A música ambiente ‘suaviza’ as compras?

  Os supermercados, as grandes lojas de departamentos e os shoppings procuram agradar seus clientes, cada vez mais, criando artifícios para que eles gastem mais tempo e fiquem mais ‘‘relaxados’’ durante suas compras. Em vários locais, há uma série de cuidados para deixar os clientes mais à vontade, tais como a disposição das mercadorias, que facilita a circulação; a limpeza, o ar condicionado e a música ambiente, que às vezes, é quase imperceptível.
  A auxiliar administrativa Edna Batista Ribeiro explica porque gosta de música ambiente quando está fazendo compras. ‘‘Eu acho que com música há mais descontração, é melhor para relaxar; deixa o ambiente mais tranqüilo, ajuda no estado de espírito’’. Edna prefere as músicas clássicas e orquestradas. Ela tem dois filhos que são apaixonados por rock, mas acha que este tipo de música não combina muito com compras em um supermercado.
  A vendedora Ana Paula Ponciano de Oliveira estava tão concentrada que nem observou a música ambiente. ‘‘A gente vai olhando os preços, as promoções e nem deu para prestar atenção na música’’, afirma. Ana Paula, que tem preferência pelo gênero sertanejo, diz que ‘‘se o som estiver baixinho, a pessoa fica relaxada’’. Agora, em hipótese nenhuma, ela gosta de som alto ou música ao vivo nas lojas porque ‘‘faz muito barulho’’.
  Para o funcionário público Francisco Moreno, ‘‘a música alegra qualquer ambiente, e se você está em um supermercado, ela deixa esse ambiente mais harmonioso, a gente fica mais à vontade’’. Ele ressalva, porém, que a música deve estar em um volume que não incomode. Moreno gosta de música instrumental, que classifica como suave. ‘‘Com essa música, a gente até gasta mais’’, brinca.
  Já o operador de telemarketing Newton Klein acredita que a música realmente deixa um clima agradável no supermercado, mas ela não interfere em suas vontade. ‘‘De maneira nenhuma a música ambiente me faz comprar mais’’, afirma.


Baixa qualidade
A estiagem dos últimos meses afetou, de forma sensível, a qualidade dos produtos hortigranjeiros. Basta o consumidor observar o aspecto da cenoura, beterraba, tomate e pepino, entre outros, nos balcões dos supermercados.

Frio no bolso
O frio que chegou prá valer no final de semana, não mudou muito o movimento nas lojas que trabalham com roupas de inverno. E o motivo principal é que nos últimos dias do mês o trabalhador está sem dinheiro. Os lojistas esperam que a situação melhore nos próximos dias.

Começo da semana
A semana começou com os seguintes preços em uma rede de supermercados de Londrina:
Laranja pêra, R$ 0,67 (kg)
Mamão papaya, R$ 0,39 (unidade)
Tomate, R$ 0,79 (kg)
Cebola, R$ 0,99 (kg)
Ovos brancos, R$ 1,57 (dúzia)


Música deve ser ‘pertinente’
  Há cinco anos, um supermercado no centro de Londrina resolveu adotar a música como som ambiente. A iniciativa foi do gerente Marcelo Teixeira, que levou em conta o ‘‘perfil’’ de seus clientes, que são pessoas adultas e moradores tradicionais no bairro. ‘‘Assim, a gente optou por um tipo de música sem gritaria, que não incomode e com volume que só permite identificar um som ao fundo’’, afirma.
  As músicas escolhidas por Teixeira são românticas, orquestradas, MPB, temas de cinema, internacionais ‘‘suaves’’ e clássicos. ‘‘É um tipo de música que não desagrada ninguém, nem mesmo o jovem, que chama a música de bonitinha’’. Segundo ele, os clientes dão retorno positivo, dizendo que se sentem mais à vontade e que a loja fica mais descontraída. Como conseqüência, já observou, os clientes permanecem mais tempo no interior do supermercado.
  Para o presidente da Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina, Spartacco Puccia Filho, a música em um ambiente comercial ‘‘pode inteferir tanto de forma positiva como negativamente’’. Segundo ele, a música precisa ser ‘‘pertinente’’, ou seja, estar de acordo com o público alvo e os objetivos da atividade comercial. ‘‘Dependendo da música, o ambiente fica mais tranqüilo e se ela for bem escolhida, com certeza, pode colaborar’’, afirma.(E.A.)

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