Suas compras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Se você fosse o dono de uma rede de supermercados, como faria suas compras? A pergunta pode ser encarada, de certa forma, como um exercício para a imaginação. E é bem provável que uma boa parte das pessoas pense em aproveitar ao máximo tudo o que a loja oferece. Agora, imagine o contrário: como é para o dono de uma rede de supermercados se colocar na condição de consumidor?
O empresário Everton Muffato, 26 anos, diz que não apenas se coloca na condição de consumidor como faz disso um verdadeiro treinamento. Ele e os irmãos Ederson, 28 anos, e Eduardo, 23, são os donos do Grupo Super Muffato. Everton afirma que, além de encarar esta tarefa com muita seriedade, também incentiva os gerentes e outros diretores do empreendimento a se colocarem na mesma condição. ''A gente só vê o erro do supermercado quando está comprando, quando está fazendo o papel de cliente. Uma coisa é você ir passear no supermercado, ver tudo bonito; agora, quando é para comprar, você olha se está faltando algum produto, se está tudo certinho, se as mercadorias estão com preços, se a loja está limpa e se a qualidade está boa''.
Everton casou-se há pouco tempo. Na época de solteiro, ele mesmo fazia as compras domésticas, mas hoje a maior parte desta responsabilidade é da mulher. O empresário se considera um consumista, apaixonado por novidades e por isso, de vez em quando, se excede nas compras: ''Às vezes, chego em casa e a mulher pergunta 'porque comprou tanta coisa se a gente não consome tanto?' Eu sou fissurado por novidades, estou sempre pesquisando as gôndolas e vendo o que tem de novo para experimentar''.
Porém, mesmo na condição de ''cliente comum'', Everton não deixa de pensar como um dos donos do empreendimento. ''É lógico que quando estou fazendo compras, levo uma agendinha para anotar algum erro e depois repassar as instruções para a equipe''.
O jovem empresário afirma também que, na condição de comprador, é muito exigente. ''Quando faço compras, quero tudo do bom e do melhor, porque o meu dinheiro não vale mais e nem menos porque estou em uma loja Muffato; meu dinheiro vale igual ao de qualquer cliente que esteja na loja, e como cliente exijo qualidade, bom serviço, atendimento. Isto é o mínimo que o Super Muffato pode oferecer dentro da nossa filosofia''.
Ainda na condição de consumidor, Everton afirma que os supermercados têm, hoje, uma função social importante. ''Cada supermercado tem responsabilidade com o cliente. Se escolhi uma marca, seja o Super Muffato ou outra, tenho que ter a consciência de que ele está cuidando do meu bolso''.
O jovem empresário acredita também que houve uma mudança significativa no conceito da atividade nos últimos 20 anos. ''Antigamente, o consumidor tinha tédio de supermercado; no tempo do Sarney ele era considerado inimigo do governo, da dona de casa, mas hoje isso mudou. Uma rede de supermercados passou de fornecedora de alimentos para prestadora da serviços. A empresa deve ser amiga do consumidor, hoje a gente vê muitos amigos se encontrando no supermercado, combinando ir junto, ou seja, é um lugar de lazer, de passeio: a transformação foi muito grande''.
Valorização e respeito pela concorrência
Mesmo fazendo exercício para ser um cliente comum, o empresário Everton Muffato se diferencia dos demais em um detalhe. O consumidor comum faz suas compras sempre considerando o que é mais prático e conveniente e não, necessariamente, a fidelidade ao estabelecimento comercial.
Ao ser indagado se de vez em quando compra algum produto na concorrência, Everton sorriu e respondeu: Não. Sou um cliente leal ao Super Muffato. Entretanto, faz questão de valorizar as outras empresas que trabalham neste segmento e, sempre que possível, visita os concorrentes para acompanhar o que eles estão fazendo. Toda concorrência é saudável e nós temos o maior respeito pelos nossos concorrentes; a concorrência tem um papel fundamental na vida do Super Muffato, ela faz nosso grupo se manter ou tentar se manter à frente do mercado.
Para ele, manter relações com a concorrência é uma forma de aprendizado. Visito nossos concorrentes com o maior respeito do mundo porque a gente aprende todo dia; nesta vida a gente nasce e morre aprendendo e o Super Muffato não é o dono da sabedoria. Estamos no mercado para aprender e ser o humilde o bastante para ver o que está sendo bem feito e tentarmos fazer também. (E.A.)


