Alguns consumidores não se satisfazem apenas com a possibilidade de comprar o peixe limpo no supermercado ou na peixaria mais próxima. Eles querem sentir o prazer de fisgar o animal e, para isso, a distância é o que menos interessa. São estas pessoas que garantem o movimento diário nos pesques-pagues, uma atividade empresarial que consiste na criação de peixes em reservatórios. Quem frequenta tal ambiente é unânime em afirmar que, além da terapia, o exercício é válido também pela qualidade e o preço dos peixes.
  O empresário Thiago Ricieri estava com a namorada e outro casal amigo em um pesque-pague na região Sul de Londrina. Ele costuma fazer este tipo de programa mensalmente e pega, em média, seis a sete quilos de peixe. ‘‘A última vez peguei bastante, mas hoje não consegui pescar nada porque estou começando agora’’. Ricieri afirma que gosta de pescar em água corrente, mas cita algumas dos pesques-pagues. ‘‘Aqui é uma pescaria rápida, a gente não precisa trazer tralha de pesca, não precisa trazer muita coisa. Eu não trouxe nada, entende? Além de tudo, é mais cômodo e a gente gasta menos’’. O empresário diz que gosta de pescar em qualquer época do ano, independente da Quaresma. Para pescar, ele prefere o pacu, mas para comer gosta mesmo é da tilápia.
  E quem pensa que pescaria é exclusividade masculina, está redondamente enganado. A decoradora Rejiane Kaneta foi ao pesque-pague com o filho, uma amiga e outras quatro crianças. ‘‘A gente chega cedo, almoça, as crianças brincam e só vamos embora à noite’’. Ela resume em uma frase porque gosta de pescar. ‘‘É uma terapia; como é bom!’’ Rejiane diz que pega tanto peixe que, às vezes, precisa parar um pouco para não se exceder. ‘‘O peixe daqui é muito mais gostoso que o peixe do mercado, é mais saudável. Aqui a gente sabe que está tudo limpinho e nos rios a gente não sabe como estᒒ. A decoradora diz que congela o ‘‘excedente’’. Rejiane não associa o consumo de peixe à Quaresma. ‘‘Eu e minha família comemos peixe direto, o ano inteiro’’.
  O comerciante Marcelo Lima não gosta de peixe, mas, em compensação, gosta muito de pescaria. ‘‘Isso aqui é uma distração, é o antiestresse da semana; a gente vem para passar a hora mesmo’’. Ele gosta de pescar na companhia de outras pessoas. Por isso, estava com um irmão e um amigo. ‘‘São meus companheiros de pesca. Pescar sozinho não tem graça. Às vezes, a gente pára, compra umas latinhas (mostra a cerveja), bate um papo, relaxa. Isso é o que vale’’. O comerciante afirma que, dependendo do dia, pesca entre dois a cinco quilos. Ele segurava uma tilápia com cerca de um quilo e meio. Bem humorado, Lima diz que os pescadores costumam mentir pouco. ‘‘O pessoal aumenta um pouquinho. É verdade. Mas para não ter dúvidas, a gente tira fotos. Outro dia, só a foto que tirei pesava dois quilos’’. Risos.

Criador utiliza ração

  A família de Odilon Ishikawa é dona de um pesque-pague há dez anos no distrito do Espírito Santo, a 15 quilômetros do centro de Londrina. No local são criados nove tipos de peixes, entre eles a tilápia, o pacu e o piauçú. Os animais são tratados com ração balanceada. ‘‘É um alimento de qualidade’’, afirma o empresário. Segundo ele, os peixes demoram entre seis a oito meses para ficar no ponto de pesca.
  O pesque-pague funciona o dia todo, mas o movimento maior é registrado à tarde e nos finais de semana com calor. Quando chega, a pessoa recebe um formulário que serve para controlar o consumo e a quantidade da pesca. ‘‘No nosso sistema, pescou tem que levar’’, afirma Ishikawa. O quilo varia entre R$ 6,00 e R$ 7,50, dependendo do peixe, mais R$ 0,50 por quilo a título de taxa de limpeza.
  Ishikawa faz questão de afirmar que o empreendimento é voltado para o bem-estar da família. ‘‘O nosso pesque-pague serve para a família se distrair. Aqui podem vir desde a criança com um ou dois anos, o jovem com 20 ou a pessoa com mais de 60 anos’’.

  Valor nutricional
- A nutricionista Beatriz Ulate diz que não há diferença em termos de valores nutricionais entre os peixes de rio e os criados em reservatórios. Segundo ela, os peixes possuem gorduras benéficas como o ômega 3 e o ômega 6, que previnem as doenças cardiovasculares.
  Beatriz explica que não há nenhum problema no consumo diário de peixe. ‘‘Esta é a chamada dieta do Mediterrâneo, a melhor que existe para a saúde’’. A nutricionista lembra, porém, que o segredo está na forma de preparo. O peixe deve ser assado ou cozido e não frito. (E.A.)

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