Se você recebesse um salário de 18 milhões de cruzeiros em maio de 1993, você faria compras em uma loja de grife ou em uma loja comum? Com esse salário, você poderia até comprar alguns produtos em lojas mais luxuosas, mas certamente não compraria mais nada no mês. Fazendo uma conversão aproximada, aquele salário valeria hoje cerca de R$ 900,00.
O Brasil viveu, durante longos anos, um período de inflação muito alta, algo em torno de 60 a 90% ao mês. Como os preços subiam diariamente, a pessoa - com o mesmo salário, comprava cada vez menos no decorrer das semanas. Era impossível ir ao supermercado sem ouvir o som das maquininhas de remarcação de preços. A única saída para as donas de casa era fazer uma compra razoável no começo do mês e comprar apenas o indispensável em outros dias.
Com os preços sendo reajustados todo santo dia, ninguém nem imaginava a existência de uma loja com nome que representasse valores, as do tipo 1,99 de hoje. Mas com o fim da hiperinflação, as lojas de preços populares se proliferaram em todas as médias e grandes cidades do país. E comprador é o que não falta.
A cabeleireira Valquiria Guimarães diz que vai constantemente às lojas de produtos populares. Ela gosta da ''facilidade e variedade'' e compra tudo o que precisa: pratos, bacias, espelhos, etc... ''Eu gosto bastante, acho essas lojas maravilhosas; o fato de ter preço baixo ajuda bastante - a gente compra de tudo sem gastar tanto'', afirma.
A estudante Patrícia Siqueira estava na loja comprando cinzeiros. Ela reconhece que o produto está meio fora de moda, mas esclarece que está comprando ''para a empresa''. Independente do detalhe, a estudante diz que sempre vai a estas lojas, onde compra copos, pratos e embalagens plásticas, entre outras coisas. ''Eu acho os preços bem acessíveis'', argumenta.
A dona de casa Windalva Pereira dos Santos tem uma chácara e sempre vai às lojas de produtos populares pelo mesmo motivo, o preço baixo. ''Não compensa comprar mais caro e pagar pelo luxo'', explica. A dona Windalva diz que compra doces, balas, copos e utensílios domésticos em geral.
Até quem mora em cidades próximas visita estas lojas quando vem a Londrina. O funcionário público Sérgio Benedito dos Santos é um exemplo. Ele é de Rolândia e acha ''interessante'' os preços das lojas de produtos populares.
Antonio Carlos Marques é gerente de uma loja do gênero. Segundo ele, seus clientes são apenas pessoas com pouco dinheiro: ''Nós temos todos os tipos de clientes nas classes A, B e C, do mais popular até advogados, médicos e doutores; as pessoas procuram coisas diferentes e não só preço baixo''.
O gerente explica que a loja tem entre 3 a 4 mil itens, entre eles, alimentos, utilidades domésticas, bijouterias, enfeites, velas e tantos outros. Os preços das mercadorias variam de R$ 0,25 a R$ 90,00.
De acordo com Marques, esse tipo de loja só apareceu com o fim da inflação alta: ''Antes era impossível manter o preço e administrar o estoque, porque a mercadoria subia todo dia. Com esse tanto de produtos (diz apontando para para os balcões), não havia como acompanhar a inflação. Fatalmente a gente iria fechar'', sentencia.


Movimento garantido
Não importa o mercado, dia de promoção de frutas e verduras é dia de movimento em dobro. E os preços mais em conta em um supermercado de Londrina nesta terça feira eram os seguintes: banana nanica, R$ 0,49 o quilo; chuchu, R$ 0,29 o quilo; alface lisa, R$ 1,15, e alface crespa R$ 0,29 a unidade.

Três por um
O consumidor deve ficar atento a alguns ‘‘truques’’ das promoções. A comparação não pode se limitar pura e simplesmente aos preços. Um pé de alface, por exemplo, na promoção acima estava a R$ 0,29 e na feira a mesma alface estava a R$ 1,00. A diferença: na feira o preço era referente a três unidades.

Clima de inverno
A frente fria que chegou em nossa região no fim de semana está se dissipando. Mas o friozinho serviu para aquecer o comércio de roupas de inverno nas lojas da cidade.

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