Suas compras
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de maio de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem local 
O filho de nove anos pergunta ao pai: ''A gente vai ser dispensado da escola nos jogos do Brasil na Copa do Mundo?'' E o pai, sem saber ao certo os horários dos jogos, responde: ''Não precisa, filho. As pessoas se autodispensam''. Este diálogo não tem o menor caráter educativo, mas é a mais pura realidade.
Em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo o país pára, literalmente. Se o jogo for uma final, então, nem se fala. Assim como as escolas ''liberam'' seus alunos, os médicos podem mudar os horários de consultas ou cirurgias, os bancos podem abrir mais cedo ou mais tarde, e o comércio negocia a reposição de ''folgas'' com seus funcionários. Em síntese: o país entra em uma espécie de ''transe'': todo mundo dá um jeito para ver o Brasil em campo. E vale qualquer sacrifício.
A empregada doméstica Adriana Aparecida de Souza já está em ritmo de copa. Ela foi ''dar uma olhada'' nos artigos com as cores verde e amarelo em uma loja e garantiu que vai comprar: ''Eu não vi o preço direito, mas está barato''. Adriana tem esperança que o Brasil conquiste esta Copa, mas o que mais chama sua atenção é a beleza de alguns jogadores, que ''são bonitos demais'', afirma.
O eletricista Sérgio Carlos de Melo está confiante: ''A minha expectativa é que o Brasil traga mais este caneco, o time tem condições e vamos torcer muito para isso''. Ele diz que não vai perder a transmissão de nenhum jogo do Brasil. Quanto ao fato de nem tudo estar no clima da copa, Sérgio imita as declarações de jogadores: ''A copa só começa quando a bola rolar''.
Alessandro Fagundes Ferreira é servente de pedreiro e está aguardando com ansiedade o recebimento de uma parcela do seguro-desemprego. Ele estava com uma pequena bandeira plástica na mão e parou junto a um vendedor ambulante para conferir o preço de uma camiseta: ''Estou sem dinheiro agora, mas quero ver quanto custa para comprar a número 10, do Ronaldinho Gaúcho''.
A tal camiseta custa R$ 18,00 com o vendedor ambulante Luiz Mendes, que nesta época vende artigos típicos da Copa no Calçadão. Além das camisetas, Luiz ainda tem bandeiras plásticas e adesivos a R$ 5,00. Esta é a quarta Copa do Mundo consecutiva que ele desenvolve a atividade. Em relação às vendas, reconhece que ''ainda não aqueceu porque a coisa pega mesmo é na semana que a copa começa''. Luiz afirma ter ''uma expectativa de vendas muito boa'' e está confiante na participação do Brasil no campeonato.
Em algumas lojas do centro de Londrina, os artigos esportivos foram todos encaixotados e cederam espaço a uma grande variedade de produtos que são procurados pelos torcedores sempre que uma Copa do Mundo se aproxima.
E se você ainda não sabe o que comprar, veja a relação de artigos disponíveis em uma loja: camisetas, bonés, bandeira plástica de torcida, bandeira oficial (de tecido), cornetas, chapéus, bobo da corte, perucas, cartolas, toalhas e chaveiros. Se alguém quiser decorar a fachada do prédio ou uma empresa, a loja dispõe de uma bandeira tamanho grande (1,80 x 2,56 m), que custa R$ 140,00. E por falar em preço, o item mais barato da loja é o chaveiro de R$ 1,00 e o mais caro é a camiseta com o rótulo ''oficial'', que custa R$ 175,00.
O dono da loja, Luiz Antônio Martinez, diz que ''as vendas já estão aquecidas, mas a tendência é aumentar''. Esta é a terceira Copa consecutiva que ele trabalha vendendo tais produtos e garante que ''agora há um clima mais positivo, mais favorável, de muito otimismo''. Ao ser indagado se ele próprio usaria os artigos que vende na loja, Luiz não teve dúvidas: ''A gente dança conforme a música; se precisar, a gente se fantasia em dia de jogo''.
Destaques
Os produtos que estavam com preços mais em conta em uma rede de supermercados de Londrina nesta quarta-feira eram os seguintes: alface crespa e americana, R$ 0,29; batata, R$ 0,68 o quilo;
tomate, R$ 0,77, e a maça argentina, R$ 1,99.
Altas na Ceasa
A quarta-feira foi um dia de oscilação de preços na Ceasa de Londrina. Cinco produtos tiveram altas: o cheiro verde subiu 20%, passando para R$ 3,00 o maço; o pepino caipira de primeira subiu 20%, passando para
R$ 12,00 a caixa com 22 quilos; o pimentão verde subiu 25%, passando para R$ 15,00 a caixa com 13 quilos; o quiabo teve alta de 25%, passando para R$ 15,00 a caixa com 16 quilos, e a uva red globo teve alta de 21% passando para R$ 50,00 a caixa com 10 quilos.
Produtos em baixa
E três produtos sofreram queda de preços: a manga tomi baixou para R$ 22,00 a caixa com 22 quilos; a alface americana baixou 20%, passando para
R$ 8,00 a caixa com média de 10 pés, e o brócolis teve uma queda de 40%, passando para
R$ 9,00 a dúzia.


