Apesar de todos os avanços da Medicina e da indústria farmacêutica, ainda é grande o número de pessoas que mantém a tradição de consumir os produtos oferecidos pela natureza. Para alguns, até parece que ‘‘a moda está voltando’’. O costume pelo uso de produtos naturais é repassado de pais para filhos há séculos. E por isso, a venda de raízes, cascas e folhas medicinais têm a clientela garantida.
  O feirante João Carlos Ruiz descobriu nos produtos naturais a oportunidade de desenvolver um negócio e trabalha com a esposa em uma banca na feira há oito anos. Ao todo são mais de 100 variedades de produtos, mas o feirante diz que não precisa de ‘‘catálogo’’ para explicar a utilidade de cada um: ‘‘Sei tudo de cabeça’’, afirma.
  De acordo com Ruiz, os produtos vêm de todas as partes do Brasil, especialmente de Goiás, Mato Grosso e Amazonas. A maior parte de seus clientes são pessoas da terceira idade. ‘‘Os jovens não têm paciência de fazer um chá para tomar; ele prefere os remédios líquidos ou comprimidos’’, afirma.
  A dona-de-casa Gerolina Muniz Bezerra conhece tão bem as ervas que sabe exatamente o que quer, ‘‘com base no que preciso’’, diz. O uso de chás para curar várias doenças é um hábito que herdou de seus pais e avós. Ela compra produtos para a pele, o estômago, bronquite, gripe e para emagrecimento. ‘‘As ervas são para todos da família, meu marido, meus netos, e também indico para outras pessoas’’, argumenta. Quanto à eficiência, ela não tem dúvida: ‘‘Se tomar certinho, dá resultado’’.
  O uso de ervas e raízes também é uma tradição na família da cabeleireira Marta Almeida, que afirma ter ido ao médico pela primeira vez quando tinha 30 anos. ‘‘Se a gente seguir a indicação correta, não precisa de medicamentos; as ervas, às vezes, causam efeito melhor que a Medicina’’. Marta usa ervas que têm efeito diurético e para combater o reumatismo. ‘‘Elas são eficientes, com certeza’’, afirma.
  O aposentado Wilson Trevisan descobriu o ‘‘poder’’ das ervas há poucos dias. ‘‘A minha esposa já tomou um caminhão de remédios para gastrite e nenhum surtiu efeito’’, afirma. Mas há uma semana ela foi aconselhada, por familiares, a tomar uma das ervas: ‘‘Ela começou a tomar e parece que já deu resultado’’, afirma. Trevisan diz que se lembra apenas ‘‘vagamente’’ do uso de tais ervas pelos seus pais.

Médico defende regulamentação
  O médico Weber Arruda Leite, especialista em gastroenterologia, acredita que ‘‘os produtos naturais podem dar bons resultados’’, mas é contra a venda aleatória dos das ervas medicinais em casas não especializadas, nas feiras e por ambulantes. Segundo ele, por estes motivos, é difícil comprovar a origem e a pureza dos produtos. O médico aponta ainda para os riscos da automedicação, que podem causar problemas para os pacientes, e diz que ‘‘outra dificuldade é o preparo dos chás com higiene e segurança’’.
  De acordo com o médico, ‘‘não se pode duvidar da eficiência dos produtos naturais’’. Mas ele sugere que haja ‘‘uma boa regulamentação e seriedade no comércio de tais produtos; é preciso ficar claro o que funciona e não funciona para evitar o uso indiscriminado’’, justifica.

Movimento na Ceasa
A semana está terminando com o movimento considerado fraco na Ceasa de Londrina. Ontem, houve baixa de apenas um produto. A laranja lima teve redução de preço de 23%, passando para R$ 16,00 o saco com 27 quilos.

Café moído
O consumidor pode encontrar o pacote de 500 gramas de café moído, em oferta, por R$ 2,89 em alguns supermercados de Londrina. O preço do produto fora das promoções está em R$ 4,00 e o ‘‘extra-forte’’ chega aos R$ 5,00.

Comida à vontade
Alguns restaurantes distribuem panfletos no centro de Londrina, destacando que o consumidor pode comer ‘‘à vontade’’, pagando um preço único. É a lei da sobrevivência.

Esmola demais
De vez em quando, algumas financeiras fazem promoções para ‘‘atrair’’ os aposentados. Uma delas, está sugerindo que o primeiro pagamento seja feito só no mês de fevereiro do ano que vem, ou seja, daqui a sete meses.

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