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quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Lucinéia Nunes<br>Agência Estado 
São Paulo - O ovo está para a cozinha como os artigos estão para o discurso. É tão indispensável que o cozinheiro mais talentoso renunciaria à sua arte se o proibissem de usá-lo, afirmou o gastrônomo francês Grimod de La Reynière (1758-1837). Símbolo da vida e receptáculo perfeito, seu currículo é respeitável: é encontrado o ano inteiro e um dos alimentos mais consumidos do mundo; é rico em proteínas e vitaminas; é barato e eclético.
Além dos preparos em que aparece como ingrediente absoluto - omelete, poché, frito, mole ou cozido - o ovo faz parte de um receituário variadíssimo de doces e salgados, como os famosos doces conventuais portugueses, os suflês franceses ou as massas italianas.
Para o chef francês Alain Ducasse, a simplicidade do ovo só se iguala à imensa variedade de seu uso. ''Ao natural é uma delícia. Assim que a galinha o põe, ainda impregnado do calor da chocadeira, é quase uma espécie de retorno ao paraíso perdido do campo. Mesmo quando eles, da forma mais prosaica, são produzidos às centenas nas criações industriais, a delícia é sempre a mesma: a gema esplêndida e luminosa envolta na sua clara mais ou menos opalescente'', afirma em seu livro ''Ducasse de A a Z - Um Dicionário Amoroso da Cozinha Francesa''. O chef não resiste a um prato de batatas fritas crocantes e quentinhas sob um ovo estalado. Quem resiste?
Entre as receitas preferidas de Ducasse estão os ovos moles com aspargos verdes ou trufas negras. Um clássico do norte da Itália, o prato é uma das especialidades do chef Luciano Boseggia, que o serve como entrada em sua Osteria, na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo. A receita leva aspargos frescos e cozidos al dente, ovo mole e lascas de parmesão, regados com manteiga e pedacinhos de tartufo. ''O ovo é um ingrediente chave na cozinha italiana, especialmente o de pata, que é mais forte, e o de galinha d'Angola, usados no preparo de uma gemada até milanesas, molhos e sobremesas'', diz o chef.
No Oriente, o ovo revela sua magnitude ao ser servido cru, para realçar ou equilibrar o sabor de legumes e carnes, como no sukiyaki, ou em versões como o tradicional chawan mushy (pudim de ovos) - pratos típicos japoneses. ''Um bom sushiman pode ser avaliado por seu tamago yaki, tipo de omelete em forma de rocambole usado para sushi'', conta o chef Adriano Kanashiro, do Kinu, que fica no Hotel Hyatt, zona sul de São Paulo.
Professora de cozinha francesa do Centro Universitário Senac, Michele Bunemer explica que o ovo é responsável não só pelo sabor, mas pela textura de receitas como purês, cremes e pudins, também pela aeração de bolos e suflês e emulsão de molhos e maioneses. ''Ele está presente todos os dias, seja no prato principal ou na bolacha industrializada'', ela explica. Nada mal, poderia dizer Paul Bocuse. Em sua grande obra, o mestre reúne 41 versões de omelete e outras 36 receitas em que o ovo é a estrela, como cocotte, poché e mexidos. Mas como extrair o melhor do alimento? ''Basta alguma habilidade e ovos sempre frescos'', garante Michele.
Ovo é um quebra-galho, diz consumidora
Erika Zanon
Reportagem Local
Para os consumidores, o ovo é um alimento com mil e uma utilidades, pode ser feito sozinho, como um omelete, ou serve para fazer bolos e tortas. Ovo não pode faltar em casa. Eu, por exemplo, gosto de gemada e faço umas duas vezes por semana. E para fazer tortas também é fundamental, afirmou a esteticista Poliana Buzinaro.
Como gosta muito de ovo, Poliana dá preferência ao caipira, que tem menos química, menos hormônio e, por isso, é mais saudável, segundo ela. Quando vou para a casa dos meus avós, que moram em uma cidade pequena, trago de lá os ovos caipiras. Mesmo assim, a cada dez dias compro ovos tradicionais no supermercado mesmo, disse a esteticista.
Para a secretária Rafaela Tramontin o alimento não pode faltar em casa, pois serve para fazer uma comida rápida e bem gostosa. Às vezes, a gente está com pouco tempo, então frita um ovo ou faz um omelete e tem uma comida pronta rapidinho. É um quebra-galho, frisou Rafaela. Além disso, conforme a secretária, tem outras utilidades: serve para fazer doces e salgados, bolos e tortas, quase todas as receitas levam ovo.
Na casa de Ademar Valério de Paula também não pode faltar ovo. Ele mesmo não gosta muito, mas os filhos não ficam sem. A única comida que eu gosto com ovo é de um bom omelete com bastante cebola, comentou. Mesmo assim, ele diz que sempre compra ovos, pois é um item fundamental para fazer bolos e pães.


