SUAS COMPRAS - Qualidade do leite ainda gera desconfiança
O consumidor ainda não recuperou totalmente a confiança para o consumo do leite longa vida. Em outubro do ano passado, os consumidores foram surpreendidos com as denúncias de adulteração do produto. Cooperativas estavam adicionando vários elementos químicos ao leite, inclusive soda cáustica e água oxigenada. Agora, mais de três meses depois, o nível de confiança do consumidor em relação ao leite permanece baixo.
A psicóloga Renata Graner estava em um supermercado comprando alguns litros de leite longa vida, mas diz que prefere o leite embalado em saquinhos plásticos. Para ela, as denúncias de adulteração do leite ainda estão na lembrança dos consumidores, mesmo que tenham acontecido há mais de três meses. ''Eu não acredito que os brasileiros esqueçam tão fácil das coisas; por isso, acho que as pessoas estão pensando bem no assunto antes de comprar''. Renata afirma também que as pessoas se sentem ''obrigadas'' a comprar o leite, apesar da desconfiança, porque estão acostumadas ao produto e porque não têm outras alternativas.
A dona de casa Marilene Cássia dos Santos compra entre três e quatro caixas de leite longa vida com 12 litros por mês. Segundo ela, quem consome mais o produto é seu filho Artur, de apenas oito meses. ''O meu nível de confiança não está 100%, mas a gente tem que comprar porque a criança precisa tomar leite''. Cássia diz que apenas mudou de marca depois das denúncias de adulteração e acredita que o episódio abalou as relações entre a indústria e os consumidores. ''Antigamente, com certeza, a gente pegava o leite com total confiança, sem questionar nada, e hoje sempre existe o medo de comprar gato por lebre''.
Para o auditor fiscal Erval Mello, a relação de confiança entre os fabricantes e os consumidores dificilmente será restabelecida. ''As pessoas estão mais preocupadas com a saúde e com medo em consumir um produto que, de repente, pode trazer graves consequências. Por isso, a gente tem que pensar mais, ter mais critérios na hora da compra''. Mello diz que antes comprava apenas o leite longa vida com o preço mais em conta, mas agora adotou outro critério. ''Se a empresa (que envasa o leite) está mais próxima, fica mais fácil de reclamar. Pelo menos se houver algum problema, está mais próxima''.





