Curitiba - Ter um animal de estimação exige planejamento e estudo. ''Não pode ser uma decisão por impulso, de quem passeia pelo shopping e decide levar um filhote para casa'', diz o médico veterinário Antônio Luiz Rossetti, da Estheticão Clínica e Pet Shop. A recomendação tem sentido se o potencial comprador analisar que um animal pode viver de 4 a 20 anos.
''É um compromisso de longo prazo'', alerta Rosseti. Assumir uma responsabilidade desse gênero significa ter que dedicar tempo, dinheiro, paciência e espaço ao novo habitante da casa. ''Cada animal tem um perfil que vai exigir dedicação do dono por muito tempo'', adianta.
A dona de casa Angela Marin sabe muito bem o que é isso. ''Primeiro adotamos uma chinchila fêmea. Um ano depois pegamos um macho'', conta. Na época, há quatro anos, a filha mais nova de Angela, Fernanda, tinha cinco anos. ''Minha irmã tinha um casal e acabamos adotando o filhote. É um animal pequeno, que fica sempre na gaiola, ideal para ficar no apartamento sem muito espaço'', diz.
O bichinho, lembra Angela, não custou nada. ''Mas tivemos que comprar a gaiola com os acessórios, o que custou, na época, cerca de R$ 200'', diz. ''Tem que limpar a gaiola diariamente, trocar a serragem para evitar que fique mau cheiro'', explica. ''A Fernanda, às vezes, ajudava a limpar a gaiola e cuidar das chinchilas'', lembra.
Para Antônio Rossetti, quem quer comprar um animal de estimação para uma criança tem que considerar que as mais novas não estão preparadas para cuidar de um ser vivo. ''Uma criança de quatro, cinco anos dificilmente vai se responsabilizar pelo animal, o que pode acabar gerando estresse na família'', comenta.
''Roedores são bichos de pequeno porte, frágeis. Não é o ideal para conviver com crianças que ainda não têm noção da força que têm'', alerta Ricardo Braga de Lima, da Rei dos Animais. ''São animais que tem uma relação de contato menor com o dono'', destaca.
Há cerca de um ano, Angela Marin também comprou um gato para a família, o Kel. Na hora da compra, além do valor pago pelo filhote, ela ainda gastou com a caminha, vacinas, anti-pulgas, brinquedos e arranhador.
Para o criador de gatos, Vilmar Duarte, do Gatil Sheron Cats, a venda de gatos é ainda muito pequena em relação ao mercado de cães no Brasil. ''Mas está crescendo'', adianta. Segundo ele, o felino tem características diferentes do cachorro. ''O gato quer e precisa de carinho, mas não é como o cão que late, pula em você. Se ele é bem tratado vai no colo, pede carinho'', diz.
Duarte destaca outras ''vantagens'' dos gatos em relação aos cães: ''é um animal limpo, que não tem mau cheiro, não faz barulho e não é estabanado''. O pré-requisito fundamental para comprar um gato? ''Amar muito o bicho. Ter paciência e dar liberdade para o gato''.
Especialista em gatos persa, Duarte mostra que o amor pelos felinos tem um preço alto. O filhote custa, em média, R$ 1.500,00. ''Nas pets tem como encontrar bichos mais baratos, por R$ 500'', diz. ''Além do preço do filhote, tem que contabilizar as despesas com ração, veterinário, vacinas e brinquedos para ver se a família tem condições de arcar com todos estes custos'', alerta o veterinário Antônio Rossetti.

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