Quando a mãe vai com o filho pequeno a uma padaria ou supermercado, já sabe que vai encontrar pela frente uma gôndola com salgadinhos industrializados em embalagens um tanto atraentes. Parece tentação, mas tudo que é ‘‘nutricionalmente incorreto’’ está sempre ao nosso alcance. A boa notícia é que uma boa parte dos pais tem consciência do que os salgadinhos representam e procuram meios de reduzir seu consumo, mas sem desagradar os filhos.
  O funcionário público Djalma Fidélis da Silva pode se considerar uma pessoa de sorte. Ele estava no mercado com as duas filhas, Luana de 5 anos, e Júlia, de 3. Silva reconhece que as meninas adoram salgadinhos, mas gostam também de frutas e legumes. ‘‘É muito difícil, mas nós estamos conseguindo, com sucesso, conciliar as duas coisas’’, afirma. Ele garante que compra o produto apenas a cada 15 dias e fica feliz com o fato de as filhas também apreciarem o que é natural. ‘‘É muito difícil encontrar crianças que gostam de couve, verduras, qualquer legume; mas elas gostam de verdade, mesmo’’, diz.
  A estudante universitária Kátia Andresa tem duas filhas, de 11 e 12 anos, mas prefere ir ao mercado sózinha por conhecer bem as meninas. ‘‘ se pudessem, elas levariam esses produtos todos os dias para a escola’’, afirma. Kátia limita o consumo a no máximo duas vezes por semana, porque uma das filhas ‘‘ganhou bastante peso’’, e porque, segundo ela, tais produtos causam problemas de saúde, de pele e até de crescimento.
  O comerciante Pedro Dakkache não compra salgadinhos industrializados para o filho Gabriel, de três anos, porque o menino tem alergia ao produto. A forma que Dakkache encontrou para evitar o consumo é não levar o produto para casa, mas reconhece ser difícil manter o filho afastado ‘‘porque os amiguinhos estão sempre comendo a guloseima’’. O empresário diz que o filho encara a restrição ‘‘numa boa’’, aceitando produtos naturais, frutas, legumes e verduras. ‘‘Ter uma boa alimentação é fundamental para a saúde’’, acredita.


Médico alerta para problemas
  O pediatra Milton Macedo de Jesus, diretor do Departamento de Pediatria da Associação Médica de Londrina, diz que o consumo dos salgadinhos industrializados com freqüência pode causar uma série de problemas para a saúde. ‘‘Em primeiro lugar, as crianças tendem a não comer o que é necessário e só comer o que é gostoso’’, diz. Segundo ele, isto pode causar tanto a desnutrição, em alguns casos, até a obesidade, o que se verifica com maior incidência. Outros problemas apontados são as doenças alérgicas, em função dos corantes, e a ocorrência de vômitos ou diarréias, dependendo da quantidade ingerida.
  Na opinião do pediatra, o elevado consumo de tais produtos está diretamente relacionado ao excesso de propaganda, em especial na televisão. ‘‘Existe muita pressão da mídia e, infelizmente, a gente não vê propaganda de outros assuntos, como o aleitamento materno ou sobre a importância de carnes e legumes’’, lamenta.
  Apesar de tudo, o pediatra não acha aconselhável proibir o consumo desses produtos mas destaca a necessidade de haver uma ‘‘tolerância relativa’’ em relação ao assunto. O que se recomenda, afirma, ‘‘é o consumo com moderação e bom senso’’. Ele diz, por exemplo, que se a criança se alimentar corretamente em seis dias da semana, pode abusar um pouco no ‘‘dia da avó’’, desde que não haja intolerância à ingestão do produto.
  O médico fala ainda da necessidade de se criar uma cultura de alimentação correta e que ‘‘as guloseimas não devem substituir o carinho e as práticas esportivas; quanto mais a criança tem uma vida sedentária, maior a chance de se perpetuar o erro alimentar’’.
  Ele aponta algumas atitudes que devem ser observadas: a necessidade de priorizar o aleitamento materno, que deve ser exclusivo nos primeiros seis meses de vida; seguir as orientações do pediatra; respeitar a individualidade
da criança, ou seja, em caso de alergias proibir sempre o consumo do produto, e, ainda, que as mães leiam sempre os rótulos para saber o que estão comprando para seus
filhos. Devem ser evitados os alimentos com excesso de corantes, conservantes, gorduras e açúcar, e priorizar os que tenham proteínas, vitaminas e sais minerais.(E.A.)


Ceasa
A semana terminou com pouco movimento na Ceasa de Londrina. Apenas dois produtos tiveram aumento de preços: a ameixa preta importada subiu 22%, passando para R$ 49,00 a caixa com 6 quilos, e a cenoura de primeira subiu 20%, passando para R$ 18,00 a caixa com 23 quilos. Apenas o tomate longa vida teve redução de preço, 20%, passando para R$ 12,00 a caixa com 20 quilos.

Preços na feira
Algumas variedades de manga são comercializadas nas feiras do centro de Londrina a preços entre R$ 4,00 a R$ 8,50 o quilo; o caqui chega a R$ 8,50 o quilo e a bandeja de morango baixou na maioria das bancas, podendo ser encontrada até por R$ 1,20 a unidade.

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