Acessório que nunca sai de moda, o cachecol é a estrela dos figurinos de inverno. Nesta temporada, em especial, a peça brilha ainda mais, fazendo a alegria dos lojistas. É só andar nas ruas e observar: nesses dias frios não falta cachecol no pescoço de quase ninguém. Apesar de ser unissex, a peça seduz principlamente as mulheres. No comércio, os preços variam de acordo com o material, a técnica utilizada, a grife, o estilo.
  Uma associação de mulheres do Distrito do Espírito Santo, em Londrina, que trabalha com tecelagem artesanal, produz cachecóis em teares, utilizando lã e fios de algodão em variadas cores e texturas. A técnica milenar, oriunda do Oriente, é bastante utilizada em algumas regiões do Brasil como o Nordeste e os estados de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. ‘‘Aqui na nossa região (Norte do Paraná) não é muito comum, estamos tentando difundir a técnica’’, diz Maria Amélia Melo, coordenadora do grupo Teares Alegria.
  Os cachecóis, cujos preços vão de R$ 20 a R$ 45, são feitos há cinco anos pelas mulheres que integram a associação. Também há ponches (média de R$ 70) e xales (de R$ 30 a R$ 50). Os modelos seguem a tendência da moda. Existem peças lisas e com bordados e apliques. É possível comprar modelos prontos ou encomendar, escolhendo a cor e o tipo de linha. A loja fica junto à sede da associação, no Distrito do Espírito Santo, e funciona de segunda a sábado, das 13 às 17 horas. O grupo também oferece cursos e vende o tear para quem quiser produzir os próprios acessórios.
  O tradicional tricô artesanal também continua em alta. A loja A Tricolândia, que trabalha com diversos tipos de lã, dobra as vendas no inverno. O que puxa o consumo é o cachecol. ‘‘Tem gente que compra lã para fazer blusas e outras peças, mas o forte é o cachecol. É muito fácil. O ponto mais simples até criança faz’’, diz a gerente Maria Reiko Saruhashi Ishikawa.
  A loja oferece cursos de tricô e tear e também vende algumas peças prontas, feitas por professoras e funcionárias. Os cachecóis em exposição geralmente mostram os novos tipos de lãs disponíveis. ‘‘Todos os anos, surgem novidades. O lançamento deste ano é a lã com pompom (com ou sem brilho)’’, diz a gerente. Ela afirma que também saem bastante as lãs com ‘‘paetês’’ e as felpudas. Essas lãs diferenciadas custam de R$ 9 a R$ 15 (o novelo de 100 gramas).
  Os cachecóis, as pashminas (mantas leves) e as estolas na linha industrial, importados, são o carro-chefe da Bonin Presentes. ‘‘São peças da China, de muito gosto e que agradam bastante as mulheres. Vendo o ano todo, não só no inverno. Muitas mulheres compram para incrementar a roupa de festa num dia mais frio’’, afirma o proprietário Adão Bonin.
  O comerciante trabalha com estes produtos há 14 anos e diz que este ano teve dificuldade para adquirir mercadoria. ‘‘Ainda tem muita coisa para chegar. Recebi até agora metade dos pedidos que fiz’’, diz. 0s preços dos cachecóis são R$ 33,50 e
R$ 47,50.

‘Te­nho ­mais de dez ca­che­cóis no guar­da-­roupa’
  A jor­na­lis­ta Ma­ria­na Ma­tias tem ­mais de dez ca­che­cóis, al­guns fei­tos por ela no ­tear. ‘‘Des­ta vez que­ro uma es­pé­cie de es­to­la, cu­jo mo­de­lo vi com uma ami­ga. É um re­tân­gu­lo com­pri­do, bem fá­cil de ­fazer’’, dis­se ela, en­quan­to es­co­lhia lã em uma lo­ja em Lon­dri­na. Ela con­ta que usa o aces­só­rio ­mais pa­ra com­ba­ter o ­frio do que pa­ra com­por o vi­sual. ‘‘Sin­to mui­to ­frio e o ca­che­col aque­ce ­bem’’.
  A ad­vo­ga­da Mi­rian Si­quei­ra Gon­çal­ves diz que tem o há­bi­to de ­usar o aces­só­rio in­clu­si­ve no ve­rão. ‘‘Te­nho uns quin­ze ca­che­cóis. Uns de li­nha pa­ra o ca­lor e ou­tros de lã pa­ra os ­dias ­frios. Mi­nha mãe faz mui­tos pa­ra mim de ­tricô’’, afir­mou. Nes­ta se­ma­na pri­mei­ra se­ma­na de ­frio in­ten­so no ano, ela pro­cu­ra­va lã com pom­pom pa­ra ­mais um ca­che­col. (G.M.)

His­tó­ri­co e ver­sá­til, aces­só­rio é o ‘­pai’ da gra­va­ta   
O ca­che­col é con­si­de­ra­do o pai da gra­va­ta e te­ria sur­gi­do em Ro­ma, no sé­cu­lo I a.C., com os sol­da­dos que usa­vam um pa­no mo­lha­do amar­ra­do no pes­co­ço pa­ra se re­fres­car. ­Mais tar­de, os fran­ce­ses ade­ri­ram à ­ideia e pas­sa­ram a ­usar len­ços no pes­co­ço.
  Se­gun­do Ma­ria Ce­les­te San­ches, pro­fes­so­ra do cur­so de de­sign de mo­da da Uni­ver­si­da­de Es­ta­dual de Lon­dri­na (UEL), o ca­che­col tem a fun­ção de aque­cer e in­cre­men­tar o fi­gu­ri­no. ‘‘A pes­soa po­de ­usar uma rou­pa bá­si­ca e dar um to­que di­fe­ren­cia­do de cor ou bri­lho com o ­cachecol’’, ob­ser­va. Ela re­pa­ra que o aces­só­rio é sem­pre usa­do no in­ver­no, mas quan­do vi­ra ten­dên­cia de mo­da au­men­ta a ofer­ta no co­mér­cio.
  É um aces­só­rio bem ver­sá­til, ­pois po­de ser usa­do de di­ver­sas for­mas. Uma das for­mas ­mais usa­das é jo­gá-lo so­bre os om­bros, ao re­dor do pes­co­ço, dei­xan­do as pon­tas pa­ra a fren­te. ‘‘Pren­der com um bro­che po­de ser uma op­ção com um to­que de ­sofisticação’’, in­di­ca a pro­fes­so­ra.
  Ou­tra di­ca é do­brar o com­pri­men­to pe­la me­ta­de, ob­ten­do ­duas pon­tas, as ­quais de­ve­rão ser pas­sa­das por den­tro do ­anel for­ma­do pe­la ou­tra ex­tre­mi­da­de. A ­ideia é dei­xar as pon­tas pa­ra a fren­te co­mo uma gra­va­ta.
  Tam­bém é pos­sí­vel en­ro­lar o ca­che­col no pes­co­ço dei­xan­do as ­duas pon­tas caí­das pa­ra ­trás. (G.M.)

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