Para você, o celular substitui o relógio?

Eli Araujo
Reportagem local
  O homem moderno enfrenta dois tipos de situação em relação ao tempo: o primeiro é ter tempo e o segundo é administrar o tempo que tem. A pessoa pode até não gostar, mas nos dias de hoje é praticamente impossível ‘‘levar a vida’’ sem organizar o tempo.
  E quem não se organiza, acaba sofrendo as conseqüências. Perder tempo ou perder a hora chama muito a atenção. O candidato a um emprego deve, no mínimo, chegar um pouco antes do horário marcado para a entrevista. E em um concurso vestibular, 30 mil candidatos podem chegar na hora certa, mas a notícia que aparece nos meios de comunicação é da meia dúzia que perdeu a hora. Enfim, em qualquer circunstância, o homem é uma espécie de ‘‘escravo do tempo’’. E aprendeu a conviver com isso usando relógios.
  Mas este produto, que sempre teve seu espaço garantido no mercado, de repente se viu diante de um poderoso inimigo: o telefone celular. Por coincidência, o recurso mais simples oferecido pelo celular é o relógio. Teoricamente, quem tem celular não precisa ter relógio. E hoje, o celular é tão acessível à população quanto um relógio comum.
  Como as pessoas só carregam com elas o estritamente necessário, evitar o relógio é um objeto a menos. Neste caso, entre um e outro, é mais fácil optar pelo celular, que além das horas, ainda oferece uma série de recursos.
  A substituição do relógio pelo telefone celular é um detalhe que pode ser observado na sociedade. O motorista Márcio Lima da Silva ‘‘trocou’’ o relógio pelo celular por acaso. Ele diz que seu relógio foi roubado há três meses e desde então só confere as horas no celular: ‘‘Não faz a menor diferença não usar o relógio’’, justifica.
  O estudante Rogério Leandro da Silva deixou de usar relógio por outro motivo. O aparelho foi para o conserto e a partir daí ele adotou o celular como relógio. Ele diz que ‘‘para mim, é vantagem ver a hora no celular; eu prefiro, é mais fácil, e uma coisa a menos para carregar’’.
  A vendedora Elaine Cestari tem celular, e mesmo sendo jovem, mantém a tradição de usar relógio de pulso. ‘‘Eu uso relógio o tempo todo, praticamente. Eu só confiro as horas no celular quando estou sem o relógio’’, afirma.
  O gerente de atendimento da Sercomtel, Flávio Conceição, ao observar o perfil dos clientes da operadora, concluiu que ‘‘muita gente deixou de usar relógio’’, e cita exemplos bem próximos: pessoas da família e ele mesmo. Flávio, que tem 44 anos, diz que nunca usou relógio de pulso. ‘‘O meu relógio é o celular’’, afirma.
  O uso do celular realmente incomoda algumas empresas do setor, que preferem não tocar no assunto. Em uma relojoaria, a pessoa responsável pelo atendimento se limitou a dizer que ‘‘o movimento não está bom não’’.
  A gerente de outra loja, Neusa Boni, disse que a venda de relógios atualmente ‘‘está normal’’. Segundo ela houve uma pequena redução na época em que todas as pessoas queriam ter um celular: ‘‘Mas acabou; agora temos relógios diferentes e as pessoas voltaram a comprar’’, afirma.


Momentos
Confira os preços de vários produtos hortigranjeiros praticados nesta sexta feira em três diferentes lugares:
Os preços
na Ceasa
- Chuchu - R$ 6,00 a caixa com 22 quilos;
- Tomate de primeira -
R$ 18,00 a caixa com
22 quilos;
- Cebola - R$ 15,00 o saco com 20 quilos;
- Batata monalisa -
R$ 35,00 o saco com 50 quilos;
- Cenoura - R$ 15,00 a caixa com 23 quilos, e
- Laranja pêra - R$ 12,00 a caixa com 27 quilos.
Nos supermercados (em dia de promoção)
- Chuchu - R$ 0,09 o quilo;
- Tomate de primeira -
R$ 0,99 o quilo;
- Cebola- R$ 0,99 o quilo;
- Batata monalisa - R$ 0,59 o quilo;
- Cenoura - R$ 0,59 o quilo, e
- Laranja pêra - R$ 0,49 o quilo.


Variações do chuchu
O chuchu merece uma breve análise à parte. Considerando o preço da caixa, o quilo do produto está custando R$ 0,27 na Ceasa, ou seja, três vezes mais que na promoção do supermercado. A diferença aumenta dez vezes quando a comparação é feita entre os preços na promoção e na feira.

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