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Hoje em dia é absolutamente normal a busca de uma produtividade maior em um tempo menor. Esta filosofia está sendo aplicada, há algumas décadas, também na produção de alimentos. E para se conseguir bons resultados, o agricultor recorre a produtos químicos, entre eles os agrotóxicos.
Uma alternativa mais saudável tem sido o cultivo dos produtos orgânicos. O espaço que os orgânicos ocupam no mercado ainda é muito pequeno. Alguns quitandeiros chegam a argumentar que ''eles não têm a aparência muito boa''. Será mesmo?
A funcionária pública Sueli Montazzolli Silva gosta de produtos orgânicos e só não consome mais em função dos preços. O que mais chama a atenção de Sueli não é a ausência de agrotóxicos e sim a ''responsabilidade social'' que envolve a produção.
A professora Margarida Vine, por sua vez, não abre mão dos produtos orgânicos. Quase todos os dias ela compra verduras, legumes, frutas, geléias, arroz, feijão, etc.. ''A minha alimentação é totalmente orgânica, em casa só entram esses produtos'', afirma. Ela justifica que o principal motivo da preferência é o sabor. E lembra que a alface tem o gosto daquela que a sua mãe plantava na horta. A professora também não se preocupa com os preços dos produtos orgânicos, porque mesmo sendo um pouco mais caros, acredita que acaba economizando em medicamentos.
As irmãs e empresárias Rosemeire e Leonice de Andrade aderiram parcialmente aos produtos orgânicos há um ano. ''É bem mais saudável'', afirmam. E mesmo reconhecendo esta qualidade, ainda usam os produtos tradicionais, não por causa dos preços. ''Não há tanta diferença assim entre os dois tipos'', dizem.
Para a professora Rejane Dias das Neves Souza, especialista em tecnologia de alimentos, os admite ser difícil quantificar os prejuízos causados pelos agrotóxicos ao organismo. ''Depende muito do tipo de agrotóxico usado na lavoura, da quantidade aplicada e do que a pessoa consome''. Mesmo admitindo que eles ''causam males a longo prazo'', a professora explica que ''a gente nunca pode afirmar que a pessoa desenvolveu um câncer por usar produtos com agrotóxicos''. ''O certo é a gente evitar'', afirma.
Segundo ela, há uma tendência de se aumentar o consumo de produtos orgânicos porque as pessoas estão em busca de alimentos com mais qualidade. E para ela, a ''questão cultural'' não é uma barreira.''O problema maior ainda é o preço'', diz.
Consumo está aumentando, diz empresária
A empresária Rosana de Andrade é dona de uma loja especializada em produtos orgânicos no centro de Londrina. Ela trabalhava na organização de feiras e eventos, mas resolveu buscar uma alternativa que trouxesse satisfação pessoal. Eu queria algo que juntasse saúde e alimentação, afirma. E iniciou uma pesquisa até descobrir os produtos orgânicos. Rosana já tinha algum conhecimento, pois havia se tornado consumidora desses produtos há cinco anos.
Segundo ela, as pessoas costumam diferenciar os produtos orgânicos e não-orgânicos apenas pela utilização do agrotóxico, o que é uma comparação simplista demais, diz. Rosana argumenta que o agricultor que cultiva estes produtos se preocupa também com a preservação do meio ambiente, com a parte social e com a qualidade da alimentação. Há toda uma questão de consciência nesse processo, afirma.
Ela reconhece que o consumo de produtos orgânicos está aumentando, mas acha que deveria ser maior. O problema maior não é o poder aquisitivo e sim a questão cultural; ainda há muita falta de informação para as pessoas. Outro aspecto citado pela empresária é que as pessoas que consomem produtos orgânicos compram apenas o necessário, usam os alimentos de maneira correta, sem desperdícios.
Para Rosana, a questão dos produtos orgânicos deveria ser encarada como uma filosofia para salvar o planeta. O orgânico hoje é a melhor alternativa; do jeito que está, a terra não produz alimentos, ela produz toxinas. (E.A)





