Você já passou um guardanapo de papel nos lábios e percebeu que a limpeza não foi satisfatória? Ou então que o papel mais parecia um plástico e estava com um cheiro estranho? Embora uma boa parte das pessoas não perceba, isto pode se verificar com uma frequência maior do que a gente imagina. Mas o porém é que nada disso acontece por acaso.
A diferença está exatamente na origem do papel usado para a fabricação de guardanapos, papel toalha e papel higiênico. Há uma portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que estabelece que os papéis para higiene devem ser 100% natural, ou seja, não podem ser de material reciclado. Mesmo assim, há suspeitas de que a portaria não é obedecida por todos os fabricantes.
Milene Thomaz, que trabalha na área de comércio exterior, diz que leva em conta a qualidade, em primeiro lugar, na hora de comprar papel toalha e guardanapos, mas não sabia que a matéria prima para a fabricação desses produtos deve ser totalmente pura. Ela já comprou um guardanapo que deixava a desejar. ''Ele não absorvia bem e nunca mais voltei a comprar quando notei isso; a qualidade era ruim'', afirma. Hoje ela diz que compra sempre a mesma marca para evitar problemas.
A administradora de empresas Adriana Frota estava com o marido e dois filhos na lanchonete de um supermercado. Ela não sabia que há diferença entre os guardanapos em relação à origem do papel. ''Não sei porque às vezes a gente pega e não percebe muito; não dá tempo de observar direito''. Mesmo assim, ela tem critérios na hora de comprar tanto os guardanapos como as toalhas de papel. ''Levo em conta se o papel é resistente ou não, se é durável, se rasga com facilidade na hora de manusear''.
O comerciante Fábio Augusto da Silva, que atua no ramo de bares e restaurantes, sabe diferenciar muito bem quando um guardanapo é feito de papel virgem ou reciclado. ''Eu defino um papel de boa qualidade levando em conta a textura e a maciez; a gente vai aprendendo com o tempo, e acredito que a maioria não tem essa noção porque não está no ramo''. Com senso ecológico, ele diz ainda que faz questão de oferecer a seus clientes o papel que tenha origem em árvores de reflorestamento.
Silva explica como identificar quando um guardanapo não é feito de papel puro. ''Tem papel que a gente limpa a boca e sente aquele cheiro forte de papel reciclado; quando encontro este tipo de papel, que mais perece plástico, sinto um desconforto; isso é muito ruim, não é legal'', afirma. O comerciante faz questão de frisar, entretanto, que é favorável à utilização do papel reciclado em outras circunstâncias.


Fungos resistem à reciclagem
  A microbiologista Luciana Furlaneto já constatou a presença de fungos e bactérias em papel toalha fabricado a partir de material reciclado, o que foi comprovado em análises de laboratório. ‘‘O que a gente pode dizer é que o processo de tratamento do material reciclado não elimina todos os microorganismos’’, diz.
  Quando trata da higiene das mãos em suas aulas, a professora pede que uma parte de seus alunos enxugue as mãos com toalhas de papel e outra parte com vapor. E o que os próprios alunos observam é que quem usou o papel toalha de papel permanece com as bactérias do próprio papel nas mãos.
  Assim, segundo ela, quem trabalha com manipulação de alimentos e enxuga as mãos com toalhas de papel, está reintroduzindo as bactérias neste processo. ‘‘Desta forma, o ato de lavar as mãos fica sem efeito’’, diz Luciana.
  O administrador de empresas Alexandre Palharim trabalha em uma empresa que usa celulose 100% virgem na fabricação de papéis para higiene pessoal. A indústria em questão utiliza cerca de 20 toneladas por mês da matéria prima que vem do Rio Grande do Sul. Palharim admite a existência de empresas concorrentes que fabricam guardanapos e toalhas de papel com material reciclado. Questionado sobre o detalhe que todas elas usam em seus rótulos a expressão 100% natural, Palharim brinca: ‘‘O papel aceita tudo’’.
  A médica veterinária Graça Deliberador, coordenadora do setor de alimentos e zoonoses da Vigilância Sanitária em Londrina, admite a existência de papéis para fins de higiene fabricados a partir de materiais reciclados. Segundo ela, a Vigilância Sanitária recomenda a utilização de papel que chama de ‘‘primeiro uso’’ no caso de indústrias de alimentos, hospitais, padarias, açougues ou qualquer outro lugar que manipule alimentos. A qualidade deste papel deve ser garantida pelos fornecedores.
  Graça também afirma que o consumidor compra o papel toalha ou o guardanapo feitos a partir de material reciclado por ser mais barato. Ela disse também que a Vigilância Sanitária nunca recebeu uma denúncia questionando a origem de papéis para a higienização. (E.A.)


Referência
Veja agora como uma rede de supermercados de Londrina começou a semana em relação aos preços de hortifruti:
- Chuchu, R$ 0,39 kg;
- Cebola, R$ 0,59 kg;
- Batata, R$ 1,19 kg;
- Pepino caipira, R$ 0,49 kg
- Tomate longa vida, R$ 1,99 kg;
- Abobrinha menina, R$ 1,49 kg;
- Cenoura, R$ 0,59 kg;

Natal
Uma boa parte do comércio em Londrina, em especial os supermercados, já está decorada para o Natal. E um dos produtos campeões de venda nesta época, o panetone, já está disponível - e em quantidade, com preços que variam entre R$ 5,00 e R$ 12,00 a embalagem com meio quilo.

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