Suas compras - Pais aproveitam hora nas papelarias
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Se a falta de tempo interfere cada vez mais na convivência entre as pessoas, a hora da compra do material escolar pode se transformar em um momento a ser desfrutado entre pais e filhos. Para alguns, a ida às papelarias vira opção de lazer. E há famílias que fazem questão de ir juntas às compras.
É o caso que fez a bancária Sandra Garcia. Ela, o marido Edson Garcia, e os filhos Vinicius, de 5 anos, e Karen Fernandes de 9, decidiram realizar a atividade em uma mesma papelaria. Os pais dividiram a tarefa: ela acompanhou a menina e ele o menino.
Para Sandra, levar os filhos ajuda na escolha do material, o que não significa que as crianças terão todos os gostos satisfeitos. ''Eles nem sempre levam o que pedem para que possam dar valor às coisas também. A gente concede 50% do pedido e ela, por exemplo, aceita o 'não' de forma positiva'', observa.
O funcionário público Junior César Reisdoerfer comenta que a compra do material escolar foi uma oportunidade que encontrou para passear com a filha Eduarda, de 8 anos. ''É bom porque a gente caminha um pouco pela cidade'', disse.
Questionado se a menina faz muitos pedidos, o pai faz questão de valorizar o comportamento da filha: ''Ela não extrapola nas coisas''. A filha corresponde e afirma que não tem preferência por materiais com apelos da moda. ''Tem alguns cadernos que eu até gostaria, mas só vou comprar o que for possível'', disse. Entre os planos de Eduarda estava uma mochila.
A cabeleireira Simone Santos levou os filhos Emanuel, de 8 anos, e Kauna, de 12, pensando em evitar problemas após as compras. ''Eles vieram para ajudar a escolher o material certinho, porque, de repente, a gente leva aquilo que eles não queriam''.
Simone conta que os filhos são exigentes quando se trata de qualidade e modismo. E confessa que já chegou a enfrentar divergências na papelaria. ''Hoje, já tivemos alguns conflitos, mas vou levar apenas o que for possível, o que estiver de acordo com a nossa posse, com certeza'', afirmou. Ela atribuiu aos ''amiguinhos'' o fato de os filhos insistirem no material mais atrativo.
Atitude é saudável, diz educadora
A educadora Verlaine Danieli, que é supervisora pedagógica de um colégio em Londrina, considera saudável a companhia das crianças na hora da compra dos materiais. A vida escolar é importante e a compra do material é um momento especial para a criança sentir que faz parte do processo, disse.
Outro detalhe a ser considerado, segundo ela, é que os pais devem aproveitar a participação dos filhos para trabalhar tanto o limite quanto a autonomia das crianças, o que pode ser um exercício de administração financeira. Os pais devem dizer porque isso é caro ou porque isso é barato. E cita o exemplo do apontador que tem a mesma função, independente da beleza ou do preço.
Verlaine alerta, porém, que os pais devem ter autoridade e não ser autoritários. Os pais precisam ter o controle da situação, não deixando para os filhos a decisão final. Segundo ela, se os pais e os filhos seguirem corretamente a relação apresentada pelas escolas não terão nenhum problema na escolha dos materiais. (E.A.)


