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quarta-feira, 09 de agosto de 2006
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Se as peças são menores, consomem pouco tecido. Por que, então, o custo final acaba sendo tão caro? Em muitos casos, uma roupa de criança, por exemplo, chega a custar tão ou mais caro que uma roupa de adulto. Os gastos são motivo de reclamação de muitas mães, que precisam sempre ''renovar'' o guarda-roupa dos pequenos, principalmente porque eles crescem e perdem as roupas muito rápido.
A manicure Eliane Terezinha da Silva tem dois filhos, um deles, Gabriel, com apenas oito anos. Ela considera as roupas que compra para o filho muito caras. ''Tem de comprar sempre porque eles usam um pouco e logo não serve mais. Uma peça de criança usa pouco tecido. Não acho que justifique um preço tão alto''.
A dona-de-casa Maria Cristina de Souza França também considera os preços altos para roupas infantis. ''Comparando com o preço de uma roupa de adulto, acho um absurdo''. Para o filho Aron, de apenas um ano e cinco meses, ela costuma aproveitar as ofertas. ''Já comprei uma calça para ele e paguei mais de R$ 30. Se você procurar, acaba achando uma calça de adulto pelo mesmo preço. Acho que precisaria ser mais barato''.
A auxiliar de serviços gerais, Fátima Santos de Brito, também paga caro pelas roupas da filha Amanda Giovana, de oito anos. ''Os vestidos custam na faixa de R$ 70 ou R$ 80. Acho muito caro porque gasta pouco tecido e os enfeites não podem alterar tanto o preço''.
Os lojistas explicam que a mão-de-obra para a confecção de roupas infantis é mais cara do que a de roupas de adultos. Detalhes como bordados e aplicações são feitos por bordadeiras terceirizadas, o que encarece o custo de fabricação. O corte e o acabamento diferenciados, também ajudam a elevar o preço do produto.
Além disso, os próprios tecidos têm de ser diferenciados. O jeans é mais leve e as costuras precisam ser mais ''delicadas'' para não ferir a pele dos bebês. ''As marcas hoje investem no conforto'', afirma a empresária, Sarita Fernandes Gagliard, proprietária de duas lojas infantis, num dos maiores shoppings de Londrina.
Na disputa pelo mercado, os fabricantes abusam da tecnologia. ''Temos malhas com fio egípcio, feito de algodão puríssimo e tecidos com filtro solar, fator de proteção 50 (FP 50), específicas para a pele dos bebês. Essa tecnologia encarece o produto'', afirma Sarita.
Com 13 anos de experiência no comércio especializado para crianças, Sarita não considera o preço caro comparado com uma roupa de adulto. ''A roupa é diferenciada, de qualidade, com corte e acabamento específicos e tecido com tecnologia avançada''.
Também no ramo de confecção infantil há sete anos, Wuelinton Saccoman Fernandes afirma que a roupa mais básica para crianças pode ''sair mais em conta''. A fabricação própria também ajuda a tornar o preço mais acessível. ''Hoje, o consumidor consegue encontrar uma roupa de criança, com os detalhes de bordados e apliques, a preços mais baratos em lojas mais populares''.
Fernandes afirma que o custo de fabricação da roupa infantil acaba sendo o mesmo que o da roupa de adulto. ''O que vai diferenciar o preço final são os detalhes, como acabamento interno, tecidos especiais e os enfeites''.
Além disso, segundo Fernandes, o consumidor é exigente. ''A mãe sempre vai querer uma roupa bonitinha, com detalhes para o filho, por isso, pagam mais pela roupa''.
Terra Roxa é pólo de roupas infantis
Com mercado sempre em alta, a confecção infantil garante trabalho para moradores de Terra Roxa (132 Km a oeste de Cascavel). O segmento é responsável por 30% da economia atual do município. Dois mil e quinhentos empregos diretos e mais de três mil indiretos fazem de Terra Roxa um município com um dos menores índices de desemprego do Paraná e, provavelmente, do País.
A cidade é reponsável pela produção de 300 mil peças de roupas para bebês por mês. Atualmente, 43 empresas asseguram essa produção, gerando um faturamento de cerca de R$ 3 milhões mensais. Há dois anos, Sebrae, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Senai e Sesi no Paraná, Universidade do Oeste Paranaense (Unioeste), Prefeitura Municipal, Câmara Municipal e 25 empresários implantaram o primeiro e único Arranjo Produtivo Local (APL) de Moda Bebê do País na cidade, organizando o setor.
O trabalho começou com uma dona de casa que bordou peças para o enxoval dos próprios filhos. As vizinhas gostaram e fizeram encomendas. Para dar conta dos pedidos, a dona de casa precisou ensinar o ofício para outras mulheres, que, a exemplo dela, montaram negócios e expandiram o setor, transformando-se em costureiras especializadas em roupas para bebês de zero a um ano. Hoje, o município é referência para todo o País no setor de confecção infantil. (M.O.)
Promoções
Veja os preços de alguns produtos em uma rede de supermercados de Londrina que faz promoções no meio de semana:
Maçã argentina R$ 1,99 o kg
Tomate de primeira R$ 0,79 o kg
Batata monalisa R$ 0,79 o kg
Cebola R$ 0,48 o kg
Chuchu R$ 2,15 o kg
Melancia R$ 0,48 o kg
Laranja pêra R$ 0,38 o kg
Banana nanica R$ 1,39 o kg
Dia dos Pais
As floriculturas esperam um aumento nas vendas em pelo menos 20% até o final de semana em função do Dia dos Pais. A data é apenas a quarta colocada em volume de vendas neste segmento, perdendo para o Dia das Mães, Dia dos Namorados e Finados.
Adeus inverno
O frio que passou pela região há quase duas semanas não foi suficiente para aquecer as vendas de roupas desta estação. Por isso, os lojistas estão com ofertas que chegam a 60% na linha outono-inverno.


