O Brasil é o maior produtor mundial de palmitos, o que não é sinônimo de grande oferta do produto no mercado interno. Aliás, pelo contrário, já que a maior parte da produção é exportada. A oferta é tão pequena que o palmito está se tornando um artigo de luxo na mesa do brasileiro. E além do preço alto, o consumidor ainda tem incertezas quanto à origem e a qualidade do produto. Por isso, todo cuidado é pouco.
A comerciante Maristela Pozzobon leva em conta a qualidade e o preço na hora de comprar palmito, mas na opinião dela o produto subiu demais nos últimos meses. ''Os preços estão altíssimos; um vidro de palmito custar R$ 12,00 é muito caro e não dá nem para fazer uma salada'', afirma. Na opinião da comerciante, o preço deveria voltar ao nível de alguns meses atrás, quando estava pela metade do valor.
Mas independente do preço, todos gostam de palmito na casa de Maristela. A comerciante também sabe que o palmito mal conservado pode causar problemas de saúde, em especial o botulismo, e para evitar que isto aconteça ela aferventa bem o produto antes de consumir.
A professora Tereza Cristina Pinheiro Franco tem a certeza de que comprar palmito é sempre uma incógnita. ''A gente encontra palmito que não é macio, geralmente os mais baratos são muito fibrosos, não dá para cortar e nem aproveitar direito''. Para melhor aproveitamento, ela diz preferir os palmitos juçara, açaí e de palmeira imperial.
Tereza reconhece que o preço do palmito está elevado pela escassez do produto. ''Antigamente, o palmito era retirado só da natureza e hoje precisa ser cultivado; por isso, está caro'', opina. Apesar da observação, a professora diz que vale a pena pagar o preço. ''Ele é muito saboroso e para determinados pratos só dá para usar palmito'', afirma.
O advogado Gustavo Aidar de Brito estava com a esposa Fabíola e a filha Gabriela, de oito meses, fazendo compras em um supermercado. Ele considera caro um vidro pequeno de palmito, de 300 gramas, custar entre R$ 12,00 e R$ 14,00, mas compra o produto três ou quatro vezes por mês. O problema maior, entretanto, não é o preço e sim a incerteza quanto à qualidade. ''Eu já cheguei a achar corpos estranhos, não sei se resíduos do próprio palmito e aí joguei tudo fora''.
Outro detalhe quanto à qualidade, segundo o advogado, é encontar uma mistura de palmitos duros e macios na mesma embalagem. Brito afirma que deveria haver maior transparência quanto ao processo de industrialização. ''A pessoa devia ligar para saber como o produto é embalado, ir até a fábrica, verificar como é acondicionado, saber se há fiscalização''. Como tem a filha bem pequena, que está sendo amamentada, Brito diz que sempre ferve o palmito antes de consumir para evitar problemas de saúde, especialmente na criança.

Má conservação é risco para a saúde
  Os alimentos enlatados, de um modo geral e não apenas o palmito, precisam ser fervidos por cerca de dez minutos, antes de serem consumidos. A recomendação é da professora e microbiologista Luciana Furlaneto. Segundo ela, isto deve acontecer mesmo com os produtos embalados por empresas tradicionais, que já tomam os devidos cuidados no processo de industrialização.
  Luciana admite, porém, que o risco é maior quando se trata de produtos preparados de forma artesanal por nem sempre serem observadas as condições adequadas de higiene ou quando o produto é de origem clandestina.
  O alimento que não é bem conservado pode provocar o botulismo, uma doença rara. O botulismo é uma contaminação causada pela toxina liberada por uma bactéria que se reproduz em ambiente sem oxigênio, tipo as embalagens de lata ou de vidro que conservam alimentos. A toxina age na corrente sanguínea, provocando a paralisia facial, de membros e insuficiência respiratória, o que pode causar a morte. Os sintomas são dores de cabeça, tontura, sonolência, enjôo, visão dupla, dificuldade de engolir e respirar. (E.A.)

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