O clima frio impulsiona o mercado dos alimentos quentes, com destaque para os caldos, sopas, cremes. Os restaurantes triplicam as vendas dos pratos e os fabricantes do produto desidratado aproveitam a época para lançar novos sabores. No Brasil, os meses de junho, julho e agosto concentram 50% do consumo das chamadas sopas de saquinho - um mercado que cresce 20% ao ano.
Mas, quando se tem tempo, nada melhor do que uma sopa preparada na hora, com ingredientes in natura. A pedido da FOLHA, a chef Adriana Andrello preparou duas receitas exclusivas para enfrentar o frio em casa. Além de saborosos e nutritivos, os pratos (para seis pessoas) têm preços acessíveis, levando em conta a qualidade dos ingredientes. O creme de inhame com bacon custou R$ 18 e a sopa de mandioquinha salsa com camarão R$ 37.
Todos os produtos foram encontrados facilmente em um único supermercado. O mais caro foi o camarão congelado (R$ 27, o pacote de 500 gramas) e o bacon fatiado (R$ 7, a embalagem com 250 gramas). Entre os legumes, a mandioquinha salsa foi o mais caro (R$ 7,65 o quilo) e a abóbora paulista o mais barato
(R$ 0,37 o quilo).
A chef explica que optou pelo inhame como ingrediente principal do creme por ser nutritivo e bem típico no Brasil, bastante utilizado no Nordeste. O prato é inspirado na sopa parisiense de cebolas e a adição do inhame deu a característica cremosa.
Na dica da sopa, Adriana diz que o camarão valoriza o sabor da mandioquinha salsa e a mistura dos demais ingredientes confere cor ao prato. A diferença entre creme e sopa é que a primeira opção é processada no liquidificador e a segunda apresenta os pedaços inteiros. ''No caso da sopa, sentimos a crocância dos legumes e a diferença dos sabores'', diz a chef, que dá curso de gastronomia no Serviço Social do Comércio (Sesc) em Londrina.
Ela afirma que a sopa pode ser considerada uma refeição completa e alguns cremes e caldos funcionam como entrada. ''Na verdade, esses pratos surgiram para ativar o suco gástrico, abrir o apetite'', destaca.
Para quem acha que fazer uma sopa é só colocar vários tipos de legumes na panela de pressão e deixar ferver, a chef ressalta que o prato segue um ritual para ficar saboroso. Um dos cuidados é ''selar'' os legumes, ou seja, dar um breve refogado antes de acrescentar a água, que deve ser quente. ''Com água fria, a sopa vai demorar mais para ferver e como consequência os legumes ficarão extremamente cozidos. O ideal é que eles fiquem macios, nem 'al dente' nem empapados'', esclarece.


Prato é para todas as estações
  No Bra­sil, o há­bi­to de to­mar so­pa é bem ­mais co­mum no in­ver­no, mas o pra­to de­ve­ria ser con­su­mi­do em qual­quer es­ta­ção. A nu­tri­cio­nis­ta Sil­via Ser­ra diz que uma so­pa fei­ta com le­gu­mes, ver­du­ras, car­boi­dra­to (ar­roz, ma­car­rão) e pro­teí­na (al­gum ti­po de car­ne) con­tém tu­do o que o or­ga­nis­mo pre­ci­sa pa­ra a re­no­va­ção das cé­lu­las.
  ‘‘So­mos fei­tos de tri­lhões de cé­lu­las e pa­ra que ­elas se­jam re­no­va­das são ne­ces­sá­rios, no mí­ni­mo, 45 nu­trien­tes. E is­so só é con­quis­ta­do por ­meio de uma ali­men­ta­ção sau­dá­vel, com vi­ta­mi­nas, mi­ne­rais e ­aminoácidos’’, es­cla­re­ce.
  Ao con­trá­rio do que mui­tos pen­sam, Sil­via ex­pli­ca que so­pa não en­gor­da. Co­mo com­pa­ra­ção, ela in­for­ma que as ca­lo­rias de um pão fran­cês equi­va­lem a 26 co­lhe­res de ar­roz. Por­tan­to, ­quem dei­xa de to­mar uma so­pa pa­ra co­mer um san­duí­che com uma fa­tia de quei­jo po­de es­tar in­ge­rin­do ­mais ca­lo­rias do que ima­gi­na.
  Sil­via in­for­ma que, em ge­ral, o fa­to de as pes­soas co­me­rem ­mais no in­ver­no é ape­nas uma sen­sa­ção do or­ga­nis­mo e não uma ne­ces­si­da­de. ‘‘Is­so é si­nal de de­se­qui­lí­brio bio­quí­mi­co. Po­de re­pa­rar que a pes­soa que sem­pre se ali­men­ta cor­re­ta­men­te não sen­te que pre­ci­sa co­mer ­mais no ­inverno’’, diz. (G.M.)

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