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terça-feira, 24 de outubro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Olhando um pouco mais atentamente as embalagens de alguns produtos, o consumidor vai observar que aparece - às vezes em destaque, às vezes meio escondida, a expressão ''contém glúten''. Mas afinal, o que isto significa? Qual a necessidade?
A comerciante Luciana Casal é rigorosa na observação dos rótulos. Ela confere o prazo de validade, a quantidade, as calorias e outras informações ''básicas'', mas reclama do uso de termos técnicos. Quanto ao glúten, ela descobriu o significado da palavra porque uma amiga tem um filho que é portador da doença celíaca. ''Os rótulos até trazem algumas informações, mas faltam esclarecimentos; eles deveriam ser melhor explicados, com certeza'', afirma.
A professora Fernanda Carolina Vaz desconhecia a existência de tal expressão. ''Eu só observo o prazo de validade nos rótulos; para mim isto é suficiente porque geralmente só compro produtos que conheço''. Ela disse ainda que não sabia que a indicação é destinada a pessoas que não podem consumir aquele tipo de produto, mas aprovou a idéia.
De acordo com a professora de Tecnologia de Alimentos na Unopar, Rejane Dias das Neves Souza, a expressão ''contém glúten'' pode não ter nenhum sentido para a maioria das pessoas, mas para os celíacos ela faz toda a diferença. E este ''público alvo'' sabe exatamente o que ela significa e qual a sua importância. Por isso, segundo ela, a obrigatoriedade de constar no rótulo ''contém glúten'' é uma vitória da Associação Brasileira de Celíacos.
A nutricionista Gisele Centenaro explica que o glúten é uma proteína encontrada nos cereais, de maneira especial na farinha de trigo. Segundo ela, as pessoas com doenças celíacas apresentam intolerância ao glúten e não podem consumir esta substância em hipótese nenhuma, ou seja, nada que seja produzido com farinha de trigo ou outros cereais. Gisele diz que os celíacos devem consumir produtos com outros tipos de farinhas.
O pediatra Alfredo Zepeda Wills, especialista em gastroenterologia, atende vários casos de pessoas com doenças celíacas. Segundo ele, esta doença é de origem genética, não tem cura e apresenta maior incidência nas ''raças brancas''. Em alguns países da Europa, ela atinge em torno de 0,5% da população. No Brasil, não há estatísticas, mas acredita-se que o índice seja menor por causa da miscigenação. A maior frequência de casos é registrada na região Sul, que concentra o maior número de imigrantes europeus.
O médico explica que a forma de manifestação clínica da doença é variável. As principais características são vômitos constantes, diarréias, perda de peso e desnutrição. A doença causa o retardo no crescimento e as mulheres celíacas podem sofrer com a osteoporose prematura. E segundo o médico, a única maneira de administrar o problema é não consumir os produtos cujos rótulos tenham tal expressão.
AMANHÃ
No encerramento da série, saiba o que pode ser feito para simplificar a linguagem dos rótulos


