A pequena placa em uma banca na feira identifica o produto: morango orgânico. Mas, como saber se é um produto realmente orgânico? Maria Cristina Peite Matos, que é feirante há 20 anos, responde: ‘‘A pessoa sabe porque o produtor me garante que é orgânico; a gente confia, como toda hora e não há problema nenhum’’, diz. Sem duvidar, como ter certeza? ‘‘O orgânico tem mais sabor’’, complementa a feirante.
  Hoje em dia, há uma preocupação maior dos consumidores em relação à origem dos produtos, se eles foram cultivados com produtos químicos, em especial os agrotóxicos.
  Maria Cristina vende cerca de 300 caixinhas de morango por semana em sua banca. ‘‘Os clientes procuram este produto porque estão preocupadas com a saúde’’, afirma.
  É o caso da psicóloga Karla Sales que comprava, até recentemente, apenas o morango de produção convencional, mas agora prefere o orgânico por causa da filha de dois anos. Apesar da preferência, Karla diz não perceber nenhuma diferença entre o produto orgânico e o não orgânico. A psicóloga compra morangos a cada 15 dias, mas quando chega a safra o consumo em causa aumenta.
  O engenheiro Francisco Ishida também comprava o morango comum, mas hoje mudou a preferência. ‘‘É uma opção de vida para ter uma alimentação mais saudável’’, comenta. Ishida explica que consumia ‘‘muito’’ o morango convencional, o que estava causando problemas para a saúde: ‘‘A gente sentia se mal, dor de cabeça e era por causa dos agrotóxicos’’, afirma.
  A dentista Suzana Martin, por sua vez, compra morangos tanto na feira como nos supermercados. Ela reconhece que o orgânico é mais saudável, mas o que leva em conta na hora da compra é a aparência do produto. ‘‘Às vezes levo o orgânico, às vezes o comum; mas normalmente levo o que achar mais bonito’’, diz.
  De acordo com a nutricionista Beatriz Ulate, o uso ou não de agrotóxicos não provoca alterações de valor nutricional nos morangos. Entretanto, ela diz que os agrotóxicos causam efeito cumulativo no organismo. Por isso, recomenda o consumo em pequenas quantidades e que as pessoas dêem preferência aos produtos realmente orgânicos.


Novas variedades usam menos agrotóxicos
  A preocupação do consumidor é procedente porque o morango sempre teve fama de precisar de muito agrotóxico em seu cultivo. Mas a Empresa de Asssistência Técnica e Extensão Rural do Paraná - Emater, tem uma boa notícia: O uso de agrotóxicos nas lavouras de morango está diminuindo. A informação é do engenheiro agrônomo Élcio Rampazzo, coordenador de fruticultura da Emater no Norte do Paraná.
  Segundo ele, a redução se deve ao cultivo de novas variedades importadas do Chile, que são mais resistentes a doenças. Rampazzo diz ainda que apenas 10% do morango produzido no Paraná são orgânicos e 90% são do sistema convencional. As novas variedades representam 60% das lavouras, atualmente.
  O agrônomo esclarece, entretanto, que o produto orgânico não é simplesmente aquele produzido sem agrotóxicos. ‘‘O orgânico é aquele que tem tudo bonitinho, que tem registro’’. O registro a que ele se refere é o certificado do IBD - Instituto Bio Dinâmico, com sede em Botucatu, SP. ‘‘Sem isso, só acreditando na informação do vendedor’’, afirma.
  A oferta de morango no Estado do Paraná aumentou de forma considerável nas últimas semanas em função do período de colheita que começou em meados de junho e vai até meados de setembro. Nesta época, é fácil encontrar o produto em promoção, com a caixinha de 350 gramas custando em torno de R$ 1,00 em vários estabelecimentos.(E.A.)


O preço do pão
  A venda do pão francês por quilo está sendo vantajosa para o consumidor. Considerando que a unidade era vendida por R$ 0,30, o quilo deveria custar R$ 6,00. Mas uma padaria local resolveu dar um desconto e baixou o preço para R$ 5,50. A diferença é pequena, mas não deixa de ser uma economia.

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