Suas compras - Você deixa suas compras para a última hora?
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segunda-feira, 19 de junho de 2006
Eli Araujo<br> Reportagem local 
Ao meio dia e quinze de domingo, um comerciante está fechando as portas de sua casa de massas, quando chega uma cliente apressada para comprar algumas mercadorias. Tarde demais! O comerciante informa que não tem mais o que vender naquele momento. Na feira da Avenida Saul Elkind, vários comerciantes vendem camisetas, bandeiras e outras coisas do gênero até na hora em que desmontam suas barracas. E em um quiosque que vende fogos de artifícios, inúmeras pessoas chegam minutos antes do jogo para comprar ''bombas'' e rojões.
O comércio foi bastante movimentado na manhã de domingo. As pessoas que deixaram para fazer compras de última hora, lotaram açougues, casas de massas, bares e supermercados. E quando um deles abriu, às nove horas, já havia gente esperando do lado de fora. O aviso na entrada deixava claro: ''Fecharemos às 12h30 - Reabriremos após o jogo''.
A manicure Rose Santos mora em São Paulo e veio passear na casa de familiares em Londrina. Ela foi uma das primeiras clientes a chegar neste supermercado na região dos Cinco Conjuntos, na manhã de domingo. Rose estava acompanhada de várias pessoas da família para comprar carvão, cerveja e carne. Em nenhum momento ela demonstrou estar preocupada com o horário: ''Comprando agora, dá tempo de preparar o churrasco com tranqulidade'', disse.
Aparentando estar com pressa, o operador de máquinas Aparecido Cardoso foi ao mercado comprar latinhas de cerveja: ''Hoje tem que ser tudo rápido'', afirmou. E preferiu comprar a cerveja gelada ''porque assim a gente chega em casa e já toma''. Aparecido disse que deixou para fazer as compras no domingo pela manhã porque trabalhou até às nove da noite de sábado. ''Não tive tempo de comprar antes'', argumentou.
A comerciante Fabiane Brito estava com visita em casa e não teve como antecipar as compras. Por isso, ela foi logo cedo ao supermercado: ''São 14 pessoas, sem contar as crianças, que vão assistir ao jogo do Brasil; a família é grande, e para atender a todo este pessoal a gente precisa dar uma reforçada na carne'', afirmou enquanto aguardava pacientemente na fila.
Mas nem todos estavam no supermercado apenas em função do jogo. O metalúrgico José Carlos Gomes tinha outro motivo: o aniversário. ''Coincidiu com o jogo; agora é torcer para o Brasil ganhar'', afirmou. Ele estava animado para a segunda apresentação do ''escrete'' brasileiro porque ''a primeira não foi grande coisa'', definiu. José Carlos disse que trabalhou até sábado à noite, e por isso, deixou para ir ao mercado momentos antes da partida.''Não deu para fazer as compras antes, mas não tem problema não; a gente vai reunir a família para ver o jogo e comemorar meu aniversário'', afirmou.
Mas não é só compras que o brasileiro deixa para a última hora. Outros compromissos tais como contas a pagar, imposto de renda ou matrículas, quase sempre ficam ''para depois''. A psicóloga Maria de Lourdes Martins da Silva diz que este comportamento ''está relacionado com o mundo moderno, o mundo apressado em que vivemos''.
Segundo ela, as pessoas fazem primeiro as coisas que dão prazer e deixam em segundo plano as obrigações. Por isso, a tendência cada vez maior é que as pessoas tenham pressa em tudo o que fazem. E aponta os motivos: ''O mundo parece incompleto, há falta de ideais, as pessoas esperam soluções mágicas para seus problemas e as relações humanas são superficiais''.
A psicóloga sugere que, na medida do possível, as pessoas façam suas tarefas com a devida antecedência: ''A pessoa precisa ter rotinas, ter horários para comer, para trabalhar, para outras atividades, enfim, ter disciplina, e obedecer limites é a melhor maneira de se fazer o que precisa ser feito; a rotina e o limite oferecem segurança para as pessoas.''
Hora extra
O comércio de camisetas e bandeiras deve estar bem acima do esperado pelos donos de lojas que trabalham com artigos populares. O motivo é que algumas confecções estão trabalhando fora do horário para atender a
novos pedidos. Os empresários do setor comemoram
as longas jornadas.
Até o pão
Uma padaria da cidade resolveu colocar as cores verde
e amarelo em alguns de seus pães. As massas são preparadas separadamente com corantes e depois intercaladas. O efeito visual é bom.


