A preocupação com a alimentação saudável é algo relativamente novo entre nós. A discussão sobre o assunto pode até ser mais antiga, mas ela se tornou uma tendência de mercado nos últimos 10 ou 15 anos. É só observar como surgiram publicações especializadas e como o assunto ganhou espaço na mídia convencional.
Durante muito tempo, as pessoas não se preocupavam com alimentação adequada e nem tomavam conhecimento de como os índices de colesterol e triglicerídeos interferiam em suas vidas. E sem que ninguém percebesse, a obesidade só aumentava. Hoje, estima-se que quase a metade da população brasileira está acima do peso, sendo que uma boa parte já sofre com a obesidade mórbida.
Ao mesmo tempo em que aumenta o número de obesos, nasce um segmento da sociedade em defesa de uma alimentação mais balanceada, à base de frutas e verduras.
Foi a partir desta realidade que uma rede de supermercados de Londrina resolveu, há sete anos, escolher um dia da semana para fazer promoções de produtos que até então só eram encontrados nas feiras, quitandas e sacolões.
A dona Brígida Rosso, 87 anos, é uma frequentadora assídua destas promoções. Demonstrando grande vitalidade e conhecimento de causa, ela diz que ''o preço das promoções está bom, bem mais em conta que na feira''. E por isso, afirma que sempre acaba comprando ''outras coisas''.
Centenas de outras pessoas repetem o gesto de dona Brígida em alguns dias da semana. É o caso da psicóloga Angélica Ramos, que se diz ''atraída'' pelas verduras: ''Gosto bastante de saladas e vejo que os produtos têm boa qualidade; acho que vale a pena''. Embora a proposta inicial seja a compra de frutas e legumes, Angélica reconhece que sempre acaba levando carnes, produtos de limpeza ou fazendo a ''compra completa''.
A vendedora Aparecida Marques Soares afirma que ''as promoções funcionam como atrativos, porque os preços são ótimos, mas a gente sempre acaba pegando algo mais''. O motorista Alonso de Oliveira Silva é outro que não perde os dias de promoções. Segundo ele, ''os preços aqui são bem mais em conta que nas feiras; as mercadorias são boas e a gente sempre leva outras coisas fora das promoções''. (A diferença de preços entre as feiras e as promoções nos supermercados é, em média, de 50%).
O diretor de compras da rede de supermercados, Ademar Vedoato, diz que o objetivo original era atender a uma parcela de clientes preocupada com uma alimentação saudável. Ele afirma que esperava obter sucesso com a iniciativa, lançada há sete anos, porque ''a idéia é oferecer estes produtos a preços competitivos''.
Ele reconhece que as promoções contribuiram para aumentar o movimento de clientes: ''Eles sempre compram outros produtos e estamos muito satisfeitos com isso''.
E sempre atentos às idéias que dão certo, os outros supermercados de Londrina adotaram as promoções de frutas, legumes e verduras. Para manter seus clientes, eles usam todos os recursos publicitários disponíveis: a panfletagem de porta a porta, cartazes dentro e fora das lojas, propaganda no rádio, TV e jornal, e ainda os serviços de veículos com alto-falante (o que, em alguns casos, causa até poluição sonora).


Interferência
O protesto dos produtores rurais, com o bloqueio de rodovias no Estado do Paraná, está causando alguns prejuízos aos atacadistas da Ceasa em Londrina. O movimento impede, indiretamente, a compra e venda de frutas, legumes e verduras. Por isso, não houve alteração de preços na Ceasa nesta quinta-feira. Ficou tudo na estaca zero.

Longa vida
O litro de leite longa vida está com preço entre R$ 1,18 e R$ 1,73 em vários supermercados de Londrina. Mas vale ficar atento. Quando está em promoção, o litro do leite longa vida fica em torno de R$ 1,00, bem abaixo do preço praticado nas padarias. E com a vantagem de que, se bem conservado, tem alguns meses de validade.

Às avessas
A idéia das promoções nos supermercados é ter preços competitivos, principalmente com as feiras e supermercados. Mas ontem, enquanto o maço de salsinha e cebolinha estava entre R$ 0,25 e R$ 0,30 na feira, em uma ‘‘promoção’’ estava em R$ 0,67.

Preços baixos
Em compensação, alguns produtos estavam com os preços bem abaixo dos dias considerados normais. Destaque para a alface crespa, R$ 0,49, e para as uvas itália e rubi, R$ 1,29 o quilo.

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