Sempre que há necessidade de ajustar o orçamento, as pessoas cortam aquilo que consideram supérfluo, ou seja, os excessos, a ''gordura''. Portanto, o que é supérfluo tanto pode variar de acordo com o nível social como em situações isoladas. A realidade, entretanto, é que o mundo passa por inúmeras transformações, obrigando as pessoas a se adequarem aos novos tempos.
O casal Rodrigo Neves, administrador, e Andrea Marquesine Neves, enfermeira, procura unir o útil ao agradável. Neves diz que, em termos de alimentação, tem evitado comprar bolachas e chocolates ''para não ganhar peso''. Quanto a roupas e cosméticos, o casal afirma que tem comprado apenas o necessário e está reduzindo o consumo ou substituindo alguns produtos. ''A gente procura diminuir os nossos gastos, mas sem abrir mão da qualidade'', diz Andrea. O casal garante que, evitando os excessos, consegue fazer uma economia entre 20 a 30% ao mês, ''embora não tenhamos esta conta na ponta do lápis''.
O representante comercial Natal Ribeiro evita o supérfluo ''na medida do possível, estabelecendo prioridades''. Ribeiro estava em um supermercado com a mulher, Sandra Oliveira, e quatro filhos. O casal admite uma certa dificuldade em estabelecer o que é excesso por causa dos filhos. ''Nem tudo o que a gente imagina que é supérfulo, acaba sendo'', afirma Ribeiro.
E Sandra diz que conversa bem com os filhos antes de sair de casa.''Eles não ficam pedindo muita coisa não'', garante.
A nutricionista Inês Wolff, que estava fazendo compras em um supermercado, explica como evita os produtos que considera supérfluos: ''Procuro ser objetiva e ter uma lista de compras para adquirir só o que está planejado''. Porém, ela diz cometer alguns ''deslizes'', quando encontra produtos em promoção. Ela estabalece como prioridade os gêneros alimentícios, os produtos de limpeza e higiene pessoal. E supérfluo tudo aquilo que não é necessário no dia-a-dia. ''Um sabonete não é supérfluo, mas um creme para passar depois no corpo é supérfluo'', afirma.
Inês diz, ainda, que em função dos supérfluos, o Brasil é um campeão de desperdício. E segundo ela, esta situação só pode ser melhorada através de campanhas educativas. ''Dos hortifruti, por exemplo, não se desperdiça nada - cascas, talos e sementes; tudo isso pode ser aproveitado na alimentação, mas por uma questão cultural, jogamos tudo no lixo'', constata.

Só a educação muda a realidade
  Para o economista Almir Rockembach, supérfluo é o dispensável. ‘‘É tudo aquilo que é demais, que é desnecessário por excesso, é tudo aquilo que passa do limite’’, afirma. Mas reconhece, entretanto, que ‘‘o que é supérfluo para uma pessoa pode não ser para outra, e isto vale tanto para o gêneros alimentícios ou bens’’.
  Na opinião do economista, o supérfluo e o desperdício caminham lado a lado. ‘‘Quando se tem demais, a tendência é desperdiçar’’, diz Rockembach. E segundo ele, o maior desperdício está no grupo de pessoas de maior poder aquisitivo. ‘‘O lixo orgânico dos ricos é de 1,2 quilo por habitante/dia, enquanto o das pessoas de baixa renda não chega à metade’’.
  Rockembach acredita que esta realidade só pode ser mudada com a participação das escolas, mas não manifesta muito otimismo. ‘‘Isto leva algum tempo; se a gente começar agora, só teremos resultados na próxima geração’’, avalia.(E.A.)

Os motivos

As altas de preços em apenas um dia na Ceasa de Londrina foram motivadas pelo frio, que reduziu a colheita de vários produtos, e também pela estiagem prolongada. A esperança dos produtores e dos atacadistas é que volte a chover nos próximos dias.

Liquidação

Mesmo com a chegada da frente fria, a maior parte dos lojistas mantém as liquidações para a linha de produtos outono-inverno. Em algumas lojas, são oferecidos descontos de até 60%.

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