Suas compras - Por quê o comércio usa 'preços quebrados' ?
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terça-feira, 30 de maio de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O comércio faz todo tipo de ''ginástica'' para conquistar clientes: promoções, sorteios, liquidações; algumas lojas abrem de madrugada, e praticamente todas usam ''preços quebrados''.
O único argumento para a utilização deste recurso é o ''fator psicológico''. Uma loja prefere vender seus produtos a R$ 2,99 e não a R$ 3,00; outra vende o aparelho de TV a R$ 999,00 e não a R$ 1.000,00; e até as concessionárias de veículos usam este artifício. Já os supermercados, em função da variedade que chega a milhares de produtos, tanto usam valores próximos de números redondos, como usam também valores intermediários, tais como R$ 1,75 ou R$ 2,40.
A dona de casa Josiane Aparecida Duarte diz que os preços quebrados ''realmente chamam a atenção'', mas gostaria que eles fossem arrendondados para baixo: ''Por exemplo, se um produto custa R$ 2,99, não poderia custar R$ 2,00? Ai, eu compraria outra coisa. Sendo R$ 3,00, já não compro''.
Para a corretora de imóveis Andrea Fernandes, ''o preço quebrado dá a sensação de que é menor, parece mais barato; ele exerce influência psicológica porque R$ 1,99 é diferente de R$ 2,00''. Ela reconhece que ''é uma estratégia de venda adotada pelo comércio porque a gente não vê preços redondos nas vitrines''.
O garçom Carlos Roberto Messias afirma que ''o preço quebrado é um meio para o comerciante chamar o público'', mas aponta uma desvantagem: ''As lojas nunca têm troco''. Apesar disso, ele admite não fazer diferença um produto custar R$ 2,90 ou R$ 3,00: ''Eu levaria do mesmo jeito''.
Luceli Marques, gerente de uma loja de produtos populares, admite que ''os preços quebrados chamam bem mais a atenção'', mas garante que sempre tem troco: ''Às vezes, a gente vai devolver a moeda de um centavo e a pessoa não aceita; e em outros casos, a gente até volta troco a mais''.
O empresário Ademar Vedoato, presidente da Associação Paranaense de Supermercados - Regional Norte, afirma que ''a utilização de preços quebrados é um hábito antigo adotado pelo comércio, em especial pelas lojas de calçados e confecções''. Para ele, a única explicação plausível para este fato ''é o fator psicológico; a gente não vê lojas de R$ 2,00 e sim lojas de R$ 1,99''.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Uzier de Carvalho, também diz que ''a adoção de preços quebrados é uma prática antiga, um marketing psicológico: R$ 3,99 soa mais forte que R$ 4,00''. Ele afirma ainda que ''todo esforço para angariar o cliente é válido, desde que o comerciante mantenha a ética''.
Uzier é dono de uma loja e, pelo jeito, uma exceção: não usa preços quebrados com o propósito de atrair clientes. ''Os preços em minha loja são baseados em percentuais; por isso são variados, o que der, deu; e quando o cliente pede desconto, a gente arredonda para baixo'', afirma.
Preços baixos
Em compensação, alguns produtos estavam com preços bem em conta nesta terça feira em uma rede de supermercados: chuchu, R$ 0,29 o quilo; a alface crespa, R$ 0,19 a unidade; e mamão papaia, R$ 0,16 a unidade. Um detalhe a ser considerado: os preços baixos atraem pessoas que moram até em bairros distantes.
Periferia
Os preços dos supermercados da periferia e do centro da cidade são equivalentes, mas em alguns casos, os preços na periferia são um pouco mais elevados. Confira alguns preços praticados ontem em um destes mercados: alface crespa, R$ 0,79; cebola, R$ 1,48 o quilo; vagem, R$ 3,90; cenoura, R$ 1,69; chuchu, R$ 0,69; laranja, R$ 0,99 o quilo; e banana nanica, R$ 0,95 o quilo.
Pague 3, leve 2
Os consumidores devem ficar atentos às promoções do tipo pague 2 e leve 3. Em alguns casos, tem acontecido o contrário. O preço da unidade fica mais em conta. Ou seja, o consumidor leva mais vantagem se comprar as unidades isoladas.
Pão por peso
O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) divulgou o resultado de uma consulta pública no qual 70,34% das pessoas preferem que o pão francês seja comercializado por peso, em vez de por unidades.
Festas juninas
O mês de junho começa amanhã e os alguns supermercados já estão com as decorações típicas de festas juninas. Foram montadas barracas com pipocas, amendoim, canjicas e doces.
IGP-M
O Índice de Preços ao Consumidor, que pesa 30% na composição do IGP-M, subiu 0,07% em maio, menos do que a taxa de 0,22% registrada em abril. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o recuo foi puxado pela redução nos preços do álcool combustível, da gasolina e de produtos como arroz, feijão, hortaliças, legumes, frutas e adoçantes. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) é composto por três indicadores: Índice de Preços no Atacado (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e pelo Índice Nacional de Custos da Construção (INCC).


