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segunda-feira, 03 de julho de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Se você resolver comprar agora um quilo de arroz integral para experimentar, poderá ter dificuldade em encontrar o produto. É que o arroz integral tem uma clientela relativamente pequena e, por isso, é vendido em poucos estabelecimentos, quase sempre a granel. Alguns supermercados oferecem o produto em pacotes de um quilo.
O espaço ocupado pelo arroz integral nos restaurantes segue a mesma proporção. Ele é encontrado nos restaurantes vegetarianos e como alternativa em poucos restaurantes tradicionais. Mas porque será que o brasileiro consome tão pouco arroz integral?
O decorador Renato Attene sugere uma resposta: ''Eu acho que o brasileiro consome pouco por uma questão de cultura, de educação mesmo''. Segundo ele, ''o brasileiro não tem o costume de se preocupar muito com a saúde; ele descarta o que é saudável''.
Attene estava em um restaurante vegetariano com a esposa Isabel Cristina Bijega Attene e um filho bebê. Isabel, que também é decoradora, prefere o arroz integral, mas diz que não faz diferença entre um e outro. ''Eu acho que o integral é mais leve, é melhor para a digestão, para a saúde e o bem-estar'', afirma.
O gerente de vendas Vanderlei Manoel da Silva gosta do arroz integral ''porque ele contém mais fibras, faz bem para a saúde e melhora o funcionamento do organismo''. Quanto ao paladar, diz que não sente nenhuma diferença. ''Eu até prefiro o arroz integral que o arroz branco''.
Para a pedagoga Jamile Santos Zinn também não há diferença entre os dois tipos de arroz. ''Se tiver as duas opções, eu prefiro o integral pelas substâncias nutritivas, entre as quais as fibras, né''. Jamile também alimenta o filho Hudson, de dois anos, com arroz integral. ''É uma questão de costume, eu posso dar o branco ou o integral que ele não reclama''.
A empresária Adriana Guidugli Lindquist é dona de um restaurante que trabalha com os dois sistemas (vegetariano e carnes) há quase 20 anos. Segundo ela, há uma boa clientela que consome o arroz integral nos dois sistemas. ''Muita gente procura o arroz integral pela saúde, pelo regime; ele tem muita proteina e é muito importante para o nosso metabolismo'', afirma. Para ela, o ''brasileiro deveria consumir mais o arroz integral e deixar um pouco a carne de lado''.
A nutricionista Débora Sorgi afirma que o hábito de se consumir o arroz branco no Brasil está mais relacionado à uma questão industrial do que cultural. Ela explica que no processo de beneficiamento é retirada uma película interna que se chama ''endocarpo'', que é rica em fibras, vitaminas do complexo B, minerais (cálcio, ferro, fósforo, potássio, zinco e manganês) e vitamina E. ''Tudo isso é jogado fora quando se retira a película'', afirma a nutricionista. A tal película retirada do arroz é popularmente conhecida como ''farelo'' entre os brasileiros. Débora, entretanto, não desmerece o arroz branco, que em termos de calorias ''é igual'' ao arroz integral. ''Apenas a proporção de nutrientes é bem menor'', diz.
A nutricionista recomenda que as pessoas consumam o arroz integral pelo menos duas vezes por semana, mas admite que toda mudança de hábito é difícil. Para não haver rejeição, ela sugere, de início, a mistura dos dois tipos. Agora, quando o objetivo é emagrecer, Débora afirma que ''o integral é mais interessante, porque ele tem um poder de saciedade maior, e assim, a pessoa pode comer menos''.
Farelo vira ração
A pessoa que compra um pacote de arroz no supermercado nem imagina o trabalho que houve para o beneficiamento do produto. Há um longo caminho entre a pré-limpeza e o empacotamento.
O empresário Luiz Fernando Frias tem uma indústria em Apucarana que beneficia o arroz. Segundo ele, a empresa trabalha em pequena escala com arroz integral porque quase ninguém compra.
Ao ser indagado o que isto representa em termos percentuais, Luiz Fernando disse que a proporção é inferior a 1%: Por isso, a gente não tem nem empacotador para o arroz integral; a venda é só a granel e para poucos clientes.
Quanto ao farelo do arroz, aquele sub-produto rico em nutrientes, o empresário diz que se destina à fabricação de ração para animais (cães, suinos e bovinos). (E.A.)


