A pessoa que vai abastecer seu veículo pode observar, com certa frequência, uma série de atitudes erradas nos postos de combustíveis mas que, pela repetição, já nem assustam tanto. Uma delas é o motorista fumar enquanto abastece o carro ou um acompanhante fazer o mesmo a poucos metros de uma bomba. A outra é o uso do telefone celular, apesar das recomendações em contrário. A maior contradição, porém, está no comércio de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniência, embora haja cartazes informando que o consumo, por lei, não é permitido no local. Ou seja, vender a bebida pode, consumir não pode.
O microempresário Rubens da Silva trabalha com transporte de estudantes e quase todos os dias abastece seus microônibus. Na opinião dele, o comportamento de certas pessoas nos postos de combustíveis causa insegurança. ''O pessoal não está preparado; eles fumam e usam o celular perto das bombas''. Mas o que deixa Silva indignado é a venda de bebidas alcoólicas. ''Os adolescentes saem à noite e os lugares onde eles se encontram para beber são os postos; hoje boa parte dos acidentes acontece porque as pessoas bebem''.
Para o microempresário, a lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas nos postos de combustíveis deveria ser fiscalizada com rigor. ''O consumo de bebidas alcoólicas nos postos não deveria ser permitido de jeito nenhum'', afirma.
O corretor de imóveis Marcelo Vianna diz que nunca parou para pensar sobre o assunto e acredita que nem todas as atitudes citadas podem representar riscos aos postos. ''Há comentários de que o celular solta faisca quando toca, mas isto não está comprovado''. Ele considera errada a venda de bebidas alcoólicas nas lojas de conveniência dos postos, mas afirma que ele mesmo já comprou tais produtos no local. ''Acho errado porque a pessoa acaba misturando bebida com direção e isto é perigoso''. Para Vianna, entretanto, a atitude mais arriscada é fumar perto das bombas que abastecem os veículos. ''A questão do cigarro é mais grave porque há o risco de uma explosão, com certeza''.
A socióloga Cláudia Heep critica a venda de bebidas alcoólicas nos postos de combustíveis, principalmente pela falta de controle sobre o consumo. ''A gente vê os jovens bebendo nos postos e os comerciantes nem se preocupam se eles são menores de idade ou não; está uma coisa muito livre''. Para Cláudia, o ato de fumar ou usar o celular perto das bombas de combustíveis pode ser encarado como indiferença ou falta de respeito. ''Está escrito que é proibido e as pessoas não tomam conhecimento disso; ou seja, a própria pessoa não está preocupada nem com ela e nem com os outros''. A socióloga tem uma receita para reduzir as atitudes de risco nos postos de combustíveis. ''Cada coisa deve ter o seu lugar: gasolina no posto gasolina, pão na padaria e bebidas nos lugares destinados a esse comércio''.

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