A venda de bens de consumo pela internet tem ganhado grande força no Brasil a exemplo dos Estados Unidos e Europa. A Fiat do Brasil, por exemplo, comercializou pela internet 86 mil veículos, dos 261 mil vendidos entre janeiro e agosto deste ano. Nos EUA as vendas pela internet já representam 5% do total comercializado no mercado varejista, praticamente o dobro de 2004.
No Brasil, dados da empresa e-bit, lider em pesquisa e marketing online, apontam que nunca a classe C comprou tanto na internet como agora. É o público que mais cresce na internet. O e-bit considera classe C as famílias com renda até R$ 3 mil.
Nos seis primeiros meses do ano, o comércio eletrônico no Brasil arrastou um milhão de novos clientes e movimentou R$ 1,7 bilhão em vendas, 80% a mais que no mesmo período de 2005.
O fenômeno não surgiu do nada. Os sites estão sentindo agora os efeitos da popularização do computador iniciada no ano passado, quando os preços despencaram e os financiamentos aumentaram. O preço de uma máquina hoje beira R$ 1 mil.
Em Londrina, o analista de sistemas Adelcio Cavinato Porto usa a internet para comprar livros e brinquedos para os filhos. A principal vantagem de comprar pela internet, segundo ele, é o fato de encontrar ''exatamente o que preciso, em qualquer horário, sem sair de casa''. Ele ainda acompanha a trajetória da mercadoria pelo número do pedido.
Apesar da experiência que tem na área de informática, Porto diz que é difícil distinguir os sites seguros dos sites não seguros. ''Por isso, eu não compro em qualquer site, só em sites conhecidos'', afirma.
O mesmo cuidado tem o dentista Éverson Utida, que faz compras pela internet há 5 anos. Ele geralmente procura componentes eletrônicos para computador que não encontra em lojas especializadas de Londrina. Utida aponta uma série de vantagens para fazer compras no comércio eletrônico, entre elas, os melhores preços, a qualidade e a segurança que alguns sites oferecem.
Ele afirma que, por ser extremamente cuidadoso, nunca teve nenhum contratempo, mas tem alguns amigos que já enfrentaram problemas em lojas virtuais. Segundo Utida, o principal problema é a loja não devolver o dinheiro caso o produto solicitado apresentar alguma incompatibidade ou ser diferente do que foi pedido. Por garantia, o consumidor tem até sete dias para fazer a reclamação e receber o dinheiro de volta.
A designer gráfica Ana Carolina Fagundes de Oliveira Alves usa o comércio eletrônico há dois anos para comprar livros, CDs e DVDs. Segundo ela, o preço destes produtos na internet é mais em conta, mas somando ao frete ''fica igual aos preços das lojas tradicionais''. Ana Carolina diz que de vez em quando faz a compra de mercado também pela internet. Ela entra no site do supermercado, relaciona o que quer e recebe as mercadorias ''sem nenhum problema''. Neste caso, o pagamento é feito com cheque. ''O que me leva a fazer compras pela internet é a praticidade; a gente pode pesquisar e comprar o que precisa sem sair de casa'', afirma. (com AE)

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