SUAS COMPRAS - Vinho: a bebida da estação
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Uma bebida nobre, cercada de lendas e romantismo. Que remete às tradições italianas, aos vinhedos de cordilheiras e às festas da colheita da uva. Sabor, aroma, coloração, idade e até textura: alguns dos quesitos que fascinam os apreciadores e criam uma atmosfera de mito sobre o vinho.
Para os degustadores, os mais apreciados são os vinhos do Velho Mundo, como os franceses, italianos e alemães. Na América, os vinhos da Argentina e Chile têm conquistado paladares e o custo-benefício compensa. São uvas cultivadas na região das cordilheiras, que sofrem mudanças constantes de temperatura. Condições ideais ao cultivo da fruta e de boas colheitas.
O agrônomo e empresário Rafael Francisco Martins é um apreciador de vinhos que iniciou seu contato com a bebida quando trabalhou como garçom em um restaurante nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ganhou uma garrafa argentina e decidiu se dedicar ao estudo da bebida. O prazer de experimentar novas marcas e ler sobre o tema tornou-se um hobby. ''Eu tenho isso como um prazer. Não sou obcecado e não busco colecionar por competição''.
Martins é membro da Confraria Vintage, londrinenses apreciadores de vinhos que se reúnem mensalmente para trocar informações e experimentar novos sabores. Para entrar em uma confraria é necessário receber um convite. ''A indicação ocorre sempre por meio de conhecidos ou pelas lojas de vinhos. É muito bom participar, é uma oportunidade de discutir sobre o que gostamos com pessoas que entendem do assunto.''
Para os iniciantes
Aos que desejam iniciar a degustação de vinhos, como hobby, Martins orienta a busca por custo-benefício. Ele explica que é com o tempo que se percebe a diferença entre sabor e outros atributos. ''Como qualquer arte, requer prática e dedicação. Aos poucos se percebe as diferenças nos aromas, no gosto e na textura do vinho. O inverno é um bom momento para começar essa prática''. Ele sugere começar pelo vinhos argentinos da casa Callia e os chilenos da casa Casillero Del Diablo. ''São bons e saem mais em conta.''
Os vinhos chilenos são também a indicação do sommelier Willian Máximo, do Restaurante Villa Lisboa, como carmen carmenere, que custa em média R$ 40 a garrafa, ''preço de restaurante''. Ele conta que a origem dessa uva é francesa, mas que desapareceu na Europa com as pragas que atingiram os vinhedos no final do século 18. ''É uma uva de tradição, de ótimo sabor, que se desenvolveu no Chile e se tornou uma boa pedida.'' Outra sugestão do sommelier são o argentino Alamos Malbec e o chileno De Martino 347, com preços médios de R$ 45 nos restaurantes.
Um ritual simples que pode ajudar na hora da degustação é observar a coloração do vinho e sentir o aroma. ''Aguçar esses sentidos para só depois saborear a bebida. Na prova degustativa é necessário perceber as propriedades, o que mais agrada seu paladar'', orienta Máximo.
FIQUE SABENDO
Chamado de elixir dos deuses, o vinho já na Grécia e na Roma antiga era cultuado como sagrado. Para os gregos, o deus do vinho era Dionísio, filho de Zeus. Para os romanos, o deus Baco, dado a bacanais regados pela bebida. Até Napoleão Bonaparte registrou a exigência em sua mesa e em suas batalhas: Sem vinho, sem soldados.
A tradição registra os primeiros vinhos há mais de
7 mil anos. Há indícios de
que tenha surgido do armazenamento rudimentar das uvas, da fermentação espontânea. O local do nascimento do vinho seria o Oriente Médio, entre os mares Negro e Cáspio. Uma descoberta involuntária, que se espalhou por todo o mundo.
Quem é quem?
Enólogo: profissional responsável pela produção do vinho;
Enófilo: é o apreciador
de vinho;
Sommelier: pessoa responsável pela compra de vinhos em um restaurante, ele elabora a carta de vinhos e orienta qual deve acompanhar cada prato.


