A dona de casa, ao comprar um pacote de arroz no supermercado, talvez nem imagine o caminho que o produto tenha percorrido até ficar pronto para o
consumo. A colheita é apenas o ponto de partida para o complexo processo de beneficiamento do produto.
  Quem pode falar bem sobre o processo é o empresário Luiz Fernando Frias, administrador da máquina de beneficiamento de arroz de sua família, em Apucarana, que fez a demonstração à reportagem da Folha. A máquina foi fundada pelo pai do empresário, Serafim Frias, há mais de 30 anos.
  Depois de percorrer mais de mil quilômetros entre o Rio Grande do Sul e o Norte do Paraná, a carreta com 30 toneladas de arroz em casca aporta na máquina de arroz. Outros caminhões fazem o mesmo percurso durante o mês. O longo trajeto se justifica porque, além de ser um grande produtor, o Rio Grande do Sul ainda tem o arroz de melhor qualidade.
  Assim que chega à máquina de beneficiamento, o caminhão vai direto para a moega, o local onde é descarregado. O arroz em casca sai pelos fundos da carroceria, passa pelos vãos de ferro e sobe para um setor onde é feito o que se chama de pré-limpeza, aliás, a primeira, que consiste na retirada de palhas ou pequenas pedras que não foram eliminadas na colheita. Da pré-limpeza o arroz segue para dois grandes silos, onde fica armazenado até a hora do beneficiamento. Os silos recebem o arroz de acordo com a variedade.
  ‘‘O processo de beneficiamento propriamente dito começa no descascador’’, explica Frias. São duas máquinas que retiram a casca do arroz, mas não separam o grão e a palha, que seguem para a câmara de palha. ‘‘Deste lugar, a palha vai para um depósito onde fica até seguir para granjas de criação de frangos e servem para forrar o chão’’.
  O descascador não retira a palha de 100% dos grãos. Por isso, a próxima máquina envolvida no processo é a marinheira, que devolve os grãos com casca ao descascador. Apenas sem a casca, o grão de arroz permanece encoberto por uma camada marron e está na forma de arroz integral, que é consumido por menos de 1% da população no Brasil.
  Como o brasileiro prefere o arroz branco, aquela película precisa ser retirada. A máquina que faz este trabalho chama-se brunidor. Ela esfrega os grãos de arroz entre eles, evitando que sejam quebrados, e a tal película transforma-se em farelo e tem outro destino. ‘‘O farelo, que é a parte mais rica do arroz em nutrientes, é ensacado e vai para fábricas de ração’’, informa Frias.
  Mesmo sem aquela camada, o arroz permanece com tom amarelado. O branco só aparece depois que os grãos passam pelo polidor à água. Após o polimento, o arroz vai para o classificador de ‘‘trier’’ que separa os grãos inteiros e os grãos quebrados.
  A próxima etapa é a classificação eletrônica, que retira todas as impurezas, tanto dos grãos quebrados quanto dos grãos inteiros. Essas impurezas são grãos com defeito ou que passaram com casca, alguma semente de erva, capim, pedrinha ou farelo.
  Retiradas as impurezas, o arroz vai para outros silos, onde ficam separados os grãos quebrados e os grãos inteiros. Depois é feita a ‘‘liga’’ que vai definir o tipo de arroz. É a quantidade de arroz quebrado no pacote que define o tipo de arroz. O tipo 1 pode ter até 10% de grãos quebrados, o tipo 2 entre 10 e 20%, o tipo 3 entre 20 e 30%, o tipo 4 entre 30 e 50%, e o arroz de baixo padrão, acima de 50%.
  Definido tipo, o arroz passa por outra máquina que se chama sopro livre, que separa as impurezas que possivelmente tenham resistido às etapas anteriores.
  As máquinas que fazem o empacotamento são totalmente eletrônicas. Cada pacote é pesado e caso apresente alguma diferença (poucas gramas), é excluído pela própria máquina. A arroz empacotado sobe em uma esteira onde são embalados em fardos de seis unidade e já estão prontos para o consumo.
  É importante lembrar que todo o processo de beneficiamento é feito por máquinas, ou seja, sem contato manual.

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