Suas compras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de junho de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
A chuva na manhã de segunda-feira em Londrina não foi suficiente nem mesmo para apagar a poeira acumulada durante semanas de estiagem. Mas foi o que faltava para o reaparecimento de alguns personagens no Calçadão e outros pontos no centro da cidade: os vendedores ambulantes de guarda-chuvas.
São pessoas simples, que surgem misteriosamente do nada quando a chuva despenca do céu e muda a fisionomia da cidade. Estas pessoas, que lutam para defender o pão de cada dia, vivem em permanente vigilância: evitam falar com a imprensa temendo represálias de fiscais da Prefeitura e, por isso, nunca demoram muito tempo no mesmo lugar.
A chuva muda a rotina também do comércio com endereço fixo. Em uma loja que trabalha com produtos populares no centro da cidade, os guarda-chuvas que estavam escondidos em algum lugar lá nos fundos, ganharam espaço nobre e foram parar na entrada da loja, num lugar bem visível dos clientes. O gerente da loja, Cleverson Douglas, observou que a chuva muda o comportamento das pessoas: Quando o tempo está bom, não aparece quase ninguém para comprar; aliás, só as vovós compram, brincou.
Em dias de chuvas a venda dos dois produtos aumenta em mais de 80% e, segundo ele, há uma explicação razoável para isso: O povo parece gato, tem medo de se molhar. Na loja dele, a sombrinha custa R$ 4,99 e um guarda-chuva R$ 9,99.
O comerciante Sílvio Aparecido da Silva mora em Santa Cecília do Pavão e aproveitou a viagem a Londrina para comprar dois guarda-chuvas para os filhos. Ele pagou R$ 10,00 a unidade. De acordo com o comerciante, o fato de estar chovendo no momento da compra foi mera coincidência, embora a estiagem tenha sido duradoura.
Aparecida Flor Fernandes foi comprar um guarda-chuva novo porque o que tem em casa está estragado. O vendedor mostrou dois guarda-chuvas de tamanhos diferentes, um grande e outro pequeno. Vou levar o grandão, que cobre a gente bem; o pequeno cobre só um pouquinho, disse ela decidida.
A aposentada Alice Teodoro Jesus Silva queria se proteger da chuva. E antes de passar na loja, esteve no banco ao lado para receber a aposentadoria, que não havia chegado. Vou comprar amanhã, primeiro vou receber minha aposentadoria. Ela conferiu alguns modelos, os preços e achou que tudo estava de acordo: O preço tá bom, tá barato, né? Alice disse também que só se lembrou de comprar o guarda-chuva porque estava chovendo. Sem a chuva, eu não teria me lembrado de comprar.
O vendedor autônomo Marcos Martins compra guarda-chuvas de um fornecedor para revendê-los no Calçadão. Ele disse que quando não chove compra e vende móveis usados e agora, vai aproveitar também a Copa. A vontade de Marcos, entretanto, era trocar todos estes bicos por um trabalho fixo. Porém, reconhece que está difícil arrumar emprego. Enquanto o sonho não se realiza, ele fica sob a marquise de um prédio oferecendo seus guarda-chuvas. E ainda agradece: Em dia de chuva a gente vende bem, sim.
Promoções
Não é só de promoções de frutas e verduras que sobrevivem os supermercados de Londrina, embora sejam um grande atrativo para os consumidores. De vez em quando, outros produtos também entram em oferta. Estes eram os preços praticados em uma rede de supermercados de Londrina nesta terça feira: pacote de arroz com 5 quilos, R$ 4,99; farinha de trigo, R$ 3,99 o pacote com 5 quilos; frango, R$ 1,90 o quilo; leite longa vida, R$ 1,09 o litro; e pão de forma, R$ 1,39 o pacote com 400 gramas.
Feira do mel
Está sendo realizada, até o próximo final de semana, uma feira do mel em um shopping de Londrina, com preços até 40% abaixo do preço de mercado.
Em baixa
E os preços de alguns produtos que ainda não estavam em oferta na terça feira já estavam com preços um pouco abaixo dos praticados no dia anterior: chuchu, R$ 0,49 o quilo; cebola, R$ 0,99; tomate de primeira, R$ 0,99 o quilo; alface crespa, R$ 0,79 o pé; ovos, R$ 1,79 a dúzia; e maça argentina, R$ 2,99 o quilo.
Questão de gosto
O clima dos últimos dias está mais para feijoada, mas uma rede de supermercados da cidade resolveu baixar o preço do bacalhau. O quilo do produto está custando R$ 39,90 na oferta, cerca de 40% do preço de um mês atrás.


