A vida moderna exige o estabelecimento de um certo roteiro para que as atividades do dia-a-dia fluam de maneira ordenada. Para algumas pessoas, a rotina é mais ou menos esta: sair de casa, deixar o filho na escola e ir para o trabalho; na volta, passar na escola e depois no supermercado antes de ir para casa. Por isso, hoje em dia, é comum encontrar crianças acompanhadas de seus pais nos supermercados logo após as aulas, no final da tarde. Essa mudança de itinerário implica em comprar algumas coisas que não estavam previstas e, quase sempre, alimentos considerados não-saudáveis.
A advogada Nohad Abdallah passa no supermercado uma vez por semana após as aulas. Em um certo dia, ela estava com seu filho Ângelo, de 12 anos. ''O menino pede muita coisa; a gente tenta segurar, porque se deixar, ele só come tranqueiras e depois não vai comer em casa''. Nohad define como ''tranqueiras'' sorvetes, bolachas recheadas, salgadinhos e refrigerantes.
A advogada tem outros dois filhos, de três e 10 anos, mas diz que a situação fica delicada mesmo quando vem com o menor ao supermercado. ''Ele chega, pega um pacote de chips e abre, pega um Yakult e abre, depois pede doce e chocolate''.
A professora Joelma Rezende Posso foi buscar seu filho de sete anos na escola e seguiu direto com o menino para o supermercado, mas afirma que não é sempre que faz este roteiro. ''Hoje não tive tempo de vir antes''. Joelma diz que o menino sai com fome da escola e, assim, sempre compra algo que não estava previsto. ''Ele não é de pedir muitas coisas, mas os produtos ficam bem à vista e influenciam às compras''. A professora, que tem outro filho de 12 anos, afirma que hoje em dia as crianças pedem mais coisas e admite uma certa dificuldade em administrar a situação. ''A gente está vivendo em um mundo extremamente consumista, mas é preciso controlar um pouco essa vontade desesperada''.
A gerente de hotelaria Lúcia Canelli segue um roteiro religiosamente uma vez por semana. ''A gente sai do trabalho, pega o filho na escola, passa no supermercado e só depois volta para casa; é o único horário que tenho uma certa disponibilidade de tempo''. Ela estava no supermercado com os dois filhos, de seis e 11 anos. Lúcia faz questão de levar os meninos aos supermercados até por uma questão de condicionamento. ''A gente faz uma lista de compras e eles não ficam pedindo muito as coisas, e se pedem, a gente diz não; esta é uma forma de educar a criança para não gastar muito''. Só que de vez em quando abre uma exceção: ''De três coisas que eles pedem, uma acabam ganhando; não gasto mais só porque estou com meus filhos no supermercado, de maneira nenhuma''.

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