Quase toda família tem um frasco de café solúvel em casa, mas ele pode durar meses porque o consumo do produto no Brasil é relativamente pequeno em comparação com o consumo do café em pó. E o principal motivo desta preferência, segundo quem entende do assunto, é que o café moído e passado no coador comum preserva o aroma do produto.
A estudante Lilian Salomão, por exemplo, diz que gosta de café até demais, mas prefere o café feito na hora. Ela compra o solúvel apenas para preparar algumas receitas de musses e bolos de café. ''Para tomar, eu nunca compro o solúvel porque gosto mesmo é do outro, que dá para fazer em quantidade'', afirma. A estudante, porém, diz que até pode experimentar o café solúvel, que está sendo comercializado também em embalagens econômicas.
A pedagoga Célia Giorgi gosta de tomar o café solúvel, ''mas só com leite''.ressalva. Ela sempre compra o café solúvel, principalmente quando está em oferta. Na opinião de Célia, o brasileiro não tem o hábito de tomar o café solúvel por ser muito forte. ''E é por isso que eu só tomo com leite'', explica.
O café foi um produto marcante na vida do professor Marcos Trigo. O pai dele era funcionário do extinto IBC, e Trigo afirma que brincou demais sobre os montes de café quando era criança. Hoje, reconhece - com precisão, que toma pouco a bebida: é um cafezinho, em média, por semana e uma dose de solúvel por quinzena. Além de tomar apenas de vez em quando, o professor ainda diz que gosta do café solúvel frio, com leite e açúcar ou batido no liquidificador.
A explicação para tomar tão pouco café está na atividade que desenvolve: Marcos Trigo é professor de Educação Física. ''O meu trabalho me obriga a tomar muita água'', diz. Ele também atribui o baixo consumo de café solúvel no Brasil a uma ''questão cultural''.
Segundo a nutricionista Beatriz Ulate, o café solúvel mantém as mesmas propriedades do café moído, sendo considerado também um ''alimento funcional'', ou seja, que ajuda na prevenção de alguns tipos de câncer e doenças cardiovasculares. Ela ainda recomenda que o café solúvel não seja consumido em excesso.

Produto tipo exportação
  O café sempre trouxe riquezas para o Brasil. O produto começou a ser exportado na forma de grãos verdes ainda no tempo do Império. A partir da década de 1960, foi iniciada a fase do café solúvel com a implantação de indústrias com foco no mercado externo. Atualmente, o Brasil exporta também o café torrado e moído.
  De acordo com o corretor Marcos Aurélio Bacceti, da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, o Brasil transforma 3,3 milhões de sacas de 60 quilos de café verde por ano em café solúvel. Cada três sacas do café verde é equivalente à uma saca do solúvel. Do total produzido, algo em torno de 10 a 15%, ficam no mercado interno e o restante é exportado para os Estados Unidos, Europa e Japão, sendo que só os Estados Unidos ficam com mais de dois terços do volume.
  O corretor afirma também que vem aumentando, de maneira significativa, as exportações do café torrado e moído. O aumento no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período no ano passado, está entre 90% e 96%, o que corresponde a US$ 14,2 milhões. E a meta é aumentar ainda mais as exportações nos próximos dois anos. (E.A.)

mockup