Nas gôndolas de supermercados, no sacolão e até mesmo na feira, é cada vez vez maior o número de consumidores que preferem comprar legumes, verduras e frutas já embalados. Comodidade, higiene e maior durabilidade justificam a opção pelos alimentos cuidadosamente acomodados em bandejas de isopor envoltas por papel filme. O hábito - antes considerado luxo - caiu nas graças das donas-de-casa. O resultado é que, em alguns estabelecimentos, 60% dos hortifruti são comercializados em embalagens.
O apelo da facilidade não seduz a todos. Escolher cuidadosamente cada alimento, apertando as frutas e cheirando a casca, ainda faz parte dos costumes de muita gente. Para agradar aos vários tipos de clientes, as empresas que comercializam legumes e frutas oferecem as duas formas de compra nas prateleiras.
A dona-de-casa Gracia Veronesi sempre gostou de selecionar os alimentos individualmente, de preferência na feira. ''Os italianos sempre cuidam muito da alimentação da família'', justifica. Por falta de tempo, entretanto, ela confessa que tem preferido comprar embalados. ''Acaba sendo mais fácil'', diz.
A dica para não errar é procurar um estabelecimento de confiança, que acomode nas bandejas apenas produtos selecionados, cuidadosamente escolhidos e lavados. ''Compro sempre no mesmo local para não correr o risco de abrir a embalagem e encontrar produtos estragados no fundo'', ensina.
No caso da aposentada Clarice Patzer, a aparência é fundamental para definir a compra. ''Se os embalados estão mais bonitos, fico com eles. Caso contrário, compro a granel'', afirma ela, que prefere escolher as frutas individualmente. Para Clarice, a maior vantagem dos embalados, que custam um pouco mais caro, é a durabilidade. ''Os produtos 'aguentam' bem mais tempo quando guardados nas bandejas''.
Mais tradicional, a auxiliar de enfermagem Mara Gouveia Fantin só compra hortifrutis a granel. ''Gosto de ver como (os produtos) estão por dentro e de checar o talo'', comenta. Outro motivo para a preferência é a família de apenas duas pessoas. ''Hoje mesmo comprei três caquis e dois cachos de uva. Os produtos embalados não são para famílias pequenas ou pessoas que moram sozinhas'', reclama.
O hábito de Mara - que gosta de apalpar os alimentos - aterroriza os comerciantes acostumados a perderem produtos por causa do manuseio excessivo dos clientes. Sérgio Shiroma, proprietário de um box no Mercado Municipal Shangri-lá, só vende quiabo e vagem nas embalagens. ''O pessoal tem mania de cortar a ponta para checar se está bom. É um costume que traz muitas perdas'', ressalta.
No box, ele oferece alimentos soltos e embalados para agradar os dois tipos de público. ''A apresentação fica melhor nas bandejas. Também escolhemos os produtos mais selecionados para embalar'', conta. No estabelecimento, os alimentos acondicionados nos recipientes de isopor custam 10% mais caro em comparação às mercadorias soltas.
A maior vantagem dos embalados, segundo ele, é a durabilidade. ''Como os legumes e frutas não entram em contato com o vento, não perdem a umidade. Além disso, ninguém fica pegando'', explica o comerciante, que oferece também cenoura, couve-manteiga, repolho, cheiro verde e brotos de cereais cortados e higienizados. ''Esses estão prontos para a panela'', brinca.
A comerciante Marina Onishi, que também tem um box no Mercado Municipal, acrescenta que a confiança na qualidade dos produtos é fundamental para garantir as vendas dos embalados. E revela um detalhe interessante: muitas das bandejas são reaproveitadas pelos próprios clientes, que ficam com dó de jogar fora e as devolvem à comerciante.

Só a vagem
Ao contrário da terça feira, quando
foram registradas inúmeras variações
de preços na Ceasa, ontem, apenas
a vagem sofreu baixa, 33%. A caixa
com 19 quilos passou para R$ 12,00.

Tomate de primeira
Há cerca de dois meses, o quilo do tomate de primeira estava custando R$ 2,50, em média, nas feiras de Londrina. Nas últimas semanas, o preço praticado pelos supermercados não passa de R$ 1,50. Em um sacolão na
Avenida Saul Elkind,
o mesmo tomate estava custando
ontem R$ 0,50.

Tranqüilidade
Agora que o Brasil já está classificado
para a próxima fase da Copa do Mundo, o movimento nas lojas de artigos populares está quase voltando ao normal. Mesmo assim, os comerciantes esperam boas vendas na manhã desta quinta feira.

Garantia extra
Nesta época do ano, em que o setor de eletrodomésticos aumenta consideravelmente suas vendas, algumas lojas oferecem ‘‘garantia extra’’ aos seus clientes, além da tradicional garantia de fábrica. Só que este benefício tem um custo, e não muito baixo.

Supermercados
As vendas no setor supermercadista em maio registraram queda real de 4,04% em relação a maio de 2005 e de 8,51% na comparação com abril. No acumulado do ano, o setor apresenta recuo de 2,83% sobre o mesmo período do exercício anterior. Os dados são da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

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