Suas compras - Peixe vivo tem lugar no mercado
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segunda-feira, 26 de março de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Alguns consumidores não se satisfazem apenas com a possibilidade de comprar o peixe limpo no supermercado ou na peixaria mais próxima. Eles querem sentir o prazer de fisgar o animal e, para isso, a distância é o que menos interessa. São estas pessoas que garantem o movimento diário nos pesques-pagues, uma atividade empresarial que consiste na criação de peixes em reservatórios. Quem frequenta tal ambiente é unânime em afirmar que, além da terapia, o exercício é válido também pela qualidade e o preço dos peixes.
O empresário Thiago Ricieri estava com a namorada e outro casal amigo em um pesque-pague na região Sul de Londrina. Ele costuma fazer este tipo de programa mensalmente e pega, em média, seis a sete quilos de peixe. A última vez peguei bastante, mas hoje não consegui pescar nada porque estou começando agora. Ricieri afirma que gosta de pescar em água corrente, mas cita algumas dos pesques-pagues. Aqui é uma pescaria rápida, a gente não precisa trazer tralha de pesca, não precisa trazer muita coisa. Eu não trouxe nada, entende? Além de tudo, é mais cômodo e a gente gasta menos. O empresário diz que gosta de pescar em qualquer época do ano, independente da Quaresma. Para pescar, ele prefere o pacu, mas para comer gosta mesmo é da tilápia.
E quem pensa que pescaria é exclusividade masculina, está redondamente enganado. A decoradora Rejiane Kaneta foi ao pesque-pague com o filho, uma amiga e outras quatro crianças. A gente chega cedo, almoça, as crianças brincam e só vamos embora à noite. Ela resume em uma frase porque gosta de pescar. É uma terapia; como é bom! Rejiane diz que pega tanto peixe que, às vezes, precisa parar um pouco para não se exceder. O peixe daqui é muito mais gostoso que o peixe do mercado, é mais saudável. Aqui a gente sabe que está tudo limpinho e nos rios a gente não sabe como está. A decoradora diz que congela o excedente. Rejiane não associa o consumo de peixe à Quaresma. Eu e minha família comemos peixe direto, o ano inteiro.
O comerciante Marcelo Lima não gosta de peixe, mas, em compensação, gosta muito de pescaria. Isso aqui é uma distração, é o antiestresse da semana; a gente vem para passar a hora mesmo. Ele gosta de pescar na companhia de outras pessoas. Por isso, estava com um irmão e um amigo. São meus companheiros de pesca. Pescar sozinho não tem graça. Às vezes, a gente pára, compra umas latinhas (mostra a cerveja), bate um papo, relaxa. Isso é o que vale. O comerciante afirma que, dependendo do dia, pesca entre dois a cinco quilos. Ele segurava uma tilápia com cerca de um quilo e meio. Bem humorado, Lima diz que os pescadores costumam mentir pouco. O pessoal aumenta um pouquinho. É verdade. Mas para não ter dúvidas, a gente tira fotos. Outro dia, só a foto que tirei pesava dois quilos. Risos.
Criador utiliza ração
A família de Odilon Ishikawa é dona de um pesque-pague há dez anos no distrito do Espírito Santo, a 15 quilômetros do centro de Londrina. No local são criados nove tipos de peixes, entre eles a tilápia, o pacu e o piauçú. Os animais são tratados com ração balanceada. É um alimento de qualidade, afirma o empresário. Segundo ele, os peixes demoram entre seis a oito meses para ficar no ponto de pesca.
O pesque-pague funciona o dia todo, mas o movimento maior é registrado à tarde e nos finais de semana com calor. Quando chega, a pessoa recebe um formulário que serve para controlar o consumo e a quantidade da pesca. No nosso sistema, pescou tem que levar, afirma Ishikawa. O quilo varia entre R$ 6,00 e R$ 7,50, dependendo do peixe, mais R$ 0,50 por quilo a título de taxa de limpeza.
Ishikawa faz questão de afirmar que o empreendimento é voltado para o bem-estar da família. O nosso pesque-pague serve para a família se distrair. Aqui podem vir desde a criança com um ou dois anos, o jovem com 20 ou a pessoa com mais de 60 anos.
Valor nutricional
- A nutricionista Beatriz Ulate diz que não há diferença em termos de valores nutricionais entre os peixes de rio e os criados em reservatórios. Segundo ela, os peixes possuem gorduras benéficas como o ômega 3 e o ômega 6, que previnem as doenças cardiovasculares.
Beatriz explica que não há nenhum problema no consumo diário de peixe. Esta é a chamada dieta do Mediterrâneo, a melhor que existe para a saúde. A nutricionista lembra, porém, que o segredo está na forma de preparo. O peixe deve ser assado ou cozido e não frito. (E.A.)


