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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Londrina vive uma situação inusitada em relação a combustíveis. A maioria dos consumidores não consegue entender porque os preços nos postos locais são mais altos que em outras cidades da região. Mas a diferença fica ainda maior quando a comparação é feita com a cidade de São Paulo. Só para se ter uma idéia, a diferença de preços mínimo e máximo do litro de álcool na Capital paulista varia entre R$ 0,09 a R$ 0,39, a menos, de acordo com uma recente pesquisa publicada em um jornal de grande circulação no estado vizinho.
O sindicalista Olímpio Cândido Silva Neto estava em um posto para completar o tanque de seu carro a álcool e gastou pouco mais de R$ 60,00. Ele disse que viaja com frequência para cidades próximas, observa que os preços são menores, mas ficou surpreso com os preços praticados em São Paulo. ''Não entendo porque o preço lá pode ser tão baixo se nós temos usinas tão próximas por aqui; é muito estranho'', afirma.
A auxiliar de enfermagem Silvana Antunes da Silva gasta entre R$ 150,00 e R$ 200,00 por mês com combustível. Considerando que os preços em São Paulo giram em torno de 20% a menos, ela economizaria entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por mês só para abastecer seu carro. ''Você já pensou que absurdo?'', pergunta indignada. Entretanto, não vê muita saída: ''A gente não tem como deixar de usar o carro, mas acho que as pessoas deveriam reclamar, ir às autoridades''
O vendedor autônomo Darci José de Moura trabalha com entregas de pão e gasta cerca de R$ 600,00 por mês com combustível. ''Acho uma vergonha para Londrina que outras cidades da região tenham combustível mais barato'', reclama. Moura diz que poderia contratar um ajudante se o preço do combustível fosse um pouco mais baixo. ''Se o lucro da gente aumentasse, teria como fazer isso''. Ele, porém, não perde a esperança. ''Acredito que a situação possa ser melhorada'', afirma.
Sindicato apresenta motivos para diferença
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Estado do Paraná, Roberto Fregonese, diz que um estudo sobre preços não é algo tão simples. É preciso uma análise profunda para fazer comparações, senão fica muito difícil, argumenta. Segundo ele, é preciso considerar, entre outras coisas, de onde vem o produto, quanto custa, quem vende para os postos, se a fonte é lícita ou ilícita.
Fregonese faz duas comparações para justificar o preço mais elevado do combustível em Londrina. A primeira diferença está na alíquota de ICMS cobrada no estado vizinho. No Paraná, a alíquota de comercialização do álcool é de 18% e no Estado de São Paulo é de 12%, explica.
O outro motivo apontado por ele é o excesso de postos de combustíveis em Londrina. A cidade, com cerca de 500 mil habitantes, tem 116 postos, enquanto Maringá, que tem pouco mais de 300 mil, tem apenas 54 postos. Ou seja, em Londrina há um posto para cada grupo de 4.000 pessoas, em números exatos, enquanto em Maringá esta proporção fica em torno de 6 mil.
O excesso de postos faz Londrina ter uma galonagem abaixo da média nacional. Galonagem é o volume de venda de combustíveis. Enquanto a média brasileira é de 145 mil litros por mês em cada posto, em Londrina é de apenas 109 mil. Isto acaba interferindo no preço porque com o volume de venda menor; o empresário precisa de uma margem maior para trabalhar, afirma o dirigente sindical.(E.A.)


