos seja registrada com crianças, Karina atende pacientes jovens e adultos em seu consultório. As principais alterações identificadas são a respiração pela boca, má oclusão dentária ou o aparecimento de dentes tortos, além de uma série de distúrbios de articulação.
Para evitar estes problemas, a fonoaudióloga sugere a mudança de hábitos alimentares. A família que tem uma alimentação pastosa, precisa introduzir uma alimentação mais rígida, mais seca e mais sólida. Ela indica o consumo de grãos, frutas e verduras cruas. E reconhecendo que é impossível evitar o consumo de alimentos pastosos, Karina diz que o ideal é intercalar as duas situações.
Segundo ela, é importante que a pessoa procure o tratamento adequado assim que aparecer alguma disfunção crânio-facial. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver outros profissionais, tais como pediatras, ortodentistas e nutricionistas. Quanto ao tempo de tratamento na área de fono ela afirma ser difícil fazer uma estimativa. Cada caso é um caso; tem paciente que demora um mês, mas tem paciente que pode demorar um ano.(E.A)
Dinheiro fácil
Uma instituição financeira de porte nacional está com uma linha de crédito popular que consiste em abordar os clientes na rua. E tem tanta gente trabalhando em busca de interessados que, pelo jeito, há dinheiro sobrando.
O preço do pão
Alguns estabelecimentos que fazem promoção de pão francês em alguns dias da semana fixam o preço do quilo em R$ 3,00, o que equivale a R$ 0,15 a unidade pelo sistema antigo. Há estabelecimentos cobrando R$ 5,50 o quilo.
Inovação na feira
Quem disse que a feira não inova? Pois é. Duas bancas nas feiras do centro da cidade adotaram novas estratégias de marketing. Em uma, os preços de todos os produtos terminam com 9. Por exemplo: R$ 0,69, R$ 1,49... A outra colocou um banner informando que tem produtos com qualidade inigualável.


