Definir um estilo, demarcar a individualidade, seduzir, se expressar, rejuvenescer. Seja qual for a razão, a coloração dos cabelos tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros e feito, literalmente, a cabeça de muita gente, principalmente das mulheres. Pesquisa recente, encomendada pela L'oréal - uma das empresas líderes em coloração, no Brasil - apontou que de cada 10 mulheres, seis colorem os cabelos.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) dão conta que o volume de produção de tinturas e descolorantes quase dobrou entre os anos de 2001 e 2005, passando de 7,2 mil toneladas para 12,3 mil toneladas. Conforme dados da L'oréal, o mercado da coloração é um setor em crescente expansão, por conta basicamente de dois tipos de consumidores: os que querem mudar completamente ou os que querem cobrir cabelos brancos.
Segundo dados da empresa, as cores voltadas para o loiro são as mais vendidas: sete em cada 10 unidades de tintura vendidas são de loiros. E, ainda mais, um terço das mulheres costumam mudar radicalmente a cor dos cabelos principalmente para se tornarem loiras.
Os gastos com a coloração também não são pequenos. No comércio, uma caixa de tinta pode variar de R$ 4 a R$ 25. Mas o consumidor pode gastar entre R$ 20 e R$ 50 por mês, no mínimo, para pintar ou retocar os cabelos nos salões de beleza. A nutricionista Maria Aparecida Barth, por exemplo, retoca o cabelo todo mês e faz mechas a cada dois meses e gasta entre R$ 45 e R$ 120, pelos serviços feitos no salão.
''Eu acho até que gasto pouco. Quando faço mecha fica mais caro, mas também é feita hidratação e aproveito para sair do salão com os cabelos escovados'', brinca a consumidora. Maria pinta o cabelo há mais de 20 anos, e tudo começou porque a coloração estava na moda. ''Também queria mudar o visual, ficar diferente'', afirmou.
Ela começou com o loiro, depois ficou uns cinco anos com os cabelos avermelhados e voltou para as cores claras. ''Dá trabalho, demora para pintar, às vezes penso em desistir. Mas quando vejo o resultado, fico bem satisfeita'', admitiu. Ela disse que já tentou pintar o cabelo em casa, mas foi desastroso.
Já a produtora gráfica Margot Farias, 31 anos, gasta um pouco menos, cerca de R$ 20 por mês. ''Eu mesma compro a tinta e levo no salão'', disse. Quando pintou os cabelos pela primeira vez, há 12 anos, começou pelo preto, depois cortou bem curtinho e pintou de loiro, voltou para o castanho e chegou à cor avermelhada. ''Era adolescente, queria mudar o visual. Agora, que gostaria de ficar um tempo sem pintar o cabelo não dá mais porque já tenho alguns fios brancos'', lamenta.
A técnica administrativa Marina Inácio, 55 anos, pinta o cabelo há 38. Ela gasta por mês, em média, R$ 15 com as tintas, mas não paga nada para pintar, pois serve de modelo para os professores do curso técnico de cabeleireiro do Senac (Serviço Nacional do Comércio). ''Já pintei meu cabelo de várias cores, verde, amarelo, azul, de todas as cores do arco-íris'', brinca Marina.
Ela diz que gosta de ficar diferente, por isso não se importa em pintar o cabelo com as cores mais exóticas. 'Gosto de passar nas ruas e perceber que estou sendo observada, gosto que as pessoas notem as cores, gosto de cores firmes'', comenta. Atualmente, Marina está com três cores no cabelo: preta, vermelha e branca. Para cuidar dos cabelos, ela usa xampus especiais e sempre faz hidratação.


Hair stylist recomenda cuidados
  O hair stylist Beto Maran recomenda às mulheres que querem e gostam de pintar os cabelos alguns cuidados antes, durante e depois do procedimento. ‘‘A mulher tem que entender um pouco sobre o que ocorre em seu cabelo quando recebe uma coloração. Precisa saber quanto tempo pode ficar com a tintura no cabelo, antes de lavá-lo, e ela mesma deve marcar no relógio e cobrar do cabeleireiro se, por ventura, passar do tempo’’, destaca.
  Além disso, Maran frisa também que os cuidados pós-coloração são fundamentais. ‘‘É preciso fazer hidratação com frequência e usar xampus especias para cabelos tingidos’’, afirma.
  O profissional ressalta que a coloração tem seus pontos positivos e negativos. O lado bom, segundo ele, é que a tinta deixa o cabelo bonito - por um tempo - com uma cor moderna, na maioria das vezes deixa a mulher mais bonita e inúmeras vezes levanta a auto-estima da pessoa. Por outro lado, salienta Maran, as químicas são prejudiciais e, muitas vezes, destrutivas às estruturas naturais dos cabelos. ‘‘Um tratamento especial, uma máscara capilar, os xampus adequados são paliativos que ajudam muito, mas não devolvem ao cabelo sua estrutura natural’’, acrescenta.
  Nas orientações que repassa às clientes que passam pelo seu ateliê, o hair stylist recomenda outras técnicas para mudar o cabelo, antes de chegar à tintura. ‘‘Se a cliente quiser muito pintar o cabelo eu até crio a idéia, mas a encaminho para outro profissional’’, comenta. Maran ainda destaca que procura conversar com a cliente para entender o que será melhor para seu visual. ‘‘Não vejo as mulheres apenas com fios de cabelos, vejo como uma pessoa que tem uma profissão, tem um estilo, tem suas necessidades’’, pondera. (E.Z.)


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